KATUARA … “PARA TODOS TODO”Slide2

NO AR A TERCEIRA EDIÇÃO (16/06/2014) DA NOSSA DOMINICAL

“RÁDIO: TABA ATÃ: INDÍGENA E LIBERTÁRIA”

 

Indígena porque somos orgulhosamente Ancestrais e Espiritualmente Índios, respeitando os Encantamentos da Natureza e Anciões dos quais somos corpo e anga (alma).

 

Libertária pois acreditamos numa sociedade tecida nos princípios coletivos e individuais do libertarismo: sem patrões, pátrias/estados e propriedades privadas ditando as vidas. Queremos todas e todos de almas, corpos e vidas livres. Fazemos nossos os princípios do Movimento Indígena Insurgente Zapatista: “Para Todas/Todos Todo!”

 

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“Hermanos nosotros nacimos de la noche

en ella vivimos y moriremos en ella.

Pero la luz será mañana para los más.

Para todos aquellos que hoy lloran la noche,

Para quienes se niega el día.

Para todos la luz,

Para todos todo”

(Manifiesto Zapatista en Nagua – Subcomandante Insurgente Marcos)

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A “Radio Indígena e Libertária: Taba Atã” é local porque moramos, falamos e lutamos daqui do Território Indígena Tupinambá de Olivença (Ilhéus/Bahia, num espaço que alguns denominam como país chamado Brasil). Entretanto, também é universal como a natureza, pois não acreditamos em fronteiras que devam separar/limitar trocas de saberes entre mulheres e homens de espíritos coletivos, livres, naturais e que lutem por uma sociedade igualitária.

 

Por isto pensamos que, indiferente da língua e formas de expressão: “esperanza a través de la música y ser a la vez un elemento motor de la rebelión y de la lucha por un mundo más justo…” (Radio Chango)

 

Tentaremos aos domingos apresentar uma seleção de Músicas/Vídeos/Textos/Filmes/Imagens, em suas variações, relativa aos acontecimentos da vida. Nem sempre, talvez, conseguiremos por causa da luta e do nosso raro acesso à internet.

 

Estamos abertos às contribuições que poderão ser realizadas através de posts e nos comentários. Quem sabe iniciemos um “Guia/Acervo de Músicas, Vídeos, Textos, Filmes e Imagens Indígenas, Culturas Tradicionais e Libertárias”. Sua contribuição é assim mais do que bem-vinda.

 

Aguardamos as suas contribuições e críticas.

 

Awerê !

Encantados e Ancestrais!

 

 

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ASSUNTANDO:

 

EM ÉPOCA DE COPA/FUTEBOL MERCADORIA DISSIMULANDO AS ESTRUTURAS DE PODER NOSSAS HOMENAGENS À:

 

GARRINCHA – O ANJO DE PERNAS TORTAS – E ELZA SOARES

 

“Nasci nu, estou vestido (…)

Só quero um passarinho que fale (…)

não quero mais nada”

Por Casé Angatu

A edição de hoje (15/06/2014) da nossa Rádio Taba Atã pondera que: quando somos contra a copa de futebol não é unicamente porque ocorre no Brasil e por causa de todas as denúncias de irregularidades evidenciadas. Do mesmo modo, não questionamos a suposta alienação apenas dos jogadores de futebol brasileiros e dos envolvidos neste (anti)espetáculo aqui nas terras brasilis como camuflando interesses particulares e dos grupos sociais/econômicos envolvidos.

 

Nosso questionamento é estrutural e diz respeito ao mérito da realização da própria copa de futebol seja ela no Brasil, África, China, Argentina e/ou em qualquer outro país. Questionamos os interesses da empresa privada de nome FIFA, em combinação com diferentes agentes do capital nacional e transnacional (Nike, Coca-Cola etc) e o papel dos governos locais. Interesses que tornam um esporte/arte, de origens populares, um dos produtos mais caros, lucrativos e ideologizados da contemporaneidade.

 

Estruturais também são nossas indagações à dita alienação de quase todos os jogadores, indiferente da seleção que pertencem, com raras exceções. Pensamos que o suposto não envolvimento destes atletas com as questões sociais, políticas e econômicas dissimula interesses políticos, ideológicos e lucros particulares, empresarias e governamentais.

