APRESENTAÇÃORadio 2

 Katuara … “Para Todos Todo”

Esta no ar a quarta edição (22/06/2014) da nossa dominical “Rádio: Taba Atã: Indígena e Libertária”.

 

Esta edição é dedicada a algumas das mais tradicionais festas populares e profundamente vinculadas à relação do homem e mulheres à natureza (terra, lua, chuva, céu), sendo uma homenagem porque ela nos mantém vivos: Viva as Festas Juninas na Roça!

 

Esta Rádio é Indígena porque somos orgulhosamente Ancestrais e Espiritualmente Índios, respeitando os Encantamentos da Natureza e Anciões dos quais somos corpo e anga (alma).

 

Libertária pois acreditamos numa sociedade tecida nos princípios coletivos e individuais do libertarismo: sem patrões, pátrias/estados e propriedades privadas ditando as vidas. Queremos todas e todos de almas, corpos e vidas livres. Fazemos nossos os princípios do Movimento Indígena Insurgente Zapatista: “Para Todas/Todos Todo!”

 

 

“Hermanos nosotros nacimos de la noche

en ella vivimos y moriremos en ella.

Pero la luz será mañana para los más.

Para todos aquellos que hoy lloran la noche,

Para quienes se niega el día.

Para todos la luz,

Para todos todo”

(Manifiesto Zapatista en Nagua – Subcomandante Insurgente Marcos)

A “Radio Indígena e Libertária: Taba Atã” é local porque moramos, falamos e lutamos daqui do Território Indígena Tupinambá de Olivença (Ilhéus/Bahia, num espaço que alguns denominam como país chamado Brasil). Entretanto, também é universal como a natureza, pois não acreditamos em fronteiras que devam separar/limitar trocas de saberes entre mulheres e homens de espíritos coletivos, livres, naturais e que lutem por uma sociedade igualitária.

 

Por isto pensamos que, indiferente da língua e formas de expressão: “esperanza a través de la música y ser a la vez un elemento motor de la rebelión y de la lucha por un mundo más justo…” (Radio Chango)

 

 

Tentaremos aos domingos apresentar uma seleção de Músicas/Vídeos/Textos/Filmes/Imagens, em suas variações, relativa aos acontecimentos da vida. Nem sempre, talvez, conseguiremos por causa da luta e do nosso raro acesso à internet.

 

Estamos abertos às contribuições que poderão ser realizadas através de posts e nos comentários. Quem sabe iniciemos um “Guia/Acervo de Músicas, Vídeos, Textos, Filmes e Imagens Indígenas, Culturas Tradicionais e Libertárias”. Sua contribuição é assim mais do que bem-vinda.

 

Aguardamos as suas contribuições e críticas.

Awerê !

Encantados e Ancestrais!

 

 

……………………………………………..

 

 

ASSUNTANDO:

 

FESTA NA ROÇA SEM DEIXAR A LUTA DE LADO … ATÉ PORQUE ELAS FAZEM PARTE DA LUTA PELA TERRA

Por Casé Angatu 

“Quero mais não

Viver em guerra ou no abandono

Tem muita terra e pouco dono”

 

 

Já é festa na roça em boa parte do território chamado de terras brasilis. São as tradicionais festas juninas, sincretizadas em homenagem à Santo Antonio, São João e São Pedro.

 

Como quase todos os anos as festas juninas acontecem em meio às lutas dos Povos Indígenas, dos Povos que vivem no Campo e nas Cidades. Frisamos: não estamos aqui ao festejar esquecendo da luta. Neste caso particular as festas juninas até fazem parte da luta para mantermos nossa ancestralidade e cultura popular tradicional, desafiando as imposições feitas pelos que estão no poder e seus aliados. Por exemplo, a FIFA queria proibir as Festas Juninas em Salvador: algo que certamente não irá ocorrer.

 

As festas juninas são profundamente vinculadas às relações do homem e mulheres à natureza (terra, lua, chuva, céu), sendo uma homenagem à ela porque nos mantém vivos e naturais. Em parte do nosso território brasileiro é momento de agradecer e festejar a colheita do que foi plantado na época de São José. Por isto nas festas juninas em muitos lugares, como aqui em Olivença Indígena, é momento do homem voltasse à terra, a lua, ao céu e a natureza como um todo. São folguedos sincretizados nas figuras de Santo Antonio, São João e São Pedro, mas, acima de tudo, à natureza.

 

Às comidas tradicionais deste período, – todas de origens ancestrais e muitas delas de tradição indígena -, são colhidas e repartidas por todos em festejos embalados ao som de musicas de raízes: forró, música caipira, chula, quadrilhas etc. Para muitos, especialmente que vivem em grandes cidades, é um dos poucos momentos de reativar a memória ancestral e lembrar que a origem de tudo esta na terra e na natureza.

