Edvaldo de Jesus Santos Pataxó, índio da etnia Pataxó Hã Hã Hãe, formado em medicina na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba. Recebeu indicação de algumas Lideranças Indígenas para assumir o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI)- Salvador Bahia. A noticia foi uma surpresa para ele, mas conhecendo a luta e a realidade dos Povos Indígenas da Bahia, o mesmo se colocou a disposição para encarar os desafios com o objetivo de melhorar a qualidade da saúde nas aldeias, mais que todas lideranças tradicionais, caciques, pajé do estado tenha conhecimento de seu perfil e com isso apoiá-lo.
“ Fico triste em ver o nosso Povo Indígena sofrendo as conseqüências de uma saúde má administrada pelos gestores, parentes morrendo a minguá e passa por despercebido sem nenhuma providencia… gestor que ficam omissos aos apelo das lideranças tradicionais…” . Dr. Edvaldo conhece e vive esta realidade na pele, pois mora dentro da aldeia e com seus conhecimentos na área da medicina, sendo o primeiro índio a se graduar em medicina no estado da Bahia, é um bom perfil para pleitear a vaga de chefe do DSEI.
Esta na hora de nós indígenas ocupar os cargos na esfera do Governo Federal, Estadual e Municipal, designados aos índios, já que temos índios graduados, que conhece e vive a realidade das comunidades indígenas e que são capazes de administrar junto ao governo como meio de inclusão e integração social dos povos indígenas.
Precisamos que essa informação chegue até os 14 povos do Estado da Bahia, para que os mesmos possam apoiar o parente que é medico e esta convicto de trabalhar em prol da causa indígena na área da saúde.

veja mais informações sobre Dr Edvaldo Pataxó, no periodo em que estudava em Cuba.

Sou Edvaldo de Jesus Santos Pataxó, filho de José Hamilton (não índio) e Judite Pataxó (índia). Minha mãe é índia do grupo Kariri Sapuyá que junto a mais 4 grupos étnicos (Baenã, Camacã, Pataxó, Tupinambá) deram origem ao atual povo Pataxó Hã Hã Hãe, residimos no Posto Indígena Caramuru (…)
FRAGMENTOS DA NOSSA DOLORIDA HISTÓRIA
Devido o processo de invasão do nosso território, hoje chamado Brasil, na qual vitimaram muitos dos nossos povos e tribos inteiras deixaram de existir Consideramos que as nossas terras foram duplamente invadidas; primeiro com a chegada dos portugueses em 1500 e segundo, depois que alei brasileira delimitou um território para que os índios pudessem sobreviver, no caso do meu povo uma área de 54.100 hectares, e este, mais uma vez foi invadido por fazendeiros da região e expulsando os índios para longe delas. Muitos dos índios, os que lograram sobreviver, se refugiaram nas cidades circunvizinhas e outros, chegaram a sair até mesmo fora do estado da Bahia, no caso da família do Galdino que foram para o Paraná. Estes foram obrigados a adaptar-se a uma nova cultura e sistema de governo totalmente oposto aos seus. Mesmo distante de suas terras, nossos anciões não perderam as esperanças de um dia ver o seu povo reunidos novamente e para isso os mais velhos se reuniam periodicamente e traçavam metas para continuar lutando. Estas reuniões culminou com inúmeras viagens ao Rio de Janeiro para falar com o então presidente do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) que muito prometia e nada fazia. Como exemplos destes guerreiros têm o senhor Desidério (meu avô), Bite, Samado, Camilo, Katunga, dentre outros. Em 1982 conseguimos retomar uma pequena parte das terras que tradicionalmente nos pertence. Meu avô Desidério que havia refugiado no município de Pau Brasil juntamente com os seus cinco filhos (Iraci, Laura, Aureliano, Judite e Senhorinho) ao retornar para a aldeia todos já havia casados com pessoas não índia. No caso da minha mãe regressou com seis filhos e teve mais dois na aldeia. Quando cheguei na aldeia tinha apenas quatro anos e desde então, mesmo com a intensificação das práticas de violências por partes dos fazendeiros da região contra a nossa gente eu continuava decidido a estudar.

