Formadores da cultura local de Porto Real do Colégio, desde os primórdios de sua história, os índios juntamente, com civilizados, participavam das festas religiosas. Nos anos de 1941 na Aldeia de Colégio, o índio Jonas Ybá (antigo cacique) eram Mestre de Chegança dos Mouros e Reizado, com integrantes indígenas, nas manifestações culturais locais. A Chegança do Mouros, com “adversários” dispostos em duas filas, simulam-se lutas, cantadas, feitos do passado. O acompanhamento era feito por instrumentos musicais cavaquinho, pandeiro, violão, sanfona e caixa. Os personagens usam fantasias, de marinheiros almirante, o capitão inglês, capitão-de-mar-e-guerra ou mouros e cristãos. No Reizado o Mestre Jonas encenava com os indígenas em auto de Natal, os grupos mocinhas, cantavam e dançavam, roupas azul e encarnado. Apresentavam personagem como o rei, a rainha, o mestre, o contramestre, a estrela, o Mateus, o palhaço, jaraguá, o cão e a alma. Os participantes usavam vestes e chapéus coloridos e ornamentados com vidrilhos, latejolas, fitas e espelhos. Com a morte de Jonas em 1944, estas manifestações culturais, sofreu uma grande perda na aldeia. Mas aparece Juaquim Migué, casado com uma índia Xocó Anorina, continua somente com o Reizado, a chegança desaparece em nosso município. Com o Mestre Juaquim Migué, tinha Banda de Pífanos e Boi Janeiro, Terno de Sabumba, Festa do Pau-de-Sebo, que animava a cidade de Porto Real do Colégio, o todo o interior. Entre as integrantes do Reizado eram todas indígenas: Maria Véia, Dinalva, Marinalva, Tacíza, Maria Odete,Zabé e outras mais. Nos personágens do Mateus Edvaldo, o Cão Lorenço, no Jaraguá Zezinho do Mato,no Palhaço Bonival. Em Festa de Bom Jesus dos Navegantes a Banda de Pífanos e Sabumba, animava o cortejo no Rio São Francisco. O Boi Janeiro o índio Ademir Cruz, se vestia na fantasia e adereços do personagem, andando pelas ruas da cidade, junto com Birra, fazendo encenação. Nos meados dos anos de 1985 morre Juaquim Migué e tudas estas manifestações culturais, deixam de existir. Nhenety Kariri-Xocó.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Ahhhh, que pena, Nhenety… É uma parte tão bonita da cultura popular que não deveria desaparecer assim… Pena. Quem sabe, algum dia, alguém se habilite a continuar o trabalho do Juaquim Migué, né?

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