 

Não é a toa que muitos jogadores, dirigentes e diretores de clubes ao “deixarem” o futebol tornam-se empresários e políticos, servindo à manutenção da ordem socioeconômica. Muitos jogadores, convenientemente “esquecendo” suas origens, representam valores que condizem ao grupo socioeconômico que passaram a pertencem como novos ricos. Algo semelhante vem acontecendo com algumas das torcidas organizadas que, no caso de São Paulo, demonstram sua riqueza com abastados desfiles de escola de samba.

 

Acreditamos que o futebol deveria pertencer ao povo, como era e ainda é quando tem: “baba” na praia, “pelada” nas periferias/favelas e os campeonatos de várzea e de futebol amador espalhados por este e outros países. Porém, um dos esportes mais populares já de longa data passa por uma desapropriação. Aos poucos as chamadas “escolinhas de futebol” substituem os “babas, peladas e várzeas”. Esvaziam-se os estádios e lucram os canais de TV, bem como seus patrocinadores. Aliás, porque não fazem uma pesquisa socioeconômica com os torcedores durante as copas?

 

Ponderamos que: por ser tão popular, lucrativo e uma forma de controle social é que o futebol tornou-se um grande investimento do capital transnacional e de diferentes governos. Basta perceber o descaso que sofrem outros esportes que não possuem tais atrativos.

 

Por isto nesta edição da Rádio Taba Atã escolhermos para homenagear Manuel Francisco dos Santos – Mané Garrincha: o Anjo de Pernas Tortas e Alegria do Povo. Elegemos Garrincha porque para nós ele representa um contraponto ao que refletimos acima.

 

Da mesma forma, escolhemos a intensa cantora Elza Soares (76 anos), uma das mais belas vozes da música popular brasileira, para nos narrar algumas histórias do Anjo de Pernas Tortas. Elza não foi apenas companheira de Garrincha. Como o jogador também representou/representa um contraponto ao glamour artístico padronizado, sem deixar de ser uma grande cantante de encantos em seu repertório e voz.

 

O Alegria do Povo – Garrincha – nasceu em Pau Grande, então um pequeno distrito no município de Magé (região metropolitana do Rio de Janeiro), no dia 28 de outubro de 1933 e faleceu com 49 anos no Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1983. Mané Garrincha é considerado por muitos, incluindo por nós desta Rádio, como o melhor jogador de futebol de todos os tempos, mais ilustre “artista da bola” e o mais célebre dos dribladores.

 

O Anjo de Pernas Tortas, pela bibliografia que lemos, filmes/documentários que vimos, vídeos que assistimos e pelo que nos conta Elza Soares, nunca desfez de sua “origem humilde”.* Interessante salientar que, segundo Ruy Castro, um dos biógrafos do jogador, Garrincha tinha descendência indígena, provavelmente Fulni-ô de Alagoas/Pernambuco.

 

As atitudes de Mané Garrincha dentro e fora de campo tornaram-se referência para quem admira o futebol arte e que não obedece às regras, como veremos nos dois textos na sequência. Considerado um dos heróis da conquista das copas de 1958 e 1962 foi taxado como: “jogador problema”, alcoólatra, desregrado, boêmio etc.

 

Da mesma forma, Elza Soares, cantora de grande qualidade tanto em seu repertório como em relação a sua voz, foi e ainda é também apresentada como desregrada. Por causa desta razão, além da linda história de amor entre Garrincha e Elza, é que escolhemos dois textos da cantora para narra algumas de suas vivencias com Garrincha.

 

Entre as narrativas inclui o atentado que sofreram em 1970 – durante a ditadura militar, obrigando os mesmos a fugirem do Brasil. Este atentado e as perseguições que sofreram, somada a não convocação para a seleção de 1970, são fatores que  aumentaram nossa admiração por Garrincha e Elza Soares que fizeram de suas vidas arte no sentido que consideramos libertária. Por isto provocaram e continuam a importunar os padrões morais, políticos e socioculturais existentes dentro e fora do campo.

 

Antes que nos indaguem dizendo que estamos idealizando e fazendo com que Garrincha e Elza Soares sejam o que não foram … salientamos: para nós toda análise envolve posturas que, na nossa compreensão, precisamos assumir como pontos de vista. Portanto, possivelmente, até idealizamos de certo modo Garrincha e Elza em nossa narrativa. Porém, assumimos com clareza nossa interpretação presente mesmo no nome desta Rádio e fizemos de tudo para não falsear. Por isto em nenhum momento escrevemos que Garrincha e Elza eram filiados à uma postura ideológica, apesar de acreditarmos que as vivências de algumas pessoas, como a dos dois e de alguns grupos socioculturais, como nós os Índios, são naturalmente libertárias, não precisando de uma teoria para seguir.

