Hoje 25 de Janeiro de 2012 a cidade de São Paulo comemora seus 458 anos, para entendermos um pouco a relação da cidade com os indígenas Pankararu. Vamos recordar algumas datas marcantes desde a fundação da cidade até a chegada dos indígenas Pankararu nesta Cidade/Estado.
1554 – Em 25 de janeiro, o padre Manoel de Paiva reza missa campal na frente do Real Colégio de Piratininga, marcando a fundação da cidade.
1556– Os jesuítas inauguram o conjunto formado por colégio, igreja e moradias destinadas à comunidade.
1580 – Fundação da Freguesia do Ó.
1616 – A Câmara da então Vila de São Paulo de Piratininga concede permissão ao bandeirante Amador Bueno da Ribeira para a construção de um moinho de trigo ao lado do Ribeirão Mandaqui, que dá origem ao bairro do Mandaqui.
1782 – O governador Francisco da Cunha Menezes concede sesmaria a Lázaro Rodrigues Piques, entre
o Ribeirão Ipiranga e a Estrada do Cursino. Dentro, o futuro bairro de Vila Mariana.
1815– São Paulo é elevada a capital da Província de São Paulo quando o Brasil é declarado Reino Unido ao de Portugal e Algarve.
1827 – Alemães se instalam no sertão de Santo Amaro e duas famílias descendentes, os Teizen e os Klein, se estabelecem no Capão Redondo.
1854 – Determina-se a construção de um cemitério municipal – o atual Cemitério da Consolação.
1872– São inaugurados os serviços de esgoto, abastecimento de água, iluminação a gás, além dos bondes de tração animal.
1875 – É inaugurada a Estação Barra Funda da Estrada de Ferro Sorocabana, que ajuda no desenvolvimento do bairro.
1886 – Com a inauguração da linha férrea ligando São Paulo a Santo Amaro, os bairros do Campo Belo e Brooklin começam a ser urbanizados.
1891 – Inauguração da Avenida Paulista.
1901 – Inaugurada a Estação Ferroviária da Luz, com projeto arquitetônico inspirado na Abadia de Westminster, de Londres, Inglaterra.
1911 – Cia. City começa a lotear a área de Alto de Pinheiros.
1913 – Começa o loteamento da região de Moema, até então área de grandes chácaras que receberam imigrantes ingleses e alemães.
1915 – As terras do Butantã são vendidas à Cia. City.
1922 – Realiza-se em São Paulo a Semana de Arte Moderna.
1925 – Forma-se a Coluna Prestes, reunião das revolucionárias Coluna Paulista e Coluna Rio-Grandense, com um efetivo inicial de 1.500 homens.
1926 – Começa o desenvolvimento da região de Ermelino Matarazzo, com a chegada da ferrovia e construção da estação ferroviária Comendador Ermelino Matarazzo.
1929 – Inaugurado o Edifício Martinelli, que durante anos seria símbolo da pujança paulistana.
1932 – Paulistas vão às armas em defesa de uma Constituição para o Brasil. Não por acaso a revolução ganhou o nome de Constitucionalista.
1933 – Inauguração do Mercado Central.
1934 – Criação da Universidade de São Paulo.
1935 – Começa a formação de Marsilac, com a construção do Ramal Mairinque-Santos da Estrada de Ferro Sorocabana.
1935 – O município de Santo Amaro é extinto e incorporado a São Paulo.
1947 – É criado o Museu de Arte de São Paulo (Masp), por iniciativa de Assis Chateaubriand.
1948 – Começa o loteamento do futuro povoamento do Morumbi.
1950 – A partir desta década alguns parentes indígenas Pankararu originários da Aldeia Brejos dos Padre que fica localizada entre três municípios Tacaratu, Petrolândia e Jatobá migraram para diversas cidades, inclusive para a Cidade de São Paulo em cima de caminhões de pau-de-arara. Em busca de uma vida melhor, já que estavam com grandes conflitos com os posseiros que invadiam suas terras, e também por conta das grandes secas que vinham castigando as terras de Pankararu. Nesta “aventura” desumana os parentes passaram por diversas dificuldades na viagem longa e cansativa, mais por estarem acompanhados como sempre pelas forças encantadas, obtiveram forças divinas para alcançar seus objetivos que era chegar vivo na cidade e contar com a sorte de conseguir algum emprego/trabalho.

