Ao longo de muitas décadas, sempre ouvimos alguém, falando essa mesma ladainha, apesar de nós também sermos culpados de jogar pérolas aos porcos, hoje estamos comendo o pão que o diabo amassou, sempre fui inimigo desse tipo de gente que chega de fora, talvez das cidades circunvizinhas procurando parente em nossa Aldeia e mentindo, dizendo que tem raízes indígenas e que o sangue corre nas veias.

Meus parentes indígenas põem isto na cabeça de uma vez por todas, que esses tipos de forasteiros estão à procura de encontrar um pau que tenha sombra; que possa arcar com tratamento médico, remédios, passagens, hospedagens, faculdade para os filhos e documentos para se aposentarem etc. Tirando o direito do índio e se apossando dos recursos destinados às famílias indígenas. É lamentável a situação que se encontra agora porque os nossos órgãos que nos tutoram, acreditam hoje mais na mentira do que na verdade e digo mais adoram colocar o branco contra o índio ao invés de abraçarem essa causa tão importante e justa.

E mexendo aqui com os meus miolos, acredito que para isso, o funcionário público ganha salários e não estão cumprindo com suas obrigações, fornecendo documentos a pessoas estranhas que não honram a nação indígena.

Precisamos fazer alguma coisa, quantas vezes já perguntaram, sua avó era uma raposa ou estava roubando? Temos que seguir o exemplo de Marechal Candido Rondon que sempre nos dizia (Morrer se preciso for, matar um índio nunca) e por que hoje vivemos morrendo de vergonha dos trabalhos prestados em toda rede de assistência governamental indígena.

Vamos refletir!

Abraços!

Miguel Antonio da Silva, Técnico em Agropecuário e Técnico em Modelo de Gestão Escolar

miguelpankararu@hotmail.com.

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12 COMENTÁRIOS

  1. Parabens Miguel pela sua matéria, isso reflete exatamente o que as pessoas ao longo dos anos vem falando, e fazendo com os povos indígenas, isso que vc falou ai, “minha vó foi pegada a cachorro” já ouvir inúmeras vezes, até da boca de pessoas que se dizem culta e informada, fala uma sandisse dessas, eles imaginnam que com essas informações terá mais acesso as comunidades indígenas. Sabemos que as nossas avós não são nem rapoza nem estavam roubando…. mas parabens pela sua matéria.

    gilbertopataxo.indiosonline@gmail.com

  2. Prezado Miguel:

    Excelente o teu comentário e te peço licença para mostrá-lo às pessoas com uem trabalho. Realmente somos (nós daqui) indiodescendentes com todo orgulho e ouvimos muitas pessoas falarem isso (minha vó foi pega a dente de cachorro).

    Eu não tenho a necessidade de reivindicar a minha cidadania indígena porque ela já é patente e tive a minha criação desde pequeno na cidade. Os meus ancestrais indígenas não estão tão distantes de mim (apenas duas gerações) e tenho conhecimento de todos eles que não foram pegos a dentes de cães mas foram pessoas dignas e umito pobres que tiveram de esconder que eram índios. Minha bisavó “deu duro” para sobreviver e conduzir a sua prole até a minha geração.

    Aqui na cidade somos uma família praticamente de professores (quase todos se formaram em magisterio) e eu particularmente desde criança me interesso pela causa indígena, principalmente no estudo das nações e seus idiomas. Quando criança, descobri um livro de ensino de tupi do meu pai e desde então procurei estudar o idioma. Daí, com o meu interesse pelas letras pude tecer intensas investigações acerca desse idioma que já foi falado no Brasil de norte a sul (com poucas diferenças no vocabulario).

    Comecei a observar o vocabulário do povo Pankararu (as palavras recolhidas dos últimos falantes da língua) e verifiquei que falavam uma variante de tupi do norte (há palavras que hoje pertencem ao nheengatu – o tupi moderno do norte, tornada idioma oficial no Município de São Grabriel da Cachoeira, AM) e grande maioria das palavras do tupi antigo (aquele que é ensinado pelo professor Eduardo Navarro).

    Foi um grande prazer para mim ler o teu relato e gostaria de trocar idéias sobre o tema contigo.

    Abração,

    Jose Bahiana Machado

  3. Essa matéria faz a gente refletir bastante, e ao mesmo tempo sabemos que até hoje vem acontecendo esse tipo de inresponsabilidade de “funcionários” que se dizem preocupados com as causas indígenas.
    Espero que um dia os nossos direitos realmente nos favoressam, e que as leis sejam cumpridas.