 

Numa época em que nossos jogadores visam acima de tudo enriquecer, bem como seus patrocinadores. Um ano marcado pelas ilusões advindas com a copa do futebol no Brasil. Momentos que ficarão marcados pelas imagens das agressões contra aqueles que ousaram questionar a valia deste (des)espetáculo para o povo brasileiro. Um período no qual jogadores não se posicionam (o que já significa um posicionamento) sobre a vida social e política de seu país, envoltos numa suposta alienação.

 

Numa época como esta … lembrar de Garrincha é recordar de alguém que por suas origens e forma de viver se contrapôs, naturalmente, as imposições da sociedade autoritária. É rememorar o futebol arte e que devemos lutar para sermos livres.

 

Consideramos os dois relatos que seguem de Elza Soares, as músicas e vídeos aqui apresentados na sequência como alentos numa época de desencantos. Por fim, deixamos um pequeno trecho do livro de Ruy Castro descrevendo a infância do Anjo de Pernas Tortas.

 

“Vivia descalço – suas solas dos pés, desde sempre,

eram as de quem andava no mato e nos calçados de pedra.

(…) Garrincha era o nome de um passarinho indomável

que não se acostumava ao cativeiro.

Era uma espécie bem comum na região […]

Garrincha também não se adaptava ao cativeiro.

Até os sete anos, sua vida foi caçar passarinhos,

tomar banho no rio e jogar pelada”

(CASTRO, Ruy. “Estrela solitária: um brasileiro

chamado Garrincha”. SP: Cia das Letras, 1995: p. 27 e 28).

 

Pensamos que tanto a forma criativa/original/inusitada como jogava Garrincha, bem como sua propalada inadequação às regras (alguns chamam de indisciplina) expressava em grande parte sua ancestralidade indígena e o lugar onde foi criado.

 

Disciplinar Anjos de Pernas Tortas é tornar a vida e o futebol uma cela.

 

Nossa homenagens à Garrincha e Elza Soares.

 

* Não iremos aqui citar a bibliografia, filmografia e videografia sobre Garrincha por causa do espaço. Além disso, cada um pode realizar uma boa pesquisa pela própria internet.

 

 

 

Texto I

A Copa que não comemorei: 1970

Por: Elza Soares – Folha de São Paulo – 25/05/2014

 

Além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo.

 

Era 1970, já tínhamos recebido telefonemas e cartas anônimas, nos sentíamos ameaçados e deixamos o país. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta?

 

Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira.

 

Estávamos trancados dentro de um apartamento, e o Garrincha queria sair de qualquer maneira: queria participar da festa, mas ao mesmo tempo estava altamente deprimido. Ele perdeu a casa, teve de deixar o país e não sabíamos como voltar.

 

Enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, o Brasil fazia barbaridades com sua população. O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido.

 

Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; imagine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa.

 

Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava.

 

Era tão grande a minha angústia que eu tinha vontade de invadir a embaixada brasileira em Roma. Mas segurei a onda. Continuamos vivendo num hotel e tivemos grande ajuda de Chico Buarque e Marieta. Eles tinham se exilado na cidade e foram dois amigos de alma.

 

Ali eu tive um bom empresário, trabalhei muito e fui ganhando o dinheiro com o qual pagava todas as contas. Durante um jantar, conheci Ella Fitzgerald, que estava fazendo shows com repertório de bossa nova e teve um problema de saúde. Eu acabei substituindo-a.

 

Mas, quando descobriram que eu estava trabalhando na Itália sem documentação, tivemos de sair de Roma – então fomos para Portugal por um tempo.

 

Um dia, estávamos no Cassino Estoril, perto de Lisboa, e encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi. Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo -mas quem queria camisa da seleção naquela altura?

 

“Obrigado o…, cadê minha casa, cadê minha moradia? Já vesti a camisa do Brasil anteriormente, já dei tudo que eu poderia ter dado ao Brasil”, ele disse.

 

Passados 50 anos do golpe, ninguém jamais tomou nenhuma atitude sobre o que nos aconteceu naquele 1970, e eu continuo brigando pelo Mané, até hoje.

