Não é de se admirar que viesse essa resposta na perícia feita pela Polícia Federal. Vivemos em um país onde milhões de índios morreram desde a invasão de suas terras e hoje essa cena se repete, e em nome da lei vamos abafar o Caso. A justiça não é para todos e sim para todos que tem dinheiro. E isso todo mundo está cansado de observar.

No dia 18 de maio morre no estado de Mato Grosso do Sul, Nísio de Gomes, liderança do Povo Guarani Kaiowa, vítima de um ataque violento ao Tekoha de seu povo. Um grupo de jagunços fortemente armados, entram no acampamento sem poupar crianças e mulheres, atacam como se fosse em um filme de Faroeste, balas que ferem até a alma de quem luta por uma justiça, que luta por viver em pais há mais de 510 anos.

Seu corpo arrastado, jogado em uma caminhonete. A sua família não teve nem a chance de enterrar seu ente querido, sua vó então com 105 anos de idade, chora sua morte. Deixou para traz apenas os gritos de medo e dor de seu povo.

Após um mês de “investigação” saí um resultado insultante e inconveniente, Nísio Não Morreu! Pasmem! Mas foi essa a resposta dada por pessoas capacitadas para tais trabalhos. Faz lembra o falecido cantor norte-americano que divulgou sua morte para ganhar fama e depois a população rockeira dizer: Elvis Não Morreu!

Agora para parem para comparar, Elvis fez isso por que sua fama estava acabando e com essa façanha conseguiu recuperá-la. E Nísio pó que motivo fingira uma morte? Por então seu povo, sua família choraria uma falsa morte? Convercer o governo a demarcar sua Terras não era, pois tantas lideranças Já Morreram: Galdino Pataxó, Xicão Xucuru, Marshal Tupã e muitos outros parentes sacrificaram sua vida em nome de seu povo.

A Justiça? Devia estar passeando nessas horas. Quem está preso por ter ateado fogo em Galdino? Por Xicão Xucuru? E Pelos outros? Ninguém!!! E agora quem estar preso pela morte de Nísio? Então a justiça deve responder que ele não morreu e que de uma hora pra outra desapareceu da face da terra sem deixar o endereço onde iria ficar o resto da vida?

Nísio foi assassinado, assim como outros grandes mártires indígenas que lutavam pela justiça, pela terra de seu povo me principalmente pelo Direito a Vida. O Governos e seus capangas ainda não perceberam que desde que o Brasil foi invadido os povos Indígenas deixaram de VIVER para SOBREVIVER.

E Agora a pergunta de quantas mortes o Governo precisa para criar vergonha de fazer o que manda a constituição? Não estamos querendo que o governo nos faça favor, não simulamos mortes por sensibilização, não choramos por fingimentos! Estamos querendo que o nosso direito seja respeitado, que seja reconhecida a dívida que o estado Brasileiro tem com os índios. Nós lutamos e morremos por um bem comum: Vida. Choramos pela dor e pelo sofrimento causado pela ignorância do Governo Brasileiro.

 

Alex Makuxi

Acadêmico de História da UFRR

Gestor da Rede Índios On Line

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Indígena Makuxi - Raposa Serra do Sol; Acadêmico de História; Militante de Movimentos e Organizações Indígenas: OPIRR< CIR< ODIC< APIRR "Pode até Calar um Índio, Mais a Nação se levanta para Gritar" Alex Makuxi

2 COMENTÁRIOS

  1. Olá, Alex! Obrigado por trazer de volta este assunto tão triste e revoltante. Mas corrija no teu texto, por favor: o ataque ao Tekoha Guaviry, onde pistoleiros espancaram, balearam e sequestraram Nísio foi em 18 de novembro, não em maio.
    Temos que fazer mais e mais barulho.
    Parabéns pelo trabalho, indigenas on line!!

  2. Entendo que seja abandonada toda posição emocional nessa questão, pois o movimento indígena corre o risco de uma desmoralização: os laudos da perícia no local do ataque derrubaram o testemunho inicial do filho do Nísio, que reconheceu ter mentido quanto à caminhonete: não entrou caminhonete alguma no acampamento nessa noite. Se Nísio foi baleado várias vezes, porque não havia sangue em abundância no local? Pelo contrário, o sangue encontrado tem maior probabilidade de ser do pistoleiro ferido pelo filho do Nísio. A perícia também mostrou que o Nísio pode ter ajudado o filho a recolher os cartuchos de balas de borracha com que foi atingido, por isso demoraram a chamar a polícia. Outro fato intrigante é o saque do benefício do Nísio com seu cartão lá em Brasília. Quem sacou esse dinheiro? Mesmo sendo processado por denunciação caluniosa, o filho do Nísio está sob proteção policial, pois de fato existem ameaças contra os índios. É absurdo que setores do movimento indígena “matem” (ainda que simbolicamente) os seus, com objetivos políticos. Até onde sei, o objetivo da causa indígena é promover a vida. Chega de mártires, principalmente se forem falsos.

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