 

É tempo dos arraias, sala de reboco, fogueiras, quentão, licor de jenipapo, milho verde, aipim, cuscuz, peão, pipoca, bolo de fubá, munguzá, curau, maça do amor, canjica, amendoim, paçoca, pé de moleque, pé de moça, pau de sebo, corrida de saco, jogar pião, dançar muito forró, música de raiz caipira…

 

Realçamos que para nós estes festejos fazem parte da luta porque representam a resistência das tradições populares e de modos de viver. Sempre é bom lembrar que: quem produz os alimentos típicos da época e quase todos que comemos não é o agronegócio e/ou os ruralistas. Estes produtos e nossa alimentação cotidiana quem produz é agricultura tradicional feita nas roças (alguns chamam de agricultura familiar).

 

Talvez também por isto existe uma tentativa de desapropriar as festas juninas do povo e de suas tradições populares, tornando as mesmas produtos. Produtos feitos em forma de festas juninas padronizadas comercialmente, bandas de forró eletrônico, sertanejos industrializados, tornando alguns dos lugares tradicionais destes folguedos espaços “para turista vê”, somente acessíveis a quem tem dinheiro como os rodeos e as festas do agronegócio.

 

Por isto que a manutenção das tradições populares é avacalhada como algo pitoresco, pertencente ao passado e precisando ser superado. Muitas das músicas do forró tradicional e da música caipira de raiz em sua tradição incomodam porque falam dos que vivem na e da terra e em seu modo de vida que, mesmo inconscientemente, desaviam a lógica produtiva do agronegócio.

 

É bom lembrar de canções que dizem:

 

“Eu não troca meu ranchinho

amarradinho de cipó

Por uma casa na cidade ,

nem que seja um bangalô”

(O Inhambu-Xintã e o Xororó – Tonio e Tinoco)

Ou

“Artomove lá nem sabe

se é home ou se é muié

Quem é rico anda em burrico

Quem é pobre anda a pé

Mas o pobre vê nas estrada

O orvaio beijando as flô

Vê de perto o galo campina

Que quando canta muda de cor

Vai moiando os pés no riacho

Que água fresca, nosso Senhor

Vai oiando coisa a grané

Coisas qui, pra mode vê

O cristão tem que andá a pé”

(Estrada de Canindé – Zé Dantas e Luiz Gonzaga)

 

Também não podemos esquecer que existem aqueles lugares que não terão as festas juninas porque a natureza vem castigando pela seca, chuva e geada. Este castigo que vem para todos, no entanto, é fruto daqueles que não sabem viver com a terra e sim encará-la somente com algo a ser explorado. Existem também os territórios em disputa, como aqui em Olivença (Ilhéus/Bahia), que em alguns casos extremos nem as fogueiras juninas podem ser acessar.

 

Em nosso caso (Olivença Tupinambá), mesmo em disputa, encontraremos com certeza espaço para cantar e dançar canções como esta:

 

“Com tanto dinheiro girando no mundo
Quem tem pede muito quem não tem pede mais
Cobiçam a terra e toda a riqueza
Do reino dos homens e dos animais
Cobiçam até a planície dos sonhos
Lugares eternos para descansar
A terra do verde que foi prometido
Até que se canse de tanto esperar
Que eu não vim de longe para me enganar
Que eu não vim de longe para me enganar

O tempo do homem, a mulher, o filho
O gado novilho urra no curral
Vaqueiros que tangem a humanidade
Em cada cidade e em cada capital
Em cada pessoa de procedimento
Em cada lamento palavras de sal
A nau que flutua no leito do rio
Conduz à velhice, conduz à moral
Assim como deus, parabéns o mal
Assim como deus, parabéns o mal

Já que tudo depende da boa vontade
É de caridade que eu quero falar
Daquela esmola da cuia tremendo
Ou mato ou me rendo é lei natural
Num muro de cal espirrado de sangue
De lama, de mangue, de rouge e batom
O tom da conversa que ouço me criva
De setas e facas e favos de mel
É a peleja do diabo com o dono do céu
É a peleja do diabo com o dono do céu”

(Peleja do Diabo com o Dono do Céu – Zé Ramalho)

 

 

 

 

 

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SELEÇÃO MUSICAL: 22/06/2014

(Click no link e/ou copie os endereços para ouvir as músicas e ver os vídeos)

 

Para refletir e, as vezes, alegrar, sem perder a força da luta, e tornar nossa caminhada um pouco mais leve, ainda lembrando dos Povos Indígenas localizados em outras nações, deixamos na sequência quarenta e três indicações, com variações, de músicas, texto e vídeo advindas desta latinoamerica e do norteamerica.

OBS: Nesta edição em decorrência da quantidade de música não iremos na sequência colocar as letras.