 

Quando eu canto “Meu Guri”, canto com muita força, e essa é uma maneira que eu tenho de cantar uma música do Chico, mas homenageando o Mané. Eles são os dois guris de “my life”.

 

In: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/05/1459050-a-copa-que-nao-comemorei.shtml

 

 

 

Texto II

A minha Copa: Eu e o Mané estávamos apaixonados, conta Elza Soares

Por Elza Soares – Folha de São Paulo – 01/06/2014

 

Assistindo pela TV à chegada dos jogadores na concentração da seleção em Teresópolis, fui transportada no tempo para perto de um homem, a maior estrela da seleção brasileira. Seu nome: Mané Garrincha.

 

Filosofia de vida Mahatma Gandhi “Nasci nu, estou vestido”. Um homem tão simples que nunca se importou com salário, mansões, carrões, patrocínios. Será, Deus, sou tão forte assim? E compartilhei dessa filosofia, que até pode ser a certa, mas não usual na terra do “Brazil” Tio Sam.

 

Em 1962, as coisas não eram bem assim. O futebol era chuteiras e bandeiras, sem dólares e sem euros. Era a pátria.

 

Me vi batizando, sem padre, sem vela, sem água, sem nada, um grupo de craques, jogadores fantásticos que me fizeram compreender o significado do que vem a ser a “alegria de um povo”.

 

Fui contratada por Edmund Clinger, empresário uruguaio, que me levou para cantar e batizar a seleção brasileira. Era um time nos campos e outro nos palcos, Lucho Gatica, Louis Armstrong, entre outros.

 

Já nessa época, além das pernas tortas, eu vi um Mané maltratado pela marcação dos seus adversários em campo, mas que não se rendia às pancadas que tomava no joelho.

 

Pelé saiu contundido e foi substituído pelo Amarildo. Uma cena da qual não me esqueço, o simples Mané se agigantou de uma tal forma quando recebeu uma cuspidela no rosto de outro jogador, pela primeira vez revidou e acabou sendo expulso. Ao ser expulso ainda levou uma pedrada na cabeça arremessada por um torcedor. Por força maior e comoção popular ele voltou aos gramados com a cabeça enfaixada. Quem viu, viu! Quem não viu, jamais verá coisa igual.

 

Esse homem que nunca soube da sua grandeza. Enquanto no final da Copa ganha Carlos Lacerda presenteava os jogadores com o que eles bem desejassem, volta o Mané com a filosofia Mahatma Gandhi: “meu governador, só quero um passarinho que fale. Já me contenta, não quero mais nada” e completou, “já tenho minha crioula.”

 

Quem não se lembra de um cãozinho que fez o Garrincha andar de cócoras em campo até agarrá-lo. Dias depois, o recebemos em casa como presente. O bairro da Urca parou para receber o ilustríssimo mascote “Bi”, nome que recebera em homenagem ao bicampeonato da seleção.

 

Estávamos totalmente apaixonados em todos os sentidos. A bola estava para o Mané, assim como a música ainda hoje está para mim.

 

Brincávamos nesse dueto. Relembrando sua música preferida “Eu sofri demais quando partiste / Passei tantas horas triste / Que nem quero lembrar esse dia /Mas de uma coisa podes ter certeza / O teu lugar aqui na minha mesa / Tua cadeira ainda está vazia”. Na verdade, acho que todo o Brasil lamenta a sua cadeira vazia.

 

In: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/06/1463216-a-minha-copa-eu-e-o-mane-estavamos-apaixonados-conta-elza-soares.shtml

 

 

 

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SELEÇÃO MUSICAL: 15/06/2014

(Click no link e/ou copie os endereços para ouvir as músicas e ver os vídeos)

Para refletir e, as vezes, alegrar, sem perder a força da luta, e tornar nossa caminhada um pouco mais leve, ainda lembrando dos Povos Indígenas localizados em outras nações, deixamos na sequência sete indicações, com variações, de músicas, texto e vídeo advindas desta latinoamerica e do norteamerica.

