Fiquei muito confuso vivendo no Nordeste, sendo discriminado pelas pessoas inconscientes, de outros lugares, das cidades, porque não tínhamos características do índio primitivo vivendo em malocas.

Apesar das mudanças culturais inevitáveis do progresso, resisti pensando como índio vivendo na tribo e viajando algumas vezes para acompanhar as mudanças do mundo lá fora, e atualizandome na nova realidade.

Quando eu estava longe da tribo, lembrava das pescaria no rio, das crianças andando no pátio da aldeia. Via, na saudade, os bandos de patos selvagens voando no céu. Quando pensava na mata ouvia os cantos dos pássaros. As noites de inverno eram uma escuridão total. O Sol nascendo na colina em uma manhã radiante, o entardecer em cores douradas das nuvens do horizonte. Não ouvia as conversas ao redor das fogueiras, onde aprendi muito com os mais velhos. Em dias de festas na aldeia todos nós se mobilizava para dançar o toré, era uma alegria geral. Nos trabalhos de mutirão, lembrava das roças, da construção das casas de taipa com ajuda de todos. Por sua grandiosidade de detalhes não poderia definir tantas coisas da tribo. Para cada pessoa nesta situação os fatos se apresentam de modo diferente, porque ninguém é igual a ninguem. Somos diferentes, nossa igualdade estar em ser-mos humanos.

Nhenety Kariri-Xocó.

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