OS ESTUDOS
Iniciei meus estudos na escola da aldeia. Durante este período as dificuldades era com respeito a precariedade das sala de aula, falta de material didático e carência de professores pois nenhum não índio queria viver na aldeia. Foi então que chegou a professora índia Maria Muniz e começou a lesionar em nossa escolar. Ao terminar a 4ª série tive que dar continuidade aos meus estudos no ginásio da cidade de Pau Brasil. Ai sim foi dureza, pois os desafios eram grandes, tal como:
01 – A distância entre a aldeia e a cidade é de 5km e diariamente tinha que fazer este percurso a pé e a noite o que aumentava o risco de sofrer quaisquer tipo de violência;
02 – O preconceito e a discriminação na cidade era tão grande, que em épocas anteriores chegaram a não aceitarem a matricula de estudantes índios no ginásio da cidade(no caso de Margarida Pataxó e Agnaldo Pataxó);
03 – Um número considerável de índios se matriculava e pouquíssimos lograva concluir o ano letivo.
04 – Por não termos nenhum local para o asseio, banhávamos e trocávamos de roupa em um córrego antes de chegar na cidade;
05 – Em períodos de chuva chegávamos no colégio totalmente molhados e enlameados;
06 – Por estarmos em processo de reconquista do nosso território através de retomadas, nossa presença na cidade era considerado um insulto, pois éramos considerados invasores de nossa própria terra;
07 – Uma coordenadora do colégio em que estudamos (Gildinai), sensibilizada com a nossa situação disponibilizou de sua residência para que pudéssemos pernoitar. Por este ato solidário, passou a ser ameaçada de morte, inclusa chegou a ser interceptada por fazendeiros fortemente armados em plena praça pública quando se dirigia ao colégio, acompanhada de alguns estudantes índios;
08 – Um ônibus que foi destinado pela FUNAI para o transporte escolar indígena foi apedrejado quando nos transportava desde o colégio na cidade até a aldeia;
09 – Um carro Kombi que prestava serviço para a saúde e que neste dia o cacique Gerson havia destinado para o nosso transporte, esta foi queimada enfrente ao colégio quando nos aguardávamos;
10-…
Muitos foram as dificuldades que enfrentei para poder estudar mais nenhuma desta foram forte o suficiente para fazer-me desistir dos meus objetivos. Com muito sacrifício, terminei o 2º grau em 1999 e pensava em cursar uma universidade, quiçá direito, pedagogia, medicina ou qualquer outra carreira desde quando fosse de grande utilidade para a minha comunidade.

ESTUDAR MEDICINA EM CUBA
Em 2000 conseguir através do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a noticia chegou até a mim através da liderança Luiz Titia que havia vaga para poder estudar medicina na Escola Latino-americana de Medicina (ELAM) em Cuba, projeto criado pelo nosso comandante Fidel Castro. Para mim foi uma oportunidade de ouro, porém aceita-la foi um tanto difícil, pois tinha que ausentar da minha terra mãe e do meu povo por mais de anos, ademais, em um pais tão distante, com costumes e tradições totalmente distinto dos nossos. Contudo, aceitei o desafio e em fevereiro de 2001 zarpei rumo a essa pequena ilha na América Central, consciente da minha responsabilidade perante o meu povo de velar pela saúde destes que a mais de 500 anos vem sendo vítimas das diversas formas de violências e de inúmeras doenças que ainda são desconhecidas pelos mais sábios da aldeia (pajé).
Quando for médico, possuindo tanto o conhecimento da medicina convencional quanto a tradicional, pretendo desenvolver um trabalho médico direcionado à prevenir e curar as doenças que muito afeta a minha comunidade bem como dar ênfase à medicina natural Pataxó Hã Hã Hãe como forma de preservar a nossa cultura e meio alternativa por falta de uma política de saúde séria por parte dos governantes do nosso País que realmente satisfaça o interesse dos povos indígenas como um todo.
Vivo em Cuba há 5 anos e apesar das dificuldades que enfrento no âmbito financeiro para custear passagens, aquisição de material didático, higiênico, pessoal e de apoio, bem como escassez de comunicação com os meus familiares e comunidade em geral, sigo convicto de realizar um sonho tanto meu quanto do meu povo de graduar-me e retornar para a minha aldeia.
Um abraço índio a todos.
Edvaldo de Jesus santos Pataxó Email: brasil3@giron.sld.cu
Havana-Cuba, 15 de janeiro de 2006

REGRESSO DE CUBA

Com muito sacrifício conseguir concluir o curso de medicina em Cuba e retornei para a minha aldeia em 2007 onde permaneço até então com o meu diploma de MEDICO mais ainda não conseguir exercer a minha profissão. Com essa oportunidade de assumir a chefia do DSEI de Salvador terei a oportunidade de colocar em pratica o conhecimento médico que adquirir com muito sacrifício em Cuba. Mais para isso preciso do apoio das comunidades indígenas do Estado da Bahia, Lideranças Indígenas, entidades indigenistas, políticos que apóiam a causa indígena e outros. Acredito que tenho muito a colaborar para a saúde dos Povos Indígenas do Estado da Bahia.