 

– CANÇÃO 1 – (VÍDEO/ENTREVISTA) – “TRECHO DA ENTREVISTA COM MANÉ GARRINCHA” (VOZ POPULI – TV CULTURA)

 

 

– CANÇÃO 2 – “MEU GURI” (MÚSICA DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA – CANTA: ELZA SOARES) – VERSÃO À CAPELA

 

 

– CANÇÃO 3: “BALADA N. 7 – Mané  Garrincha” (MÚSICA DE MOACYR FRANCO – CANTA: MOACYR FRANCO)

 

 

– CANÇÃO 4: “GARRINCHA” (MÚSICA DE ANTONO NÓBREGA E WILSON FREIRE – CANTA: ANTONIO NÓBREGA – ENCENA: BRINCANTE)

 


– CANÇÃO 5: “VÍDEO: HOMENAGEM A GARRINCHA” (MÚSICA E CANTA: ALFREDO ZITARROSA)

 

 

– CANÇÃO 6: “UMBABARAUMA – HOMEM GOL” (MÚSICA DE JORGE BEM JOR – CANTA: JORGE BEM JOR E MANO BROWN)


 

 

CANÇÃO 7: “BAMBINO” (MÚSICA DE ERNESTO NAZARETH E LETRA DE JOSÉ MIGUEL WISNIK – CANTA ELZA SOARES)

 

 

 

– CANÇÃO 8: “MEU GURI” (MÚSICA DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA – CANTA: ELZA SOARES)

 

 

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LETRAS COM MAIS DETALHES SOBRE AS MÚSICAS:

– CANÇÃO 1 – (VÍDEO/ENTREVISTA) – “TRECHO DA ENTREVISTA COM MANÉ GARRINCHA” (VOZ POPULI – TV CULTURA)http://www.youtube.com/watch?v=7QyJSINfLSc.

Veja a Entrevista

 

 

– CANÇÃO 2 – “MEU GURI” (MÚSICA DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA – CANTA: ELZA SOARES) – VERSÃO À CAPELAhttp://www.youtube.com/watch?v=K-sepKbQv_k.

“Quando, seu moço
Nasceu meu rebento
Não era o momento
Dele rebentar
Já foi nascendo
Com cara de fome
E eu não tinha nem nome
Prá lhe dar
Como fui levando
Não sei lhe explicar
Fui assim levando
Ele a me levar
E na sua meninice
Ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí! Olha aí!

Olha aí!
É o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega suado
E veloz do batente
Traz sempre um presente
Prá me encabular
Tanta corrente de ouro
Seu moço!
Que haja pescoço
Prá enfiar
Me trouxe uma bolsa
Já com tudo dentro
Chave, caderneta
Terço e patuá
Um lenço e uma penca
De documentos
Prá finalmente
Eu me identificar
Olha aí!

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega no morro
Com carregamento
Pulseira, cimento
Relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar
Cá no alto
Essa onda de assaltos
Tá um horror
Eu consolo ele
Ele me consola
Boto ele no colo
Prá ele me ninar
De repente acordo
Olho pro lado
E o danado já foi trabalhar
Olha aí!

Olha aí!
É o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega estampado
Manchete, retrato
Com venda nos olhos
Legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente
Seu moço!
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato
Acho que tá rindo
Acho que tá lindo
De papo pro ar
Desde o começo eu não disse
Seu moço!
Ele disse que chegava lá
Olha aí! Olha aí!

Olha aí!
É o meu guri, olha aí
Olha aí!
É o meu guri!…”

 

– CANÇÃO 3: “BALADA N. 7 – Mané  Garrincha” (MÚSICA DE MOACYR FRANCO – CANTA: MOACYR FRANCO)http://www.youtube.com/watch?v=_ngumRLVeEQ.

“Sua ilusão entra em campo no estádio vazio,
Uma torcida de sonhos aplaude talvez,
O velho atleta recorda as jogadas felizes,
Mata a saudade no peito driblando a emoção.

Hoje outros craques repetem as suas jogadas,
Ainda na rede balança seu último gol,
Mas pela vida impedido parou,
E para sempre o jogo acabou,
Suas pernas cansadas correram pro nada,
E o time do tempo ganhou.

Cadê você, cadê você, você passou,
O que era doce, o que não era se acabou,
Cadê você, cadê você, você passou,
No vídeo tape do sonho, a história gravou.

Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado,
Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado,
No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração,
Que as jornadas da vida, são bolas de sonho.
Que o craque do tempo chutou.

Cadê você, cadê você, você passou,
O que era doce, o que não era se acabou,
Cadê você, cadê você, você passou,
No vídeo tape do sonho, a história gravou.”

