A política Indígenista do governo brasileiro nos últimos anos continuou surpreendendo negativamente. O Governo mostrou-se incapaz de líder com a pluralidade étnica do Brasil, de estabelecer políticas públicas diferenciada para os povos indígenas. A situação de desrespeito aos direitos indígenas tem se agravado. O primeiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pelo aumento da violência contra os povos indígenas, a criminalização e assassinatos de lideranças, a paralisia na regularização das terras Indígenas, a situação de caos no atendimento à saúde indígena, a falta de implementação da educação escolar indígena diferenciada, a não consolidação de proteção, gestão e sustentabilidade dos Territórios indígenas e a falta de coordenação nas ações e políticas de Governo, que ainda são formuladas e implementadas sem a ampla participação dos povos e organizações indígenas, vinculada a presidência da República, com competência deliberativa e criado por lei, o governo federal respondeu com a criação, através de decreto presidencial, em março de 2006, de uma Comissão Nacional de política Indígenista, que até hoje não foi instalada.
Face a esta situação, que tende a piorar com o modelo de desenvolvimento definitivo pelo governo Lula, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o movimento indígena organizado, povos e organizações indígenas das distintas regiões do país, e a sociedade civil, articulados em torno do Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI), organizam a realização do Abril Indígena 2007 no qual se destaca o Acampamento Terra Livre.
O Acampamento terra livre consiste numa grande mobilização indígena nacional, que acontece desde 2004, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como parte das ações realizadas pelo movimento indígena durante todo o mês de Abril nas distintas regiões do país. Tem como principal objetivo tornar visível a situação dos direitos indígenas no Brasil, informar e sensibilizar os poderes do Estado, a sociedade civil brasileira e a opinião pública internacional, exigindo do Governo brasileiro vontade política na promoção de mudanças substancias na forma e no conteúdo da política Indígenista que pretende implementar para entender as demandas dos povos indígenas e assim garantir o respeito aos direitos desses povos reconhecidos pela Constituição Federal vigente e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.
O acampamento terra livre 2007 acontece de 16 a 19 de abril, com a participação de mais de 1.000 lideranças, povos e organizações Indígenas de todo país.

19 de abril é dia do índio…

Eu não queria ser índio!
Pra ter que ser homenageado e ter meus direitos, negados.
Eu não queria ser índio!
Pra sofrer o preconceito na pele, nem ver meus irmãos massacrados.
Eu não queria ser índio!
Pra viver escondido, quase que como se fosse banido de seu país de direito.
Eu não queria ser índio!
Pra ter que ver minha cultura meus costumes, sendo estuprada por culturas de outros povos.
Eu não queria ser índio!
Pra ser visto como um incapacitado de lutar pelos seus objetivos.
Eu não queria ser índio!
Pra ter que ser inferior a sociedade burguesa ante-indígenista.

Apenas eu queria ser mais um cidadão com seus direitos respeitados e reconhecidos por toda sociedade brasileira, como parte desse nosso país Brasil.
Como os primeiros habitantes dessa terra livre.
Como verdadeiros donos dessa terra que acolheu diversas nações de culturas diferenciadas.

queria ser apenas um Índio guerreiro, que luta por seus direito e uma vida digna, como qualquer cidadão desde país.

Noberto (Cõan)

E – mail: coan@indiosonline.org.br

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2 COMENTÁRIOS

  1. Coãn,
    Ainda bem que você existe e é índio. Pessoa de bom coração, bom pai e marido.Alegre, trabalhador,responsável.Um guerreiro entre seu povo. Foi muito bom ter estado com voces no Abril Indígena, saber que os Pankararu vão poder ter suas tradições repassadas as gerações mais jovens também agora com a ajuda do Projeto GRiô, esta ação bonita que o Minc criou para dar visibilidade aos educadores populares e aos mestres de tradição oral.
    Ainda bem que vc existe e é índio. Pra ensinar pra gente o que é um corpo coletivo, o dom da partilha, o saber ler no livro da natureza, e que a luta pela terra, não é a luta sangrenta pra possuir a terra, mas por valorizar a vida, plantar, colher,respeitar o ambiente natural dos animais e deixar condições de vida saudável para as gerações futuras.
    Que bom que vc existe e é índio, pra fazer essa denúncia forte e sensível do preconceito que sofreram historicamente nossos povos originários,especialmente por conta dos jesuítas e daselites etnocentricas que nos colonizaram. As marcas do coronelismo são bem vivas no Nordeste e no interior do país em geral…Nos centros urbanos são a luta pelo materialismo e a supervalorização da tecnologia e do conhecimento que serve a poucos.
    lQue bom, que vcexiste e é índio , para lembrar que somos humanos ainda em fase de crescimento espiritual e que precisamos aprender a conviver com as diferenças, respeitando-as e trocando informações com elas, sem distinção de cor, de raça, de nacionalidade , de opção sexual, de classe social. A Terra como um só país e os seres humanos seus cidadãos.

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