Representantes da FUNAI

Nesta terça-feira, 14 de setembro de 2010, sete funcionários da FUNAI Brasília foram feitos reféns pelo povo Potiguara.

Os funcionários da FUNAI, que vieram realizar um seminário com as lideranças Potiguara do estado da Paraíba,  foram presos com o intuito de mostrar a nossa indignação perante o órgão oficial (FUNAI) e o descaso ao qual fomos submetidos após a dita reestruturação da mesma.

Foi uma das formas encontradas para que pudéssemos fazer com que nossas vozes fossem ouvidas em Brasília e que a nossa situação fosse revista, e que o presidente o senhor Márcio Meira buscasse meios de tentar resolvê-la.

Após a extinção de nossa Administração em João Pessoa e automaticamente ficarmos subordinados a Coordenação da FUNAI no Ceará sofremos a cada dia com a falta de atendimento mínimo ao nosso povo.

Imagem de Amostra do You Tube

Nos sentimos enganados quando o então presidente da FUNAI, rasgava elogios a nossa administração colocando até como referência para o país pelo controle social realizado aqui, e depois fechá-la sem nenhum respeito e reconhecimento ao nosso trabalho, como também o fez com tantas outras regiões do Brasil.

Reivindicamos que nossa autonomia administrativa volte e que possamos continuar fazendo o melhor para o nosso povo. A situação tem que melhorar pois só quem tem a perder, somos nós, povos indígenas.

Não queremos ser tachados de sequestradores pois essa atitude extrema só foi tomada porque estamos cansados de ter promessas não cumpridas.


Queremos ação!

Presidente Márcio, venha visitar nossas aldeias e ver como estamos (sobre)vivendo.

Os funcionários retidos não estão sofrendo maus tratos, pelo contrário, eles estão conscientes do caos em que nos encontramos e não desaprovam nossa atitude. Eles estão colaborando na medida do possível com a nossa luta,  e só serão liberados quando tivermos os resultados esperados por todos.

Equipe:

PORAN POTIGUARA

tanipotiguara@gmail.com

IREMBÉ POTIGUARA

irembe@indiosonline.org.br

BRUNO POTIGUARA

brunopoty@yahoo.com.br

RAISSA POTIGUARA

ybotyrapotiguara@gmail.com

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Irembé Potiguara Pedagoga e acadêmica do curso de Direito na UFPB, professora de Tupi Antigo... Militante indígena... Nossa voz nunca será silenciada!!!!

9 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente ainda é preciso que os povos indígenas ajam desta maneira para tentar buscar oque lhes é de direito. Respeito ,e consciência é o que parece ainda faltar para muitas pessoas e autoridades que ainda teimam em não enxergar a realidade indígena deste país, as vezes se faz necessário se colocar no lugar dos outros para sentir as dificuldades a que estão submetidos. Irembé , Poran , Raissa e amigos, o diálogo , sem perder o foco do problema , ainda e sempre será a melhor solução do problema , torço por vcs e sei que darão uma virada nisto . A Organização do povo Potiguara mostra isso no dia a dia , porisso estão aí no mesmo lugar a anos !!! Um abraço !!!

  2. lEGAL! ASSIM MESMO PARENTE! foi pouco se todos os indigena feizessem isso , seria uma grande luta. Mas tudo bem! Vcs fizeram sua parte!

  3. Sou membro da Associação Missão Tremembé-AMIT, no Ceará, desde 1986.
    Não tenho nada contra a ação que vocês estão realizando. Acho até que é muito justa pois, se não estão gozando dos direitos legais, o certo é buscá-los.
    Mas é uma ótima oportunidade de dizer que tem algo errado nesse serviço da FUNAI porque, no tempo em que os Povos Indigenas aqui – são dezesste etnias e nesses anos todos (desde 1978) somente um Povo tem sua terra regularizada – eram articulados através da AER João Pessoa-Pb, e isso aconteceu durante vários anos. Era uma situação muito desigual. Não vou entrar nos detalhes porque as lideranças locais nunca reagiram mas era dificil demais, em vários aspectos,
    inclusive nas necessidades básicas. Se mudou de lugar a administração, e agora vocês que acham ruim, por um lado é muito interessante porque daqui, do lado de cá, era péssimo, até injusto com os inúmeros Povos, todos esses anos.
    Espero que nunca mais os Povos no Ceará enfrentem as desigualdades que aqui
    aconteceram. E estou de inteiro acordo que nenhum outro Povo ou Povos, tenham que enfrentar as dificuldades, as injustiças, as ausências de tudo a que têm direito.