Veja links relacionado a Dr Edvaldo.

O FUTURO MÉDICO PATAXÓ HÃ HÃ HÃE


http://pib.socioambiental.org/en/noticias?id=5391

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A muito tempo lutando em prol do Povo indígena do qual faço parte, até ameaças de morte já recebi. Mas não me calo! pois os espíritos de meus antepassados está comigo. E a proteção de Tupã.

12 COMENTÁRIOS

  1. fabio, conheceço a histoia de luta do dr. edvaldo e sei que ele é bastante compromissado com a causa indigena e tem um perfil imbativel para ocupar esse cargo representativo para os povos indigenas do estado da bahia.entretanto, peço-lhe,respeitosamente, que retifique a informação que diz que ele está cursando 5º semestre de medicina, pois, na verdade ele ja é medico com há pelo menos 4 anos de experiencia na area da medicina.

    vamos todos juntos conquistar mais esse espaço dos povos indigenas do Etado da Bahia

    forte abraço

    ãpohá pataxó

  2. fabio, gostaria de aproveitar a oportunidade e parabeniza-lo pela excelente informação. é muito bom saber que temos indigenas preparados para ocupar cargos tão importates como este. ah, parabens pela materia publicada.

    forte abraço,

    ãpohá

  3. bom dia meus parente eu com experiencia dentro do movimentp indígena teinho minha opinião que nos temos que acredita um pouco nesse parente que sofreu como os outros parente que estudaro em cúba, saber muito bem nosso sofrimento que si encontra na política de saúde indígena no nosso estado, hoje descobrimo que foi mais de 1 milhão desviado projeto do pac saúde, recurso esse que dava para fazer varias obras dentros das Aldeias estado da Bahia, foi desviado pelo jorge araujo junto com sua cabada de infrueciadores, que só que ver nos indígena norrer, a riquença para eles, outra coisa conselho tristrital de saúde indígena esta da Bahia, que falar mesma linga de jorge do DISEI,para receber diárias sem fazer nanda, então meus parente vamos si organizar da um volto de confiancia para nossso parente edvaldo pataxó hã-hã-hãe, mais nos não só vai por elel lá mais como também fiscalizar, por outros parentes que esta ai nos cargos do governo presizamos esta diálogado é fiscalizado como esta pé fiu desse parente, ater ajuda em algumas coisa si for presisor forte abraço tadas liderança é comunidade indígena.

  4. Esta é realmente uma otima noticia , uma grande força nesta luta que vcs povos indigenas travam diariamente pelo reconhecimento de seus direitos e por um atendimento de saude digno.Drº Edvaldo , por ser indio tambem ,conhece melhor que ninguem os problemas enfrentados , e tenho certeza fara um excelente trabalho. Parabéns pela escolha tão merecida !!!!

  5. Mais do que nunca essa é a hora de realmente um indio assumir o DSEI/BA. Mas não pode ser um indio qualquer, só para assumir cargos, tem que ser um índio preparado, que tenha conhecimento na área da medicina e o Drº Edivaldo fez medicina em Cuba e hoje está mais do que preparado para assumir o DSEI/BA, nele poderemos ter certeza que as Diretrizes da nossa saúde terá outros rumos.

