Como produto, o cacau foi quem mais ajudou crescer os olhos e incentivou a cobiça pelas terras (período muito bem narrado nos livros de Jorge Amado e Adonias Filho).Com as terras super valorizadas, os bancos oficiais despejaram fortunas nas mãos dos fazendeiros. Surgiram os coronéis, a fama e o poder. Este atestado está escrito na infra-estrutura que sobrou das fazendas de cacau.
Ainda é possível encontrar casas em ruínas com suítes, salas amplas, banheiros azulejados, telhados rebuscados, pinturas variadas, sempre com material de primeira; energia, água encanada, depósitos, garagem e espaço para lazer. Tudo isso construídos dentro da floresta da mata atlântica, nada a ver com casas de roça. São construções imponentes, que até hoje fazem frente à maioria das construções urbanas das cidades da região.
Eis que veio, porém, a grande tempestade, a dor de cabeça, o inferno astral. Foi a praga da vassoura de bruxa, e a produção do cacau entrou em profundo declínio na Bahia.

Toda a região foi infestada com a praga que chegou como castigo às impunidades feitas pelos coronéis da região. Caiu o rendimento do cacaueiro, muitos desempregos, foi-se o encanto pelo cacau, mas não pelas terras. Alguns invasores se aproveitaram da miséria dos que se quebraram com a ação da praga e compraram suas posses, apesar de não haver escrituras de transmissão de posse. Que dizer, quem comprou sabia do balaio de gato que estava entrando.
Agora, a região se encontra completamente cercada de arame farpado guardando as posses, de um lado, reclamado por nós e por outro, ocupadas pelos fazendeiros, nelas predominam o criatório de gado, pastos sujos, nenhuma árvore, os rios também não.
Houve uma mudança significativa na paisagem da região, pois gado come é capim e não folha de arvoredos, com isso, veio o desenfreado desmatamento. Os capitalistas se dividiram entre os madeireiros que iam a frente abrindo clareiras, serrando toras, incendiando os galhos, impedindo nascentes e atrás, os pecuaristas lançando sementes do capim e o gado para engordar.
Neste rastro ganancioso, as matas virgens foram e estão sendo destruídas, no lugar de uma arvore secular, surgem algumas touceiras de capim que se constitui em outra praga, pois não existe método de erradicá-las, a não ser por obra da natureza, através de secas sucessivas ou as enchentes arrasadoras.
Isso tudo, somando excesso de lotação.

Akanawan
acanaua_pataxo@hotmail.com

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2 COMENTÁRIOS

  1. Akanawan:
    Excelente! Voce explica a realidade de hoje com a justificativa do processo historico…
    Quer dizer que antes quem atormentava os indios era o cacagricultor e hoje sao os madereiros e os agripecuaristas… Os poderes mudaram de vestidos, mas a fabrica de dinheiro continua morando no coração deles.

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