  4. Sem dúvida alguma as dificuldades dos povos indígenas cearenses podem ser esquecidas, sabemos como é difícil a situação, tanto que nossas lideranças sempre apoiaram a criação de uma administração nesse estado pelo quantitativo de povos existente e as demandas que eram e ainda são muitas. O que questionamos é a maneira como isto aconteceu, extinguir uma administração dita referência para as demais no país e nos submeter a mesma situação vivenciada a tempos pelos parentes indígenas cearenses não é a melhor solução.
    Reivindicamos a nossa autonomia administrativa pelo fato de que precisamos continuar com o trabalho desenvolvido a anos buscando melhorias para nossas comunidades. Não nos sentimos confortáveis em estar subordinados a administração do Ceará e a nenhuma outra porque não conseguimos fazer o trabalho que queremos, ficando literalmente de mãos atadas. Não desejamos isso a ninguém. E a desculpa da FUNAI de dizer que não podem atender essa demanda ou aquela outra devido a reestruturação ainda estar se concretizando não nos convence pois não concordamos com a maneira como ela está sendo executada.
    Colocando acima de tudo índios contra índios, um joguinho sujo e muito bem planejado pelo Estado, usando a CNPI como bode expiatório como se estivesse conivente e ciente de tudo que estava sendo planejado. Mas sabemos que somos fortes, guerreiros e organizados… Conseguiremos alcançar nossos objetivos em prol de um bem comum para todos os povos indígenas brasileiros!

  5. Desde 1992 desenvolvemos atividades junto aos Potiguara na Paraíba. As dificuldades sempre fizeram parte do processo. Foram vitoriosos ao conseguirem uma Unidade Administrativa independente. Agora vemos a reestruturação da Funai, necessária, sim, mas impactante. Novamente, os Potiguara se vêem dependentes administrativamente e financeiramente de Outro Estado da Federação. Algum tempo decorrerá até que todos estejam sintonizados diante da nova realidade. As dificuldades burocráticas fluem e inquietam. A perplexidade permeia mas a esperança está presente em todos nós.

  6. Seria bom que os ditos “civilizados” aqui nas cidades tivessem essa atitude para lutar pelos seus direitos,mas ainda estão muito longe de ter essa raça de seus ascestrais indígenas. Como todos sabem,muitas pessoas erradas ocupam cargos e lugares que deveriam ser ocupados pelas pessoas que passam o problema.
    Esses “faraós” que estão no poder,são um bando de falsos hipocritas e não estão nem ai para ninguém,sempre serão simpáticos e saberão falar bonito,pois é assim que a serpente ataca,mas na prática só estão interessados em satisfazer suas próprias necessidades,comprar seus carros importados,viagens etc..,enquanto milhares de indíos sofrem o descaso,a umilhação,violência,invasões,estupros,toda espécie de preconceitos,corrupção e tantas outras formas de violência,acho que todas as líderanças de todos os orgãos indigenas deveriam ser administrados por indíos ou por indicação dos mesmos,pois esse bando de abutres que estão no poder apenas querem sugar as riquezas que vêm atravez da política indigena.
    Avante guerreiros,isso mesmo,lutem pelos seus direitos,que moral eles têm para recrimina-los,eles são os primeiros a desrrespeitar a lei em nome prório,temos que acabar com essa lama de corrupção onde poucos decidem sobre o futuro de muitos.

  7. Os índios sempre são apoiados pela sociedade, que quer deixá-los fazer o que querem e ainda aplaude. Não podemos apoiar atos criminosos só porque eles são índios! Isso é fazer com que eles se afastem ainda mais de uma sociedade democrática.

  8. Caro colombo, muito pelo contrário o que vc diz,pois a sociedade nunca apoia os índios, além da imensa discriminação que sofrem.Atos criminosos são dos fazendeiros e afins que invadem as terras indigenas com pistoleiros,colocando fogo em suas ocas,estuprando suas mulheres etc..
    Aconselho-te a conhecer um pouco mais do índio na visão do próprio índio.Se a sociedade os apoia-se como vc mesmo mencionou,não estariam passando a miséria que passam a maioria,bas ta vc fazer visitas em diversas tribos para verificar o quadro de descaso,violência e corrupção.
    Abraços.

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