Tudo em nome do desenvolvimento desenfreada sobrepondo interesse de um povo de uma nação indígena, que ao ser deslocado não é só uma questão de perda de uma terra de um território mais sim de uma identidade sócio cultural, que foi abalada e não extinta com a devida construção dessa barragem. A formação do lago em 1987 devido a construção dessa barragem inundou município de Rodelas no Estado da Bahia, onde foi deslocada cerca de 200 famílias Tuxá, constituídas por aproximadamente 1.200 índios. Nesse processo de deslocamento alguns procedimentos irregulares foram tomados, como ausência de um decreto presidencial e da identificação de um território, que segundo a legislação vigente que trata da questão da remoção dos povos indígenas de suas terras, teria que ter sido anteriormente definido.
O deslocamento foi extremamente difícil para os índios mais velhos, sendo que vários deles morreram e adoeceram, não suportando o impacto da mudança e de assistir a ilha da Viúva e aldeia sendo completamente inundadas, como conta o pajé Armando:
“Muitos morreram de desgosto, por causa dessas coisas assim, daqueles objetos que foi criado pelos avôs, pelos avós, pelos pais deles, e vê se acabar assim, e chegar nunca mais ver. Aquela terra que vivia toda hora, toda hora você pisava em cima dela, na terra que nasceu ali, que se criou ali, e era dos avós e dos pais e tudo. Aquela amizade grande que tinham na ilha, uma passava para lá, outros passavam para cá, um dizia uma coisa com um, outro dizia uma coisa com outro. Então isso, muito das pessoas mais velhas, pensavam isso, e daquilo ali, foram indo, foram indo. Foi chegando outras coisas. Aí chegou a hora de morrer. Mas por causa daquilo, isso acontecia. Sentiram muito.”

O reassentamento do povo Tuxá foi concluído em 1988, e após mais de vinte anos do deslocamento o povo Tuxá encontra-se em condições de produção e reprodução social em patamares inferiores à encontrada antes da construção da barragem de Itaparica.
È fácil constatar que o projeto de reassentamento do povo Tuxá não atendeu aos objetivos de promover uma melhoria das condições de vida e nem atendeu as exigências de políticas e normativas do agente financiador BIRD – Banco Mundial de que “se o deslocamento compulsório é inevitável, a política do Banco exige formulação e o financiamento de um plano de reassentamento, para assegurar as pessoas reassentadas tenham oportunidades de desenvolvimento que melhorem, ou pelo menos restaurem, os níveis de vida que tiveram antes do projeto”(OD. 4.30/1990).
O precário andamento da implementação do plano de reassentamento gerou altos custos sociais, econômicos e culturais entre os Tuxá, como por exemplo, a ociosidade devido a falta de condições de trabalho, tendo como consequência o crescimento do alcoolismo e o aparecimento de diversas doenças antes inexistentes, como hipertensão e diabete. A CHESF não se preocupou e nem mesmo se articulou para tentar recompor as condições sociais e econômicas de produção e reprodução dos índios Tuxá de Rodelas. Nesse caso parece ter ocorrido uma omissão tanto da CHESF e da Eletrobrás como responsáveis e executoras das obras, como do BIRD – Banco Mundial, agente financiador do projeto, que não monitorou e nem supervisionou a implementação dos reassentamentos, para exigir que fossem atendidas suas políticas de reassentamento e trato com populações deslocadas compulsoriamente pela barragem. Até hoje a CHESF não adquiriu as terras prometidas para os Tuxá de Rodelas no acordo firmado em 1987.
Meus parentes, o que eu quero mostrar é que os governantes, ao se vê na possibilidade do crescimento econômico eles vão atropelando tudo, muitas vezes essa ambição pode gerar impactos irreparáveis no nosso caso não foi total mais existiu um pacto de qualquer forma nos não somos contra o desenvolvimento, mas queremos que esse desenvolvimento respeite nossos povos, nossas culturas e nossa vida.

DINAMAMTUXÁ

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5 COMENTÁRIOS

  1. Muito importante esta partilha de informação e de opinião!

    O DESENVOLVIMENTO DA MORTE NÃO É BOM…..

    DESENVOLVIMENTO TEM QUE SER HUMANO, JUSTO E COMBINADO POR TODOS!

  2. Dinaman Tuxá , este relato , memória e desabafo de uma nação indígena , é parte da história de vcs , e mostra o impacto das hidroelétricas sobre os povos indígenas e suas consequencias. Sei muito bem oque isto significa , fiz minha monografia de conclusão de curso : Pós Graduação em Povos Indígenas do Brasil , pela UNESP de São Vicente / SP , com o tema : O impacto das Hidroelétricas de Balbina e Itaipú sobre os povos indígenas atingidos. No caso : Os Waimiris Atroaris e um grupo isolado em Balbina , e o povo Guaraní em Itaipú. São momentos dramáticos e que como vc mesmo diz , muitas vezes irreparáveis , causando até a morte das gerações das antigas. Excelente , matéria , Parabéns !!!!

  3. É uma situação difícil e que nos entristesse.
    E ficamos a refletir:Isso é desenvolvimento?
    Para quem???
    Já que parentes nossos morrem ao ver sua terra perdida.
    Temos que lutar contra esse modelo de globalização que só nos fere.
    Não só os povos indígenas mas vários outros segmentos sociais.

  4. Muito boa a matéria, parabéns!!! mas o que é importante lembrar é que os Tuxá de Ibotirama também sofreram e sofrem até hoje com esse fato que veio a danificar a vida de várias pessoas inocentes!!!

  5. Excelente matéria para compor o livro “Somos patrimônio”, a fala do pajé e a descrição dos sentimentos do povo indígena Tuxá atingido pela construção da hidrelétrica, só vem confirmar a ação sistemática do estado que não ouve nem respeita os povos indígenas antes de atingi-los com seu braço “desenvolvimentista”. Mais do que nunca é necessário que o Estado brasileiro compreenda o patrimônio imemorial que as comunidades indígenas representam, como berço de cultura milenar e como sabedoria tradicional.FORÇA, BRAVO POVO TUXÁ!

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