No terreiro um cruzeiro

No terreiro um cruzeiro e uma casa ao lado.Os índios vão chegando,uns a pé e outros de bicicleta. Um banco na frente do cruzeiro. Os índios começam a se ajeitarem colocando pujá na cabeça, vestindo Kataioba,balançando os maracás, assobio de apito do pajé chamando os encantos. O pajé caminhando pelo terreiro com o kaoki na boca defumando o terreiro espantando os maus espíritos, o cacique se preparando para cantar e guiar os índios. O Capitão antes do começo do toré prepara o anjuka feito da raiz da jurema e seus segredos. Os maracás chiando nas mãos, o pajé se sentando no banco de frente para o cruzeuro, junto aos mais velhos que já não aguentam dançar o toré, os índios se ajeitando em filas nas laterais deixando um vazio entre o banco e o cruzeiro de frente uns para os outros. O pajé começa a cantar e os índios os acompanha. Os maracás no ritmo de cada uma linha, marcando com o seu chiado, os pés compassando e o cantorio das linhas, no indo e vindo do cruzeiro para o banco, do banco para o cruzeiro, fazendo curvas. Homens, mulheres, crianças, jovens e idosos, todos assim, cantando e descalços, pisando do chão com força e marcando o ritmo da dança.

Os mais velhos, sem força, sentados no banco,cantando e assistindo. Beber anjuká. A força da natureza mostrando os encantos, arrodeando, se aproximando, o zumbido do apito do pajé chamando os encantos de luz.

Uma linha, outra linha…indo assim até a ultima linha da despedida até o dia amanhecer.

Baltumbalalá [23anos]

jutumba [18anos]

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