Que a Justiça do homem seja feita, pois a de Deus será feita com certeza.

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Não posso deixar de mensurar o esquecimento de uma grande parte da sociedade de alguns fatos, como por exemplo, a mídia que tem como dever de divulgar diversos acontecimentos embora também muitas vezes ela própria caia e se deixa levar pelo esquecimento, mais os povos indígenas já mais se esqueceram dos seus troncos. Por esse motivo venho por meio deste relembrar o assassinato do parente Marcos Verón do Povo Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul. Mais nós como lutador por meio da net, vamos usar essa “arma” para relembrar o caso e de muitos que ainda estão impunes, e vamos continua as cobranças de solução dos casos. Sabemos que muitas vezes os bandidos na cadeia não vão trazer a vida dos parentes de volta, mais vai trazer mais dignidade para esse povo e para todos nós indígenas a esperança de que a Justiça do homem ainda existe, pois a de Deus não temos dúvida que ela nunca falha.

No dia 13 de janeiro de 2003 na Fazenda Brasília do Sul, município de Juti, interior do MS, área reivindicada como Tekoha Takwara por Verón e sua comunidade.

Por dois dias seguidos, a comunidade de Verón foi atacada e agredida por cerca de 30 a 40 homens armados. No dia 12, um veículo dos indígenas com duas mulheres, um rapaz de 14 anos e três crianças de 6, 7 e 11 anos foi perseguido por 8 km, sob tiros. Na madrugada do dia 13, os agressores atacaram o acampamento. Sete índios foram sequestrados, amarrados na carroceria de uma camionete e levados para local distante da fazenda, onde passaram por sessão de tortura. Durante a agressão, um dos filhos de Verón, Ládio, quase foi queimado vivo. A filha dele, Geisabel, grávida de sete meses, foi arrastada pelos cabelos e espancada. Á época do crime, Verón que tinha 73 anos, foi agredido com socos, pontapés e coronhadas de espingarda na cabeça. Ele morreu vítima de traumatismo craniano.

Três seguranças respondem pelo crime que na verdade não são seguranças e sim bandidos da pior espécie que existe na face da terra, são eles: Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde. Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e meio cruel, tortura, seis tentativas qualificadas de homicídio, seis crimes de seqüestro, fraude processual e formação de quadrilha. Outras 24 pessoas também foram denunciadas por envolvimento no crime, esperamos que esses bandidos sejam todos presos e que tenham prisão perpetua, sei que em nosso país não tem essa possibilidade por incompetência dos nosso políticos, mais que pelo menos esse bandidos peguem 100 anos de prisão máxima.

Pois os parentes Guarani Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, estão se mobilizando para acompanhar o julgamento dos acusados pelo assassinato do cacique Marcos Verón, que começará na próxima segunda-feira, 21 de fevereiro, em São Paulo.

Pelo fato do júri já ter adiado por duas vezes, graças ao espírito de Justiça e bom senso dos promotores o Julgamento foi transferido do MS para SP a pedido do Ministério Público Federal (MPF) com o objetivo de garantir a imparcialidade dos jurados e evitar que a decisão sofra influência social e econômica dos envolvidos no crime, uma vez que temos claro que neste país só é para quem tem dinheiro, mais desta vez se Deus quiser esperamos que esta questão de “quem manda” é apenas quem tem dinheiro, caia por terra.

Neste julgamento, que acontecerá no Fórum Jarbas Nobre, na capital de São Paulo, pois considero um feito histórico, uma vez que o índice de influencia dos políticos, fazendeiros e latifundiários diminui na pressão aos júris. Eu espero que todos os casos de violência contra o nossos povos indígenas cometidos em pequenas cidades sejam julgados os casos em grandes cidades como exemplo esse caso que vai ser julgado aqui em São Paulo. Esperamos que os procuradores da República Marco Antônio Delfino de Almeida, de Dourados, Rodrigo de Grandis e Marta Pinheiro de Oliveira Sena, de São Paulo, além do procurador regional da República Luiz Carlos dos Santos Gonçalves coloquem todos os acusados a cumprir no mínimo 100 anos de cadeia. Fico triste e ressalto mais uma vez que não vai trazer a vida do parente de volta, mais fico feliz ao saber que esses vagabundos vão ficar presos, pois é o que todos nos indígenas esperamos e se Deus quiser isso vai acontecer na segunda-feira dia 21 de Fevereiro.

Edcarlos (Carlinhos – Pankararu)           –           São Paulo           -          SP

edpankararu@hotmail.com

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3 comentários

  1. Sabe EdCarlos quando passamos ou , quando a gente ver um parente sofrendo, sendo maltrado, humilhado, e até morto por pessoas dessa qualidade, me doe profundamente, mas meu parente nós colhemos aqui nessa vida o que plantamos, se plantar amor, respeito , solidariedade, irá colher, mas também se plantar discordia,desunião,sofrimento não será diferente! A JUSTIÇA DE DEUS NÃO FALHA, E A DO HOMEM TAMBÉM PASSE A FAZER VALER!

    Parabéns meu parente, vc consegue transmiti com suas palavras o desejo de justiça e nos faz refliti!

  2. Realmente Parente, o nosso povo morre como os animais da Floresta, somos disreipetado em nosso espaço, as nossa leis não é respeitada, não temos direito de ser quem somo, pois somos subjugados. Aqui na minha aldeia já morreram 19 lideranças, e até hoje nenhum bandido foram preso. Os bandidos que mataram o nosso parente Galdino já se encontram soltos e disfrutando até de empregos publicos. Somos minorias e não somos visto pelos as “Autoridades”.
    Rumo a luta a Justiça Verdadeira vem de Tupã!

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