  6. K bom! Fico feliz em saber que ha um nome para ocupar mais um espaço de grandes lutas! Mas para isso tem que ter pessoas experientes na causa, assim como o parente DR. Edvaldo, um grande nome, mas nós agora não temos que pensar no conhecimento da medician precisamos de um parente que saida fazer o papel de pulitica e uma boa administração, isso sim é o mais importante para o que assumir. S`fico triste pq não veio o nome para os povos da bahia se indicarem? e pq somos 16 povos e não um ou dois povos.Espero que todos ou pelo menos a maioria aprovam o nome par depois dizer que tem uma pessoa que não tem nada ver.
    Pelo o que sei existe mais uma pessoa que fez medicina com ele em cuba! E em momento algum o nome dela foi sitado, mas tudo bem….
    Que seja feito uma reunião com os representantes dos povos e fação u, acordo entre os povos indigena da bahia. Certo parente!??? Pense nisso! Edvaldo pode ser um bom medico, fez medicina em cuda uma das melhores do mundo, mas será que saberá administrar? Fazer o bode andar? E a questão admistrativa?

  7. Já começou errado!!!!!!!111 Ja saiu de cima pra baixo enquanto deveria começar de baixo pra cima!!!!!!!!! Consultasse o nome do DR. primeiro com as lideranças indigena pra depois sair falando! Depois se queimam e ai como fica o DR.????

  8. Muito bom saber que tem mais um indio na nossa luta, e por isso devemos ter conciencia do que queremos, e precisso ter apoio das lideranças indigena inclusivo daqui do norte. Pelo o que entendir são duas aldeias que aprovam e nós nem sabemos se ele realmente que ser mais um na luta do nosso povo, o apoio tem quer ser de todos indigena da bahia!

  9. Espero que os indígenas entendam a gratificação vai ser bom para nós, colocar um índio capacitado para exercer determinado cargo, um índio também que conheça a realidade de todos nós, sobretudo o Dr. Edivaldo um medico, que conhece a importância de manter um bom funcionamento da saúde em dias, acredito se for eleito , ele vai trazer algumas soluções para o problema decorrente a ação que o órgão não esta conseguindo resolver. É neste caso que precisamos de pessoa quer ajudar os povos indígenas, alguém que estudou muito, conhece a pratica de trazer método que possa auxiliar as comunidades indígenas. Quero aproveitar e parabenizar Edivaldo por essa iniciativa de enfrentar uma luta não é nada fácil, mais com apoio de todos nós tenho certeza que ele vai conseguir, e reforço estamos colocando a pessoa certa para exercer este encargo.

    YONANA

  10. Quem for assumir a saude indigena, espero que seja um indio ou uma india, mas que nós indigena não basta só colocar nopoder e acha que vai resolver tudo, não é assim. Precisamos trabalhar juntos e misturados, por isso que precisa etr o apoio de todos os caciques, pelo o que estou vendo só tem apoio de pataxó ha ha hae!!!!!!!! ai complica

  11. Parentes, os comentários são importante, isso demonstra a nossa participação, e que não venha ser de atitudes contraria ao que pode ser bom para nós, que essa conclusão só poderemos ter se nós darmos essa oportunidade a Dr. Edvaldo, eu como indios online, conheço um pouco do sistema de saúde resolvi publicar esse texto, por que surgem uma nova oportunidade de fazermos a diferença. Não está na hora de agirmos com emoção e sim com a razão. no texto não fala que são todas a lideranças da Bahia, mais de 10 lideranças podemos considerá plural. E está começando de base por isso que estamos levando para os Parente esse nome e pedindo apoio(no Texto narra).

    Tuianawe, infelizmente parente discordem em parte, da forma que vc se pronuncia, Edvaldo é uma pessoa que sofreu na base, já trabalhou de enxada, Cresceu na luta, resolveu assumir o curso de medicina para poder fazer a diferença…Tem sim muitos conhecimentos políticos, tem competência para administrar e mais é uma pessoas que está indignado com a situação que a Funasa vem tratando os povos indigenas, ele sabe que tem muitas coisas para fazer… Agora O “Conhecimento Politico” que vc narra acima, servem para outros parentes que querem defender a nossa nação em outras esfera do governo, do qual Sandro Tuxa, por exemplo, ele teve inicio em sua comunidade como Candidato a Deputado Federal, levou o seu nome na comunidades… Aqui em minha aldeia, mesmo antes dele vim várias pessoas de nossa comunidade já tinha declarado apoio a ele…
    Sabemos que todos não são igual, mais nesse momento vamos pensar nos índios aldeiado que vem sofrendo, e esquecida por uma assistência digna a saúde.
    Quando no texto falamos o primeiro índios Dr, foi no gênero masculino.
    Um abraço a todos e vamos construindo um novo rumo, sem brigas, sem partidos e sim ideologicamentes uma luta a nação indígenas.

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