Seminário fará a abertura do curso, o primeiro de pós na área com metade dos alunos indígenas
Cecília Lopes – Da Secretaria de Comunicação da UnB

Começa neste domingo, 27 de março, o Seminário Epistemologia e Fundamentos do Indigenismo e da Sustentabilidade, que inaugura o mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas, coordenado pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB. Participarão da aula-magna o antropólogo Carlos Brandão e o líder yanomami Davi Kopenawa. O seminário vai até 1º de abril, no Centro de Excelência em Turismo (CET/UnB), que fica no campus Darcy Ribeiro. Leia mais sobre o mestrado aqui.

O evento é o primeiro dos quatro seminários integradores que ocorrerão durante os 22 meses de curso. “A marca desses seminários é a diversidade. Vamos trazer sempre pesquisadores e indigenistas de peso”, garante a professora Mônica Nogueira, professora da Faculdade UnB Planaltina e do CDS. Confira a programação abaixo.

Carlos Brandão acredita que o encontro com Kopenawa será muito enriquecedor. “Já tive experiências semelhantes e ele com certeza trará contribuições mais interessantes que as minhas, trará a sua realidade”, afirma. Brandão tem pesquisas sobre negros, terras e sobre a questão agrária. “Vou falar basicamente sobre as questões ambientais e também sobre identidade cultural”, conta o antropólogo.

Depois da abertura, haverá a dança kapa (dos índios bakairi), é uma apresentação de cânticos e dança de louvor à natureza. “Nas aldeias, os indígenas costumam fazer o ritual durante comemorações tradicionais”, comenta Mônica. Eles se apresentaram ornamentados com fios de algodão nos braços e nas pernas e pinturas corporais. “Os Bakairi acreditam que após o Kapa acontece uma chuva de bênçãos e fartura para todos da comunidade”, comenta.

MESTRADO – A alta adesão dos estudantes superou as expectativas dos idealizadores do curso. Das 26 vagas, 13 foram ocupadas por índios das mais diversas etnias, como os bakairi (MT), guarani (MS), apurinã (AM), suruí (RO), kinikinau (MS) e wapixana (RR).

Houve também uma diversidade de projetos. Os temas variaram entre saúde, educação, iniciativas de desenvolvimento sustentável e mineração em terras indígenas. “Isso favorece um debate atual sobre a situação dos povos”, acredita a professora. “Nossa intenção é tornar a UnB um ambiente referência para esse tipo de debate”, completa.

Othon Leonardos, um dos responsáveis pela criação do mestrado, acredita que a iniciativa serve para conscientizar os brasileiros sobre a importância dos saberes indígenas. “São mais de 200 povos que guardam uma riqueza enorme, com saberes completamente diferentes. Precisamos conhecer e reconhecer isso”, afirma. Ele lembra que os povos indígenas são os que mais conhecem sobre desenvolvimento sustentável, pois sempre praticaram. “A nossa civilização precisa aprender com eles”, completa.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO:

27 de março (domingo)
17h – Abertura – Alma do Mundo, com o antropólogo Carlos Brandão e Davi Kopenawa, líder yanomami
19h – Dança Kapa, do Povo Bakairi (A Árvore da Vida)

28 de março (segunda-feira)
9h – Mesa de Abertura, com a presença dos parceiros da iniciativa, Ministério da Cultura, SEPPIR, USAID/Brasil e IEB
10h30 – Palestra | Gestão de territórios indígenas, governança local e regional, com Ailton Krenak
14h – Apresentação do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas, precedida de cerimônia espiritual, sob a condução de Levy Yanomami
18h – Palestra | Indigenismo e Territorialidade, com João Pacheco de Oliveira

29 de março (terça-feira)
9h – Mesa redonda | Antropólogos e indigenismo no Brasil, com Stephen Baines, Cristhian Teófilo e Tonico Guarani
10h30 – Palestra | Desenvolvimento sustentável e territórios indígenas, com Donald Sawyer e Valéria Payê
14h – Mesa redonda | Gestão de conflitos interétnicos, com Elimar Nascimento e Euclides Macuxi
16h – Palestra | Diálogos interculturais: sustentabilidade e espiritualidade, com Marcos Terena
18h – Oficina | Diálogos e biografias: sessão dedicada ao encontro de estudantes e professores do Mestrado Profissional

30 de março (quarta-feira)
9h – Educação e alteridade, com Laís Mourão e Álvaro Tukano
10h30 – Reunião dos estudantes indígenas do Mestrado Profissional
14h – Mesa redonda | Natureza, cultura e inconsciente ecológico, com Odyl Bakairi, Othon Leonardos e Marco Aurélio Bilibio
18h – Quarta Sustentável, com José Augusto Pádua

31 de março (quinta-feira)
9h – Mesa redonda | Memória, patrimônio e tradição, com Joana Euda Munduruku, Sandra Lima, Mônica Nogueira e Vera Catalão
14h – Mesa redonda | Olhares sobre o indigenismo: duas perspectivas, com Fernando Schiavini, José Carlos Meirelles e Nambla Gakran Xokleng
18h – Palestra | Indigenismo e suas múltiplas dimensões, com Carmem Junqueira

01 de abril (sexta-feira)
9h – Mesa redonda | Indigenismo em contextos latinoamericanos, com Lucio Flores Terena, Henyo Barreto e Gustavo Lins Ribeiro
14h – Reunião de professores e estudantes do Mestrado Profissional
17h – Encerramento

fonte: www.unb.br


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Indígena do Povo Tukano. Natural de São Gabriel da Cachoeira- Amazonas- Brasil. Estudante de Biologia pela Universidade de Brasília- DF

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