Nesta ocasião os empregos/trabalhos eram disponíveis mais com a exploração da mão de obra braçal, ou seja, exploração da “força do homem”. Os patrões por saberem que eram de origem Nordestina não pensaram duas vezes, pois estavam ali homens de forças extraordinárias acostumados a trabalhar de baixo de sol.

Um dos primeiros lugares que esse grupo dos Pankararu começou a trabalhar foi na fundação da construção do Estádio do Morumbi. Como em 1948 tivemos o loteamento do Morumbi dava se inicio a grandes construções de diversos casarões da elite burguesa, no entanto para os indígenas Pankararu era mais uma oportunidade de trabalho, com isso alguns parentes Pankararu resolveram procurar algum lugar para suas estadias, como nas proximidades tinha algumas Chácaras os parentes foram se acomodando em pequenos barracos nas proximidades das Chácaras. Uma delas bem conhecida era a Chácara do Espanhol, o qual tinha grandes plantações de mandioca e diversas plantações de fruta e verdura. Com o crescimento das obras os Pankararu foram trazendo mais parentes para trabalhar nas proximidades, com isso as acomodações pelas redondezas foram crescendo com a presença dos Pankararu e de diversos migrantes de outros estados do norte, nordeste, centro-oeste, sul e do próprio sudeste.

Com o grande crescimento da comunidade local ficou conhecido como a “Favela da Mandioca” (Real Parque). Com essa atitude de risco migratório que os Pankararu correm, fez com que até os dias de hoje alguns Pankararu continuam marcando presença forte na Favela do Real Parque próxima ao Estádio do Morumbi e em outros bairros como Paraisópolis, Capão Redondo, Madalena, Osasco, Jd. Elba, Morato, Grajau, Jd. Das Palmas, Sônia Maria, Jd. Irene e na Grande São Paulo.

O protagonismo dos Pankararu se deu em 1994, quando um Parente vulgo “Queixinho” foi assassinado na Favela do Real Parque quando saia de madrugada para ir trabalhar, segundo boatos na época o mesmo foi assassinado pelos vingadores/matadores por engano. A partir daí os Pankararu revoltados mostraram de fatos suas “caras” e protestaram com o descaso de negligência da segurança pública para com o fato. Com isso fomos tendo mais visibilidade pela imprensa, como o Jornal A Folha de São Paulo que passou a noticiar na época que existe uma comunidade indígena em pleno bairro do Morumbi, em São Paulo.

Para fortalecer o movimento Pankararu foi se criado na época a Entidade SOS – ÍNDIO FAVELADO, a palavra “favelado” é forte e chocante, mais nada nos abalariam a não ser a usurpação dos nossos direitos. Essa ong tinha o objetivo de auxiliar e acolher os parentes Pankararu que chegavam a São Paulo e também para o fortalecimento das tradições culturais. Mais ainda alguns parentes Pankararu mostrava resistência ao se identificar como indígena para evitar discriminação como algumas vezes éramos motivos de preconceito por realizarmo-nos nossos rituais dentro de nossas casas. Alguns vizinhos nos taxavam de realizadores de macumba, mágia e etc, sem falar da visão que os não-indios (brancos) tinham da gente por não sermos os indígenas da época da invasão do Brasil em 1500 .

Com o passar do tempo à entidade SOS – ÍNDIO FAVELADO passa a se chamar SOS Comunidade Indígena Pankararu, diminuindo assim o preconceito que a população tinha para com a gente em relação à palavra “favelado”. As lideranças da época foram de grande valia para que a FUNAI reconhecesse os Pankararu dentro da Cidade de São Paulo depois de bastante luta e até expediu documento de identidade indígena para os Pankararu, com isso, terem acesso aos seus direitos.

