Meu nascimento

Minha mãe teve uma gravidez difícil. Não comia muito bem, tinha fastio e enjoava; num alguidar com farinha, às vezes beliscava moqueca de peixe miúdo, mingau de milho ralado. O alimento preferido de minha mãe gestante era a água do rio São Francisco quando descia o barranco. “Água de pote fedia nas ventas”, ela dizia; o rio era cheiroso quando ela vinha beber, chegava na beiradinha e ficava saciada.

Nessa mesma época, estava para chegar um irmão de minha mãe chamado Jurandir, que foi embora há muitos anos para Manaus, no Amazonas. Era primeiro tenente das Forças Armadas; não sei dizer de qual polícia: Marinha, Exército ou Aeronáutica. O dia em que ele chegou de viagem, foi o dia em que nasci: aos 10 de setembro de 1963. Trouxe vários presentes para toda a família, inclusive um enxoval para recém-nascido, para uma irmã gestante ou que estivesse parida. No momento, fui eu o tal escolhido.

A parteira do caso foi a velha Nenê, assim conhecida por todos de Colégio. O menino que nascera era magrinho, dizia o povo que chegava em visita à mamãe na aldeia arruada.Nhenety Kariri-Xocó.

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