 

– CANÇÃO 1 – ESTRADA DE CANINDÉ – ZÉ DANTAS E LUIZ GONZAGA

 

 

– CANÇÃO 2 – FULÔ DA MARAVILHA – LUIZ GONZAGA

 

 

– CANÇÃO 3: ACAUÃ – LUIZ GONZAGA E FAGNER

 

 

– CANÇÃO 4: DE JUAZEIRO A CRATO

http://www.youtube.com/watch?v=IgB3hDlk1Vo

 


 

 

– CANÇÃO 5: SANGUE DE NORDESTINO

 

 

– CANÇÃO 6: DOMINGUINHOS E LUIZ GONZAGA – QUANDO CHEGA O VERÃO

 

 

– CANÇÃO 7: DOMINGUINHOS – EU SÓ QUERO UM XODÓ

 

 

– CANÇÃO 8: DOMINGUINHOS – QUERO UM XAMEGO

 

 

– CANÇÃO 9:  TRIO FORROZÃO  XOTE ECOLÓGICO

 

 

– CANÇÃO 10: TRIO NORDESTINO – PETROLINA JUAZEIRO

 

 

– CANÇÃO 11: TRIO VIRGULINO – PRECISO DO SEU SORRISO

 

 

– CANÇÃO 12: CHAMEGADO NOVO / PRECISO DO SEU SORRISO | TRIO VIRGULINO

 

 

– CANÇÃO 13: TRIO VIRGULINO – A PUREZA DO AMOR ENOKTHIAGO

 

 

– CANÇÃO 14: DELICADO – ALCEU VALENÇA

 

 

– CANÇÃO 15: CLÃ BRASIL – BANQUETE DOS SIGNOS & DISPARADA

 

 

– CANÇÃO 16: CLÃ BRASIL & SIVUCA – FEIRA DE MANGAIO

 

– CANÇÃO 17: PROCURANDO TU – TRIO NORDESTINO

 

 

– CANÇÃO 18: GILBERTO GIL – MADALENA

 

 

– CANÇÃO 19: CHAMEGADO NOVO / PRECISO DO SEU SORRISO | TRIO VIRGULINO

 

 

– CANÇÃO 20: GILBERTO GIL – ESPERANDO NA JANELA

 

 

– CANÇÃO 21: JOÃO DO VALE & JACKSON DO PANDEIRO – O CANTO DA EMA

 

 

– CANÇÃO 22: CANTO DA EMA

 

 

– CANÇÃO 23: JOÃO DO VALE – PEBA NA PIMENTA

 

 

– CANÇÃO 24: DOMINGUINHOS E JACKSON DO PANDEIRO
http://www.youtube.com/watch?v=ZqC0aBpPAl4

 

 

 

– CANÇÃO 25: NA ASA DO VENTO – JOÃO DO VALE

 

 

– CANÇÃO 26: JOÃO DO VALE & NARA LEÃO – PIPIRA

 

 

– CANÇÃO 27:  TRÊS MENINAS DO BRASIL – MULHER NOVA BONITA E CARINHOSA

 

 

– CANÇÃO 28: LISBELA – TRIO FORROZÃO

 

 

– CANÇÃO 29:  FALAMANSA E TRIO VIRGULINO A PELEJA DO DIABO COM O DONO DO CÉU

 

 

– CANÇÃO 30: XOTE DOS MILAGRES – FALAMANSA

 

 

– CANÇÃO 31: BICHO DE PÉ – NOSSO XOTE

 

 

– CANÇÃO 32: BICHO DE PÉ – QUE SEJA           

 

 

– CANÇÃO 33: FLOR DE LIZ – CIRCULADÔ DE FULÔ

 

 

– CANÇÃO 34: COMADRE FLORZINHA – ANGICOS

http://www.youtube.com/watch?v=P7haetI-U8M

 

 

– CANÇÃO 35: RASTAPÉ – FOI DEUS QUEM FEZ VOCÊ

 

 

– CANÇÃO 36: RASTAPÉ- UM ANJO DO CÉU

 

 

– CANÇÃO 37: RASTAPÉ- UM ANJO DO CÉU

 

 

– CANÇÃO 38: TAXI LUNAR – GERALDO AZEVEDO

 

 

– CANÇÃO 39: FLÁVIO JOSÉ – ESPUMAS AO VENTO

 

 

– CANÇÃO 40: TRIO VIRGULINO – ATE MAIS VER
http://www.youtube.com/watch?v=r0DzOytUAek

 

 

 

– CANÇÃO 41: ME DIZ COMO VAI FICAR MEU CORAÇÃO – FLÁVIO JOSÉ

 

 

– CANÇÃO 42  ADELMARIO COELHO – BAHIA, FORRÓ E FOLIA

 

 

– CANÇÃO 43:  TARGINO GONDIM – FINGINDO QUE NÃO TÁ

 

 

– CANÇÃO 44: FLAVIO JOSÉ – CABOCLO SONHADOR

 

 

Veja também no Facebook: Campanha Tupinambá – https://www.facebook.com/LutaIndigena?ref=ts&fref=ts

 

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