As lideranças Pankararu reunidas neste dia 19 de janeiro do corrente ano tomaram uma decisão de acionar o MPF para atuar em defesa dos direitos constitucionais indígenas conquistados, que estão sendo usurpados pelo DSEI-PE.

A nossa comunidade está sendo desrespeitada e não está sendo levada à sério quando pede a gestão do DSEI prioridade e respeito às especificidades do nosso povo.

Nos últimos meses, sem sermos consultados, soubemos que o DSEI-PE contratou um enfermeiro não indígena da cidade de Tacaratu, então nos reunimos enquanto Conselho Local de Saúde Pankararu e discutimos a cerca desta contratação e por unanimidade fomos contrários, pois ao longo dos anos estamos dialogando e tem ficado acordado entre instituição e comunidade que ao surgir uma vaga a ser preenchida na saúde indígena Pankararu que se dê prioridade a um indígena formado para tal função, e se na comunidade não tiver o profissional só assim poderá vir outro profissional não pertencente à comunidade. Encaminhamos nossa decisão contrária ao DSEI-PE que imediatamente comunicou ao enfermeiro não indio que não fosse trabalhar em Pankararu, transferindo-o para a Terra Indígena Entre-Serras.

Pensamos que a situação estava resolvida, mas pelo contrário, só aumentou a dimensão do problema, pois fomos comunicados pelo chefe do DSEI-PE que haveria um processo seletivo público para contratação de um enfermeiro para atuar dentro do povo Pankararu. Na ocasião conversamos com este gestor para que fosse dada a oportunidade aos indígenas devidamente habilitados, pois na comunidade Pankararu existe quatro enfermeiros locais com formação específica para o cargo.

Neste pleito, dois dos enfermeiros índios enviaram seus currículos em tempo hábil, mas na reunião do Conselho Distrital ocorrida em Recife, o chefe do DSEI-PE comunicou ao cacique Pedro Monteiro da Luz e todos que se encontravam presentes na reunião que nenhum indígena Pankararu havia enviado currículo. No mesmo dia, o cacique entrou em contato com um dos enfermeiros em questão, que dirigiu-se ao DSEI, onde ocorreu uma breve conversa entre o chefe do DSEI-PE e os caciques Pankararu: Pedro Monteiro e José Auto. Na ocasião, o currículo do mesmo não foi encontrado em nenhum lugar, e este foi questionado se tinha como provar que tinha enviado seu currículo, que comprovou por meio de confirmação de recebimento em seu e-mail e a partir desse momento, não tivemos nenhuma explicação plausível do que tinha acontecido de fato. O enfermeiro indígena imprimiu outro currículo e entregou a chefe do DSEI a pedido do mesmo. Em seguida foi chamado novamente pelo chefe do DSEI e informado que ele não preenchia os requisitos, pois neste chamamento eram exigidos dois anos de experiência para preencher o cargo.

O currículo da outra enfermeira indígena nunca foi encontrado nem se soube o que aconteceu.

Esta semana foi publicado o resultado do chamamento e mais uma vez um enfermeiro não índio da cidade de Tacaratu nos foi empurrado de “goela abaixo”. A partir daí, percebemos que poderia estar havendo uma espécie de manobra intencionalmente elaborada para excluir os nossos indígenas do pleito. Diante do exposto, nos reunimos e resolvemos encaminhar essa denúncia ao MPF contra o DSEI-PE quanto a este chamamento que desrespeita mais uma vez a nossa organização interna e o que defendemos como princípio básico da nossa organização social. Este chamamento caminha contrário a tudo que o movimento indígena vem construindo ao longo dos anos. Assim sendo, nem era necessário existir uma política de atendimento específico à saúde indígena no Brasil e equipe multidisciplinar de saúde indígena. Ultimamente o movimento indígena tem lutado para garantir a efetivação dos direitos previstos na CF/1988 aos povos indígenas e aos inúmeros funcionários que prestam serviço nas aldeias, sejam índios e não índios, até porque sabemos que virá um concurso público pela frente e desde que foi criada a SESAI, estamos reivindicando a inclusão de critérios dentro de um edital específico que priorizem as nossas especificidades e que os trabalhadores das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena tenham reconhecimento pelos anos dedicados a saúde indígena e que na hora da construção dos critérios de avaliação esse fato seja bastante considerado, tendo inclusive peso decisivo para efetivação profissional.  Por isso, não entendemos o porquê dessa problemática, enquanto tem se lutado para garantir que indígenas tenham espaço na saúde indígena nos deparamos com essa situação que exclui esses direitos das pessoas formadas, diga-se de passagem, com muito esforço pessoal para que venham posteriormente prestarem serviço ao seu povo aqui, no Estado de Pernambuco.

Se pararmos um pouco para pensar vamos enxergar que isso vem na contramão de nossa luta por uma política específica e diferenciada. É só lembrar que em todas as universidades federais abriram ou irão abrir cotas para índios, mas o porquê disso: será que é apenas para que o índio se forme e tome seu destino longe da aldeia ou será que é uma forma deste indígena ajudar a sua comunidade prestando serviço a mesma?