Já passamos por grandes provas de vencedores, e como eu disse bem anteriormente, somos seres protegidos por nossos encantados e eles nos dão força para não cairmos nunca e nós vamos continuar nos desafios da vida urbana sem deixar nossas tradições de lado, pois ela que nos dá força para continuar a luta.

Obrigado São Paulo por acolher os Povos Indígenas com a ajuda ou não dos políticos que deveriam pagar a divida para com os povos indígenas. Mais vamos continuar a empreitada, pois os Indígenas Pankararu vem demonstrando cada vez mais suas forças no crescimento, pessoal, intelectual, comunitária e social, deixando em evidência que ser índio é ser gente, é ser cidadão, é ser-humano de direitos constitucionais. Podem tentar-nos por para baixo na negligência do “homem”, mais sempre estaremos por cima por está sempre protegidos pelas forças encantadas. Independente onde estivermos, vamos está sempre colocando em prática nossa cultura, pois já mais vamos deixar de lado nossas tradições e de ser índio por estarmo-nos na cidade.

 

Edcarlos Pereira do Nascimento (Carlinhos – Pankararu).

edpankararu@hotmail.com

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4 COMENTÁRIOS

  1. A força encantada nos dá energias para resistirmos nesta grande selva de pedra, e com as indas e vindas a nossa querida aldeia Brejos dos Padres – PE, recarregamos nos energias e forças para continuarmos as nossas lutas.

  2. Recontar a historia é preciso:

    1554 a matança de indígena permite que um grupo de matadores denomine a terra como SÃO PAULO… 508 de apropriações ilegais de terra – roubo dos poderosos sobre o povo – matando a quem for preciso…. no nome de Deus ou do Progresso…
    De Bandeirantes ate o Pinheirinho… Uma historia triste, onde os resistentes devem reconta-la para cortar o genocídio.

    Valeu Ed por provocar as reflexões

  3. Hi guys,
    My name is Vadim and I am a student of architecture in Oxford Brookes. I have been doing a research regarding a struggle of Indigenous people to regain their historical lands. This was the first time I was exposed to the Indigenous people’s issues happening in South America. I was extremely surprised to know that the native people are treated in such disrespect.
    I decided to base my final year project on the issues facing the Pankararu people. I have been trying to find some information in English regarding the culture and rituals of the tribe but with very little lack. I also tried to translate some of the Portuguese text available on line, unfortunately the translation is not clear and difficult to understand.
    I wondered if anyone could assist me in finding this information.
    Thank you

    Google translation
    Oi gente,
    Meu nome é Vadim e eu sou um estudante de arquitetura em Oxford Brookes. Tenho vindo a fazer uma pesquisa a respeito de uma luta de povos indígenas para recuperar suas terras históricas. Esta foi a primeira vez que fui exposto a questões dos povos indígenas acontecendo na América do Sul. Fiquei extremamente surpreso ao saber que os povos indígenas são tratados de tal desrespeito.
    Decidi basear meu projeto final do ano sobre as questões que enfrentam os povos Pankararu. Eu tenho tentado encontrar alguma informação em Inglês sobre a cultura e os rituais da tribo, mas com falta muito pouco. Também tentei traduzir parte do texto Português disponível em linha, infelizmente, a tradução não é clara e difícil de entender.
    Gostaria de saber se alguém poderia me ajudar a encontrar essas informações.
    obrigado

  4. Hello my dear friend and admirer of Mr. Vadim Indian question. Glad to know that the struggle of indigenous people are interesting and global level.
    My name is Edcarlos – Pankararu, I live in São Paulo for 28 years, my most beloved swamp known as the Village Fathers is located in Pernambuco. I emphasize that unfortunately be more difficult to research because the texts are not in English, and I have no support for translating all the information. I direct that you try to talk with some Pankararu, if they speak Portuguese.
    Good luck and thanks for following my stories.
    Graciously
    Ed

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