 

 

– CANÇÃO 4: “GARRINCHA” (MÚSICA DE ANTONO NÓBREGA E WILSON FREIRE – CANTA: ANTONIO NÓBREGA – ENCENA: BRINCANTE)http://www.youtube.com/watch?v=dZvyHqW0l2Q.

“Fogo na Galera
Delira Aplaudir
Um Anjo Torto
Barroco a Sorrir Bis
Garrincha no Nome
Nas Pernas Garruchas
No Chute um Morteiro
Um Canhão de Buchas

Um Deus nos Estádios
Abrindo as Retrancas
Um Desengonçado
Que Redes Balança
Mandinga, Catimba,
A Lógica, a Tática.
De Nada Valiam Para as Pernas Mágicas

Mais um Gol de Letra,
De Placa, Um Golaço.
A Bola o Adora
E Corre pro Abraço
Malasartes do Jogo
Driblando zagueiros
Um Bobo pra Corte,
Um Heroi Brasileiro

Sem Maracanã
Sem Drible na Área
Na Noite sem Grito
Estrela Solitária
Partiu, Foi Morar.
Na constelação
Deixou Pátria Órfã
Sem Circo a Nação”

 

 

– CANÇÃO 5: “VÍDEO: HOMENAGEM A GARRINCHA” (MÚSICA E CANTA: ALFREDO ZITARROSA)http://www.youtube.com/watch?v=B48AruPfEtA.

Alfredo Zitarrosa (Montevidéu10 de março de 1936 — Montevidéu, 17 de janeiro de 1989) foi um cantorcompositorpoeta,escritor e jornalista uruguaio. É considerado uma das maiores figuras da música popular de seu país e de toda a América Latina. (…)Aderiu ao Frente Amplio (coligação de partidos da esquerda uruguaia), o que lhe levou ao exílio durante os anos da ditadura militar. Suas canções foram proibidas na Argentina, Chile e Uruguai durante os regimes ditatoriais que governaram esses países. Viveu depois, sucessivamente, em ArgentinaEspanha e México, a partir de9 de Fevereiro de 1976. Revogada a proibição de sua música, como de tantos outros artistas na Argentina após a Guerra das Malvinas, instala-se novamente em Buenos Aires, onde realizou três apresentações consideradas memoráveis no Estádio Obras Sanitarias, em 1983. Quase um ano depois, regressou ao seu país, onde teve uma grande recepção no histórico 31 de Março de 1984, descrito por ele como “la experiencia más importante de mi vida” (“a experiência mais importante da minha vida”). In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfredo_Zitarrosa

 

 

– CANÇÃO 6: “UMBABARAUMA – HOMEM GOL” (MÚSICA DE JORGE BEM JOR – CANTA: JORGE BEM JOR E MANO BROWN)

hhttp://www.youtube.com/watch?v=M4pHkiDL63M

“Umbabarauma, ponta de lança africano

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Joga bola, joga bola

Jogador

Joga bola, joga bola

Corocondô

Pula, cai, levanta,mete gol, vibra

Abre espaço, chuta e agradece

Olha que a cidade

Toda ficou vazia

Nessa tarde de domingo

Só para lhe vê joga

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Joga bola, jogador

joga bola, corocondô

Joga bola, jogador

joga bola, corocondô

Rere, rere, rere jogador

Rere, rere, rere corocondô

Rere, rere, rere jogador

Rere, rere, rere corocondô

Tererê, tererê, tererê, tererê

Tererê homem gol

Tererê, tererê, tererê, tererê

Tererê homem gol

Umbabarauma quero vê você joga

Umbabarauma quero vê você marca

Umbabarauma quero vê você joga

Umbabarauma quero vê você marca

Arê rê, arê rê, arê rê, Babá

Arê rê, arê rê, arê rê, Babá

Arê rê, arê rê, arê rê, Babá

Arê rê, arê rê, arê rê, Babá

Ponta de lança africano, que vê

quero vê a rede balançar

A galera quer sorrir, a galera que cantar

A galera tá feliz ela quer comemorar

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

[Mano Brown]

Era eu, era meu mano

Era meu mano, mais eu

Pobre e louco no bangue

Como bom Deus deu

E de mangue a mangue

Pra junta 10 conto

Torto e tonto de fome

Foi sempre assim!

