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Por: Casé de Olivença (Território Indígena Tupinambá)

Os Povos Indígenas estão sim “rebelados”, mas não pelas razões apontadas pelo conservador, ruralista e anti-índio Dep. Abelardo Lupion (DEM-PR) em entrevista que segue no link anexo. A fala deste ruralista só assinala como o estado brasileiro, suas elites e, por vezes, sua (in)justiça tratam os Povos Indígenas: empecilhos e inimigos ao suposto desenvolvimento capitalista nacional, do setor agropecuário, explorador dos recursos naturais, do estado e de suas leis que protegem tais interesses.

 

Quando o presidente da câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pede respeito a democracia durante a ocupação Indígena ele esquece dos 513 anos de desrespeitos aos Povos Originários, das mortes e atentados que ainda continuando ocorrendo. Essa democracia deles não queremos porque já sabemos seus resultados: séculos de invasões dos territórios Indígenas e massacres.

 

No vídeo anexo a este texto é interessante observa como muitos deputados fogem de medo quando da entrada dos Índios. O temor deles demonstra o quanto sabem do mal que estão fazendo aos Povos Originários. A PEC 215 (que transfere para o Congresso a decisão final sobre a demarcação de terras indígenas), a Portaria 303 da Advocacia Geral da União-AGU (criando um estado de exceção nos territórios Indígenas deixando todas as comunidades com uma espada sobre suas cabeças) e o novo (velho) Código Florestal são ações que colocam o estado e sua (in)justiça como aliadas às elites e inimigas dos Povos Indígenas.

 

Tais mediadas consistem uma declaração de guerra contra os Povos Originários. Assim, a revolta/resistência Indígena (também históricas) tem suas raízes profundas. O que ocorreu ontem não foi uma invasão, como alguns deputados e setores da imprensa assinalaram: foi uma ocupação Indígena legitima. Uma ocupação que demonstra o quanto os Povos Indígenas brasileiros resistem as agressões do estado, sua (in)justiça e das elites nacionais.

 

COM MUITO ORGULHO DOS PARENTES QUE ESTAVAM LÁ ONTEM (16/04) CANTO COM TODA FORÇA:

“Jasy îandé Jasy

Mba-e pé moindy îandé taba

Tupã our tym

Isapé îandé taba

Ixé asô Xe sy Jacy

To-uri pitibõ

Ixé asó Xe uby Tupã

Pé îandé taba by

 

Ama mba’é Taba Ama

Supy Atã Tupã

Ama mba’é Taba Ama

Amaé Tupã Piain Ndêtã

Ama mba’é Taba Ama

Ama Paui Betã

Ama mba’é Taba Ama”

 

(Jacy é nossa lua

Que clareia nossa aldeia

Tupã venha arramiar

Iluminar nossa aldeia

Eu vou pedir a

minha mãe Jacy

Que ela venha a nos ajudar

Eu vou pedir a meu pai Tupã

Para nossa aldeia se levantar.

 

Levanta essa aldeia levanta

com as forças de Tupã.

Levanta essa aldeia, levanta,

olha Tupã os filhos Ndêtã..

Levanta essa aldeia levanta.

Levanta sem demorar.

Levanta essa aldeia levanta.)

(Canção Tupinambá)

 

AWERE MEUS PARENTES E QUE TUPÃ SIGA CONOSCO

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. O Estado Brasileiro e suas leis, as quais somos obrigados a aceitar e respeitar. Imposição que iniciou-se com a invasão dos degredados portugueses (ladrões e assassinos), de Portugal, que são lembrados até hoje, nos livros didáticos e paradidáticos como verdadeiros heróis salvadores da pátria. Uma mentira que vem sendo sustentada por corjas submetidas ao sistema capitalista, que obrigam todos os brasileiros que frequentam escolas, ou não, obterem informações mentirosas, que fortalecem o preconceito e discrimanação que sofremos ao longo desses 513 anos. Tudo para salvaguardar os ditos “patrimônios” dos exploradores colonialistas que ainda insistem com essa guerra desencadeada no século XVI. E a “bancada ruralista” acreditamos que seja a maioria no chamado Congresso Nacional,na verdade o maior covil sustentado por homens e mulheres trabalhadores e trabalhadoras deste país, são os nossos inimigos declarados, que desejam nossa total extinção, afinal somos a maior ameaça contra o PODER EXPLORADOR.
    Essa PEC 215, é mais uma arma de guerra que desejam atirar contra nós, hoje, são sutis, utilizam-se do conhecimento adquirido nas academias, criam sua próprias leis, que servem para desqualificar e nos desconhecer, renegam a nossa existência, sustentam uma condição amaldiçoada que nos rotulou para se tornar mais fácil tirar o nosso direito originário, mas acreditamos que o POVO BRASILEIRO, vai acordar desse estado letárgico e a partir dai compreenderá o que de fato nos aconteceu e ainda acontece, entenderão que somos os verdadeiros donos desse território, e estamos lutando pelos nossos direitos, para salvar o pouco que ainda restou para nós e nossas futuras gerações, pois não queremos deixar de ser o que somos, e queremos viver com dignidade.
    FORÇA GUERREIROS E GUERREIRAS!
    LUTAREMOS SEMPRE!

  2. É ISSO MESMO PARENTE TUPINAMBÁ!!

    As maiores desculpas esfarrapadas dessas corjas são baseadas na DesConstituição Federal de 1988. Querem destruir aos poucos o que restou para os povos originários.

    Se são muito mais de 1200 nações (povos indígenas diferentes) teríamos que ter muito mais de 1200 Constituições Étnicas diferentes – isso mesmo uma para cada povo (respeitandos seus espaços e formas de (re)existências)).

    A maior arma de extermínio dos povos hoje é a dita LEI e com certeza essas corjam não representam de forma nenhuma “o povo” muito menos os povos originários (indígenas)

    Elxs não voltam para o continente europeu e de outros cantos do planeta para escravizar e espoliar xs suas(eus) parentes. Mas outros povos escravizam e roubam tranquilamente.

    513 anos segundo elxs (pois os nossos calendários são milenares) de extermínio físico, psicológico, espiritual, existencial, etc.

    Os espaços de (re)existências indígenas para elxs tem que ser fantasia “dia do indío”; “festa fantasia indígena”. Elxs são a realidade: sejam Kátia Abreu, sejam senadorxs do agrodesnegócio, sejam topsneocolizadorxs (madeireirxs, mineradorxs, fazendeirxs, etc). Querer ser e estar indígena para essas gentes é vergonhoso é a maior das heresias descoloniais para as mentalidades neocolonizadoras. Pois isso significa outro lugar outro existir que tem que ser sufocado o tempo todo. Pois as vivências indígenas já são emancipadoras em si. Querer elas como modelo é ir contra as gaiolas neocoloniais portanto engaiolem xs hereges.

    Isso que ocorre(u) reflete em todos os espaços mas alí no congresso que de jeito nenhum é a “casa do povo” e sim “a casa das elites que querem (e conseguem) manter o povo letárgio para melhor estripar,estuprar, estrangular, silenciar, exterminar os povos originários (indígenas)

    Já são cinco séculos de explorações mas as resistências ainda pulsam em nosso corações.

    Marleide Kixelô Kariri

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