A ONG Thydêwá coordenou a campanha ÍNDIO QUER RESPEITO

A ONG Thydêwá coordenou a campanha ÍNDIO QUER RESPEITO realizada pelos Tupinambá. Entre os dias 8 e 15 de março desenvolveu junto aos índios dinâmicas de conscientização sobre seus direitos e deveres, com a participação dos advogados Maia Gelman Amaral e Carlos Chaves, para pensar juntos as problemáticas relacionadas aos direitos humanos. Ao evento se somou Lenoir Tibiriçá, liderança Xucuru-Kariri, para trabalhar no fortalecimento de 17 guerreiros jovens Tupinambá, que durante vários dias treinaram como buscar melhorar as relações com seus vizinhos, preparando o batalhão nas artes da palestra escolar. No sábado 15, o presidente da ANAI, Guga, compareceu para ajudar no trabalho sobre “As formas pacificas de retomar a Terra”.

Segunda-feira (17) o batalhão dividiu suas tarefas e 12 guerreiros visitaram várias escolas de Ilhéus, onde os índios entravam nas salas de aula para um bate-papo de 20 minutos e convidar os não-índios a pactuar uma aliança de RESPEITO. Em cada escola os índios ofereceram alguns cantos e danças sagrados, inclusive permitindo a participação das crianças que entravam na roda e também respondiam os coros. Nas sexta feira, já eram 15 mil alunos contatados. Enquanto isso, outros índios deram entrevistas nas rádios Cultura, Gabriela e Santa Cruz, outros foram nas televisões Santa Cruz (Globo), Cabrália e outras. Na sexta-feira, 21, Dia Internacional da Luta contra a Discriminação, ÍNDIO QUER RESPEITO chegou à Universidade, recebendo a visita do presidente da Funai, Eduardo Almeida. “A gente quer que o Brasil assuma sua face, pluriétnica e pluricultural, temos o privilegio de ser o país da mistura. É difícil hoje ver um índio sem mistura, como também a sociedade não-índia é extremamente misturada. Nós todos temos essa raiz, então eu diria temos que RESPEITAR os índios também como uma forma de RESPEITO a nós próprios”.

A cacique Tupinambá Jamopoty, por seu turno, rebateu: “Dizem que nós não somos índios por causa de nossas características físicas, esquecendo-se de que nossas índias foram estupradas… E nós com nosso cabelo e nossa cor hoje um pouco diferente estamos buscando respeito e igualdade, nós queremos viver em harmonia com todos e sem medo… Hoje vivemos uma vida muito difícil, não temos nossa terra, não temos o direito de ir e vir, não podemos caçar nem pescar porque nosso espaço está cheio de placas que dizem PROPRIEDADE PRIVADA NÃO ENTRE!”.

Da Câmara Municipal de Ilhéus, a vereadora Marlúcia Paixão destacou: “Queremos parabenizar a iniciativa da ong Thydêwá que durante esta semana toda tem feito visitas nas escolas e tem levado o tema ÍNDIO QUER RESPEITO para a mídia. Acredito que com campanhas como estas acaba o preconceito e a discriminação que nós sabemos ser fruto da desinformação e desconhecimento”. Também a Secretaria da Educação se manifestou, através de Célia Daud: “Estamos alegres de ver a receptividade que está tendo esta campanha. Todos somos um pouco índios e um pouco negros e por isso o desrespeito nos choca, mas estamos aqui porque acreditamos no diálogo, no crescimento”. O representante do DCE da Universidade Estadual de Santa Cruz, Israel Nunes, comentou ser “muito importante trazer a comunidade indígena para dentro da Universidade para discutir os nossos problemas, estamos abrindo as portas para ver como a sociedade brasileira pode pagar seu débito com as tribos indígenas. Temos que entender que as culturas são diferentes e não podem ser julgadas por isso.”

No sábado, 22, para fechar a campanha, realizou-se um grande encontro na praça de Olivença, centro das comunidades Tupinambá, onde o presidente da FUNAI, a Cacique Jamopoty, a Cacique Pataxo Hãhãhãe Si, o cacique Pataxó Hãhãhãe Luiz, a procuradora da República Sheila Brasileiro e outras lideranças confraternizaram com o povo Tupinambá que festejou com o PORANCIM, ritual tradicional.

Esta campanha foi patrocinada pela Ford Foundation, através da CERIS – Centro de Estatística Religiosas e Investigações Sociais, que premiou esta iniciativa da Thydêwá guiada pela DECLARAÇÃO DURBAN, surgida da 3ª Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, que somou como parceiros a UNESCO, a Prefeitura de Ilhéus e sua Secretaria da Educação, a Tempo Propaganda e a Câmara de vereadores local.

Veja também: Hoje nos não temos nossa terra.

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