Nada mais que um jogo

Eu sei, eu sei sim

Aqui Morumbi, a fé é que me move

Meu camisa 9, treino bem vai joga

Salvador da final salve nosso natal

Que a vida em si, tal uma merda

Só pro milagre

Um leão com cabeça de bagre

Sobre o assédio do crime

Sem gosta de ninguém

Me time é quem me inspira

por falta de alguém

Onde como ele estiver

Tente se puder

Corajoso no domingo, chuvoso a pé

Só que é, é rato de estádio

sabia no rádio já dizia

“Estamo em minoria!”

Quem achou? Quem diria?

Sonhei com este dia

São quase 10 anos sem gritar, campeão

São Paulo tá vazio 100 mil Morumbi

Olípico adversário acorde vai se Tri

Atenção Brasil, atenção

Que a bola vem quase sem pretensão

Aos 27 o silêncio que antecede a explosão

Criolo rei tem a sorte, vida e morte no clássico sim

Momento mágico pra mim sofrendo

Passo curto pelo meio, vem pela intermediaria

que alcança o meio esquerdo vai a linha de fundo

a bola, bate rasteira cruza a pequena área aos péis

pro nosso herói o sentido de tudo!

[Narração]

É Gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol

Umbabarauma homem-gol”

 

 

– CANÇÃO 7: “BAMBINO” (MÚSICA DE ERNESTO NAZARETH E LETRA DE JOSÉ MIGUEL WISNIK – CANTA ELZA SOARES)http://www.youtube.com/watch?v=qcmaf2nlJH8.

“E se o ferro ferir

E se a dor perfumar

Um pé de manacá

Que eu sei existir

Em algum lugar

E se eu te machucar

Sem querer atingir

E também magoar

O seio mais lindo que há

E se a brisa soprar

E se ventar a favor

E se o fogo pegar

Quem vai se queimar

De gozo e de dor

E se for pra chorar

E se for ou não for

Vou contigo dançar

E sempre te amar amor

E se o mundo cair

E se o céu despencar

Se rolar vendaval

Temporal carnaval

E se as águas correrem

Pro bem e pro mal

Quando o sol ressurgir

Quando o dia raiar

É menino e menina

Bambino, bambina

Pra quem tem que dar

No final do final

E se a noite pedir

E se a chama apagar

E se tudo dormir

O escuro cobrir

Ninguém mais ficar

Se for pra chorar

E uma rosa se abrir

Pirilampo luzir

Brilhar e sumir no ar

Se tudo falir

O mar acabar

E se eu nunca pagar

O quanto pedi

Pra você me dar

E se a sorte sorrir

O infinito deixar

Vou seguindo seguir

E quero teus lábios beijar”

 

 

– CANÇÃO 8: “MEU GURI” (MÚSICA DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA – CANTA: ELZA SOARES)http://www.youtube.com/watch?v=U-IGJlgLaks.

“Quando, seu moço
Nasceu meu rebento
Não era o momento
Dele rebentar
Já foi nascendo
Com cara de fome
E eu não tinha nem nome
Prá lhe dar
Como fui levando
Não sei lhe explicar
Fui assim levando
Ele a me levar
E na sua meninice
Ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí! Olha aí!

Olha aí!
É o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega suado
E veloz do batente
Traz sempre um presente
Prá me encabular
Tanta corrente de ouro
Seu moço!
Que haja pescoço
Prá enfiar
Me trouxe uma bolsa
Já com tudo dentro
Chave, caderneta
Terço e patuá
Um lenço e uma penca
De documentos
Prá finalmente
Eu me identificar
Olha aí!

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega no morro
Com carregamento
Pulseira, cimento
Relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar
Cá no alto
Essa onda de assaltos
Tá um horror
Eu consolo ele
Ele me consola
Boto ele no colo
Prá ele me ninar
De repente acordo
Olho pro lado
E o danado já foi trabalhar
Olha aí!

Olha aí!
É o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega estampado
Manchete, retrato
Com venda nos olhos
Legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente
Seu moço!
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato
Acho que tá rindo
Acho que tá lindo
De papo pro ar
Desde o começo eu não disse
Seu moço!
Ele disse que chegava lá
Olha aí! Olha aí!

Olha aí!
É o meu guri, olha aí
Olha aí!
É o meu guri!…”

 

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