Até hoje a gente vem usando nossa tradição

Até hoje a gente vem usando nossa tradição, tanto faz no sol como na chuva.

De noite fazemos nosso ritual, que a gente nunca abandonou e não vamos abandonar, porque é a nossa segurança.

O TORÉ significa, para nós, uma reza. Cada canto é uma oração que traz a saúde da gente.

Nós temos todo sábado nossa dança de ritual, onde todos os índios Kiriri estão presentes, de grande a pequeno, o pajé, o cacique, os conselheiros, estamos todos lá, pedindo a Deus que nunca acabe nosso TORÉ, nossa força.

Quando comecei a cantar eu já sabia um pouco, vamos dizer, eu já nasci com aquele saber e comecei minha carreira e até hoje estou nessa função de cantar, como vice-pajé.

Tem também mais jovens que cantam também na frente, além do pajé. A gente canta e os que vêm atrás respondem. Tem cantos que a gente pede a Deus que nos dê a saúde e nos livre do mal.

Sempre teve nosso ritual, antigamente a gente se danava lá no mato e agora que retomamos Mirandela nós dançamos porque estamos felizes, estamos com saúde e queremos daqui para frente mais melhorias. Queremos tudo de bom para aqui e nada de ruim.

Meu nome é Rubens e tenho 22 anos.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Oi, Rubens

    Quanta fé, é raro alguém expressar dessa forma sua fe!

    Pq não conversa conosco no chat?

    Venha !

    Deus nos Ilumine!

  2. Com certeza Rubens, Tive a honrrosa oportunidade de participar de um Toré, junto com os Kiriri de Araças, algo com certeza marcante para toda uma vida. estive também em Mirandela, Pau Ferro, Marcação, Baixa da Cangalha, Baixa do Jua, onde conheci o Chefe Lazinho, e aprendi muito com ele, Um abraço a todos.

    Para vcs lembrarem, estive fazendo manutenção dos poços artezianos nas aldeias que citei.

  3. Os Tumbalalá desenvolvem duas formas de toré: o privado, restrito a poucas pessoas e realizado em local fechado, e o público, que é aberto, feito no terreiro apropriado a este fim. Este primeiro é conhecido como mesa de toré – ou “particular”, ou ainda simplesmente “mesa” – e tem a prerrogativa de ser um trabalho mais concentrado e especializado, capaz de estabelecer uma comunicação mais intensa com o sobrenatural. Daí a audiência restrita e seleta, composta por não mais que 12 pessoas, dentre elas os mestres de maior prestígio que comandam todo o ritual. A rigor, para as comunidades indígenas do Nordeste uma mesa de toré é considerada o trabalho “da ciência do índio”, aquele capaz de trazer revelações importantes pelos encantos, como o nome da aldeia ou do grupo, ao contrário do toré no terreiro, que muitas vezes é denotado como uma “brincadeira de índio”, um “folguedo” e que tem funções lúdicas e de interação social bastante presentes.

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