A ampliação da rodovia 156 entre Dourados e Itaporã, que passa pelas aldeias Jaguapiru e Bororó, causa preocupação aos moradores instalados na margem da rodovia. Os indígenas estão sendo desrespeitados pela atual situação em que estão vivendo em suas áreas. Um morador relatou que está correndo risco de perder um pedaço de seu terreno, onde mora há mais de 10 anos. Um dos questionamentos dos moradores é: quem vai pagar por todo essa perda?

Há muitas pessoas que moram bem perto do acostamento da BR. Muitas dessa famílias não têm condições financeiras para comprar materiais de construção e muito menos para comprar terreno. “Moro aqui há muito tempo. Demorei mais de cinco anos para fazer a minha casa, agora estou correndo o risco de perder parte do meu terreno. Além disso, tenho medo da minha casa desabar, pois passa muito caminhão pesado aqui nessa rodovia. Com a duplicação o risco é maior ainda porque vai aumentar muito o trânsito de caminhões com carga pesada”, afirma um índio que mora na margem da rodovia.

São aproximadamente 15 famílias que residem perto do acostamento da rodovia por muitos anos, alguns estão ali desde que a Reserva foi demarcada pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio), em 1917. Possivelmente terão que deixar o local , onde constituíram sua família, onde construíram uma história de vida.

O fato de não considerar os direitos dos indígenas é muito evidente neste caso. Segundo os moradores, nenhum representante do Governo foi capaz de ir até aos moradores explicar a situação, ou que direitos eles têm. As marcações já estão sendo feitas e as máquinas em breve estão chegando no local.

“Para nós indígenas, essa situação é desagradante e desrespeitosa para os moradores que estão naquele lugar. Estão visando apenas uma melhoria do tráfico entre as cidades”, desabafa outro morador.

A AJI vai procurar representantes do Governo para que exponham seu lado e vai exigir uma explicação aos moradores da Reserva Indígena de Dourados. Afinal, somos cidadãos como qualquer outro.

Por Nilson Morales – Terena

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3 COMENTÁRIOS

  1. Nilson:

    Parabens pela tua exelente materia.
    Voce fez uma trabalho jornalistico professional e de muito coragem!

    Antes de fazer nada que possa atingir os indigenas, eles devem ser consultados mas lamentavelmente dessa vez, como de muitas outras não foram!

    É outra vez o “progresso -DA MORTE” sendo imposto!

    Espero que consigam paralizar a obra ou conseguir as indemizações que voces considerem correspondentes!

    Força!

  2. Olá,Bom sou indigena da aldeia de Dourados,e conheço a aji,conheço o Nilson..
    Bom existe dois lados da história.Primeiro prarabenizo a Aji na pessoa do Nilson pela coragem de expor sua opnião e ajudar os indígenas que moram as margens da rodovia em questão.Bom primeiro acho sim que alguém devera assumir a conta pela perda dessas pessoa sim,pois como o Nilson mesmo disse eles(nós) somos cidadões como outro qualquer e merecemos respeito.Mais Nilson,ficaremos de novo sem benefício?Paralizaremos de novo um bem que não sendo egoísta mais,que mais que 15 famílias beneficiará mais de 15 mil indigenas da aldeia?Acho que deveremos pensar juntos,pois isso não fara falta para o governo,e sim pra nós,vc como acadêmico e que ultiliza essa mesma rodovia sabe da importancia da iluminação,e da ampliação,pois isso signigfica “SEGURANÇA’,uma coisa que estamos precisando mais do que nunca,devemos pensar num todo,e não paralizar a obra,e sim arrumar uma solução,pra essas pessoa sem prejudicar todos.Por isso também devemos pensar no que colocamos,pois uma palavra dita não volta mais,mesma coisa das vidas de muitas vidas,indígenas ou não que se perderam nessa rodovia.Obrigado.

  3. Deste 1960 está Rodovia foi imprementada nas aldeias de
    Dourados ,muitos irmãos índios foram brutalmente mortos na Rodovia por acidentes, pelo que eu sei nenhum dos que foram mortos nesta Rodovia diveram Justiça a favor deles. É até hoje está assim, é com a duplicação ainda vai continuar, ainda não estou convencido de que existe beneficio para toda a comunidade. O que temos que pensar é que depois de haver feito a duplicação não a como voltar atrás, é para sempre..poriso é necessario que toda a comunidade participe deste processo de construção outra coisa, ,este projeto de Duplicação não foi consultada por toda a comunidade conforme a convenção 169 da(OIT)garante aos povos Indigenas.agora que a Secretaria de Obra do Estado foi convidado a ouvir a comunidade,apedito do Ministerio Publico Federal.agora cabe a comunidade decidirem o que é melhor para povo…..

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