memoria.kx.36 090     No mês de abril muitos Kariri-Xocó viajam pelo Brasil para fazer apresentações nas escolas, universidades em diversos estados. Eles organizam vários grupos de cantos e danças do toré : Sabucá, Dzubukuá, Wakay, Erí Torá são tantos que fica difícil descrever. Os indígenas viajam porque precisam buscar novos meios de sobrevivência, vendem artesanatos, arrecada alimentos para trazer a suas famílias. Mas nosso povo gosta mesmo é cantar e dançar o toré em nossa aldeia, onde todos se reúnem  defronte de alguma casa e daí seguem a tradição. O Toré é nossa alegria , em momento de vitória, nas festas comemorativas tradicionais e até na morte de algum parente prestamos nossa última homenagem, porque esta pessoa que se foi também gostava de nosso canto. Muitos anciões pedem a seus filhos quando morrer gostaria de três voltas de toré , este pedido sempre é atendido pelos familiares. Em ocasiões de festas juninas o Toré era cantado a noite toda, mas esta tradição estava enfraquecendo, mas o ano passado conseguimos organizar nosso povo para o toré, enfeitamos várias casas para receber a comunidade com comidas típicas, foi um quatro noites São João e São Pedro. Este ano vamos fazer ainda melhor ampliar o número de casas para receber o toré até completar uma volta na aldeia. O que sentimos que o toré é para nossa alegria, não devemos só viajar e alegrar somente as pessoas de fora, devemos sim cantar o toré em nossa aldeia para os mais jovens continuar com nossa tradição que vem de geração em geração.

Nhenety Kariri-Xocó

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