Airã:

Hoje nós se encontra numa situação

Airã:

Hoje nós se encontra numa situação meio difícil, veja bem, nos se mantinha mais da pesca do peixe, eu mesmo mais Salmã nos pescava bastante, agora a agua esta escura e ninguém mais pega nada.

Antigamente nos saia de casa, e logo atras, na lagoa, de mão mesmo nos pegava peixe, não encarecia o arco e flecha para pescar, tinha muito, nos pegava de mão, dentro da agua topando o peixe, se agachava e pegava com as mãos, nos comia a vontade e sobrava muito ate para vender e depois de que foi feita essa represa, “Xingo”…uma hidroelétrica, represou a agua todinha, e o peixe que da por aqui é tudo coado… do pouquinho que resta hoje da Natureza, nós quer preservar para que nossos filhos e netos conheçam.

Nossa terra é muito pouca (699 hectares),e alem de isso nos viveperto da cidade, a 1 km, já para nossa reserva e mais uma légua (7km) , lá na mata, onde nós pratica nosso ritual sagrado, lá nos faz nossa devoção toda, nos passa lá 15 dias, nos purificando, é umrenascer, lá se chama Oricuri.

Temos muito problemas com a administração da FUNAI. A sementes não chegam na data certa, os recursos são desviados… Não esta funcionando nossa escola, eles construíram do seu jeito e nos estamos esperando que terminem outras porque eles acham melhor inaugurar todas juntas. Então lá as crianças estão passando dificuldade para estudar, na aldeia os índios estão descalços, sem camisa, mas desse jeito não podem entrar na escola da cidade…

Nos não queremos nada de ninguém, nós só estamos querendo trocar, um pouco do que agente tem, por um pouco do que outros tem, sem obrigarninguém.

Salmã:

Nossa vida é sempre buscando alguma coisa, o estamos trabalhando na roça ou pescando o trabalhando em casa ou fazendo artesanato. Muitas vezes nos sai nos lugares para vender nosso artesanato, fazer apresentações, palestras…. Assim é a vida do índio de hoje em dia. Nós sofremos muita descriminarão, mas nos não acostuma a discutir, acostuma a mostrar, não adianta discutir. Tem muita gente que diz: – vocês não aso índios! E nos costuma disser: Nos somos índio e meio!

Nos temos nossa religião e nos também conhece a de vocês! Porque nossa vida de hoje esta assim, mas o branco não conhece nossa religião, só nos que sabemos; nos conhece os católicos, o candomblé, crente…Já fizemos apresentação em igrejas, em candomblé, em quando nos esta lá não chega nada. Tem pessoas que dizem que nos temos dois Deuses, esta errado, nos temos um Deus só, nos vê de uma maneira, vocês podem ver com a bíblia e orando, nos costuma ver Deus com a Xanduca, fumando!!! O Deus seu é o mesmo que o meu ou que de qualquer um !! Só existe um!!

Se por acaso alguém estiver muito agitado, vai num Pé de arvore, pega a xanduca (cachimbo), fuma e a preocupação desaparece!!

Fikiá:

Eu vivo de meu artesanato, da minha cultura, da minha tradição.

Alguns anos atras, nós índios vivia da caça e da pesca, mas hoje em dia, não existe nem caça nem pesca e para poder sobreviver nos fazemos nossos artesanatos. E fazemos nossos cantos e danças, passando algum conhecimento do dia a dia de nossa cultura e costumes de nossa tribo. È sobre isto que eu vivo e convivo junto com os meus parentes na nossa tribo.

Kaiany:

Me desloquei da minha aldeia a fim de adquirir algo que venha facilitar a vida da minha família, de meus parentes. Com meu artesanato já tenho adquirido algo para sustentar minha família. A vida que nos temos hoje não é como antes que nos tinha as sementes que a natureza nos oferecia, a caça, a pesca, o barro para fazer nossa ceramica.

Agradeço as pessoas que possam nos ajudar porque nos não temos mais como se manter na aldeia sem se deslocar dela.

Durante os dias 22, 22 e 23 os Kariri-Xocó estarão palestrando e vendendo artesanatos no colegio ISBA de Ondina

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2 COMENTÁRIOS

  1. Todas as afirmações acima relatadas são verdadeiras e lamentáveis.Além disso outro fato ocorrido para pior foi o fechamento do posto de saúde da aldeia. Atualmente os índios enfrentam as burocracias do posto de atendimento da cidade mais próxima, Porto Real do Colégio, onde o atendimento preferencial é dado aos brancos que habitam tanto na cidade como nas regiões próximas.No mês de fevereiro deste ano, 2006, todas as tribos de Alagoas se reuniram e denunciaram as mesmas dificuldades, na emissora da Gazeta de Alagoas.É de muita importância no momento atual que este fato seja repensado e reestabelecido visto que o número de idosos e de crianças da comunidade é relevante e necessita de cuidados constantes.Esta é apenas uma pequena colaboração diante de uma realidade muito maior da qual participo no dia a dia. Qualquer dúvida estou à disposição para outros esclarecimentos.

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