  4. muito boa mesmo sua matéria meu amigo Miguel.
    a muito e muitos tempos escutamos varias pessoas falarem que as avós foram pegas a dente de cachorro, pessoas desse tipo são pessoas que não tem consciência do que é ser índio, nem tão pouco de suas origens.
    Se formos refletir bem, dá a impressão que ainda estamos no passado no tempo que eramos tratados como animais caçados por brancos. essas pessoas tem entender que somos seres humanos que merecem respeito e que devem ser tratadas com dignidade.

    Para ser índio não é preciso ser pego a dente de cachorro! mas ter conhecimento de sua cultura e assumir sua verdadeira identidade com tal.

    parabéns miguel…..

  5. Caros Parentes

    Estou querendo manter contato com todas as nações indígenas sobre o lançamento do edital de culturas indígenas,é importante que participem mandando suas propostas para o fortalecimento das ações já desenvolvidas e estão necessitando de apoio para manter as atividades

  6. fui criado longe de minhas origem depois voltei a encontra meus parentes depois aconpanhei o trabalho do meu tio ele era tecnico agricola e recebeu varias chefia de posto e vir como fuciona se for fazer o reconhecimentos quem e indio ou quem não e fica 60% de indio que tem oringem eu conheço varios que não são indios e se benificiam dos direitos do indio a fulnai tem o conhecimento disso os nossos antranpologam e que e culpados que não trabalham para isso enguanto isso os que merecem não tem vez isso tem que acabar mais para acabar os indios tem se juntar para fazer a força tem indio que não sabe nem o nome de sua aldeia

  7. Caro Miguel da Silva,
    sua crônica é real, esse assunto é sério. Mas há vida por toda parte em nosso país. Gostaria de falar à maneira de quem não teve vida de índio mas nasceu em mesmo solo de mãe terra. Ouvi de um negro remanescente dos Vissungo de Milho Verde, no Jequitinhonha em Minas Gerais, que a avó dele havia sido “pega a laço”, cena semelhante à descrita pelos senhores como abominável. E é. Mas dita por Seu Crispim Veríssimo, tinha uma emoção de vitorioso ele estar alí dando uma entrevista para um filme, sendo chamado de mestre, dizendo algo da sua bisavó tão próxima, mas que já era um passado que apenas fazia parte da memória dos seus parentes; patrimônio de vida o sofrimento de gerações de afro e índiodescendentes, e esse sofrimento quando é superado gera auto-estima, um natural contentamento, autonomia de vitoriosos. Eu acreditei nele quando sorriu e ficou triste e cantou e narrou histórias da sua história, mandou recado para o Lula, cantou e lembrou de cerimônias fúnebres do seu povo, dançou batuque e recebeu um cachê por sua entrevista. Dinheiro que pagaria o forno de azulejo a gás para a serpentina de banho quente depois da jornada diária. A vida segue no Vale Jequitinhonha e nos vales brasis, com e sem palmeiras e sabiás. A terra precisa de nós, cuidando dela para nossos bisnetos e as gerações futuras. Não seríamos brasileiros se não fôssemos índios, negros e síntese de cores e consciências.
    Visitarei esse site mais vezes, conheci Fernando Pankararu e Gilberto Pataxó aqui na Teia 2007, em Belo Horizonte.
    Muito grata, Mara de Aquino

  8. Olá amigos indiosdescendentes!
    Acaba de ser aprovada a leí que obrigam as escolas a ensinar a cultura indigena,fiquem atentos, se organizam para ser ensinada a cultura dos índios brasileiros, e não seguir histórias de antropológos de fora(estrangeiros) que tem uma visão equivocada sobre nosso povo.

  9. Achei muito importante o seu relato e os comentários. Só peço que tenham muito cuidado para não generalizar. Muitos indiodescendentes como eu só estão em busca de suas raízes, de se aproximar de uma cultura que também é nossa e nos foi negada, oq não quer dizer que temos interesse nos benefícios que são seus de direito. Tenho muito orgulho de meu sangue que tbm é tupinambá e gostaria mesmo de conhecer meus parentes, a terra de onde minha avó saiu casada no final do seculo XIX com um não indio. (não, ela não foi pega a laço nem no dente de cachorro, veio para Minas por vontade própria). Ela nunca esqueceu quem era, e eu nunca vou esquecer o caminho que ela percorreu nem o sangue que corria em suas veias e me fez quem sou. Um grande abraço.
    Maisa

  10. Já tenho duas historias de Tataravós indias que forão pegas no mato e colacadas dentro de casa, obrigadas a se ”civilizar” isso é muito triste, um desespeito a cultura indiginina, mas fazer o que? estamos no Brasil onde negros e indios, serviam para ser escravizados, e nada mais. Somos todos ascendentes de crimes ediondos contra a humanidade, tenho orgulho de possuiar traços, indiginas e saber que passarei esse gene a frente.

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