Outra situação se trata dos carros locados que prestam serviço de urgência e emergência à comunidade e que há mais de três meses se encontram parados e deixando a comunidade desassistida. Diante dessa situação caótica, os motoristas desses veículos alegam atraso de pagamento de seus vencimentos. Agora quando as pessoas da comunidade precisam ir ao hospital buscar um atendimento que não foi possível ser realizado na aldeia por questões técnicas são obrigadas a ir à pé ou fretando carros, mesmo  sem condições financeiras.

O Conselho Local de Saúde, lideranças e os chefes de contrato, por diversas vezes tentaram diálogo com essa empresa (INOVE Locadora de veículos de Petrolina-PE), também solicitamos informação ao DSEI-PE, que respondeu que estava repassando os pagamentos em dia para a empresa, mas até hoje os donos dos carros locados afirmam que a empresa locadora não vem cumprindo com os pagamentos. Por isso, resolvemos encaminhar denúncia ao MPF, pois o DSEI-PE já tem argumentos suficientes para descredenciar a empresa INOVE por irregularidades nos pagamentos. E também por não concordarmos com esse modelo de pregão eletrônico que não atende as nossas especificidades. Os donos de carro locados são obrigados a trabalhar 24 horas, e muitas das vezes não tem o dinheiro para abastecer seus veículos devido falta de pagamento. Precisamos de um modelo de contrato que se adeque a nossa realidade, onde o profissional que vá prestar o serviço tenha condições de trabalho, para assim prestar um serviço de qualidade social ao indígena.

Lutamos por melhores condições de trabalho para os donos de contrato, que neste pleito também sejam colocados dois motoristas por veículo, onde a carga horária seja dividida entre ambos, dessa forma não sufoca apenas um motorista que tem que prestar assistência durante o dia e a noite.

Por esses motivos é que encaminhamos denuncia ao MPF, FUNAI, SESAI/BSB, para que os nossos direitos não sejam violados e nem esquecidos, pois para conquistá-los tivemos e continuamos com muita luta e é assim que iremos permanecer para que o nome dos Povos Indígenas e a nossa história de luta seja sempre honrada. Não podemos nos calar diante das atrocidades acometidas por alguns órgãos, principalmente o que cuida da saúde dos povos indígenas.

 

Lideranças do Povo Indígena Pankararu

 

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21 COMENTÁRIOS

  1. Que falta de transparencia do dsei…muito bom ver quando os índio conseguem se organizá dessa forma parabens!! Tem que acionar Ministério Público sim, pra ver se o pessal levam mais a sério a questão do índio.

  2. Meus caros parentes, realmente não consigo entender o porque nos povos indígenas damos o máximo para nos qualificar estudando interno e externamente de nossas terras com o objetivo de retornar-mos e exercer nossas atribuições enquanto profissional capacitado em nosso território e não temos essa oportunidade. Justamente porque alguns órgãos colocam pessoas com cargos de confianças e não cargos de qualificação e concursos. Preferem colocar pessoas do mesmo caldeirão justamente para manipula-los.
    Isso é uma vergonha. Esse DSEI-PE tem que valorizar mais os indígenas profissionais que estão cada vez mais se qualificando, pois não há nada melhor que andar-mos com nossas próprias pernas abasta termos oportunidades pois somos capaz.
    E a cadeia hereditária continua, entra governo e sai governo e chefe e sai chefe e a usurpação dos nossos direitos e o dinheiro público continua indo parar nos bolsos dos senhores mandatários, até quando essa cadeia alimentar da corrupção vai deixar de matar o povo? Pois esperamos respostas e para isso vamos continuar acreditando na justiça do homem, pois de uma eu tenho certeza que a Justiça Divina não falhará.
    Parabéns pelo texto parente e ressalto aqui minha nota de repúdio a essa malandragem e manobras do DSEI-PE.

  3. Parabéns !!!!! Povo Pankararu… chega de tanto descaso. Voces sabem que coordenei o posto Pankararu por 5 anos e no momento em que mais o povo Pankararu precisou da DSEI, A funai RECEBEU FOI OFICIOS DE DESAFORO E DESCASO. Não falo aqui do polo local até mesmo porque sei do esforço que Carmem e Roseli tem desprendido para fazer funcionar. Lembro da situação de uma indígena do Caldeirão que morreu em deslocamento para São Paulo e o Dsei simplesmente fez pouco caso. Tendo a Funai que assumir o ônus que Eles sabem que não é dela… E se quiserem posso provar.

    Pois bem podem contar sempre com seu amigo aqui.. e se precisarem de uma testemunha podem contar comigo. O GOVERNO TEM QUE APRENDER A RESPEITAR OS DIREITOS DOS ÍNDIOS
    ADQUIRIDOS COM TANTA LUTA.

  4. A situação da saúde em Pankararu está realmente um caos, o que revela a decadência do atendimento e o sucateamento da infra-estrutura da saúde indígena. Os problemas relacionados à gestão de recursos e às atribuições que os conveniados deveriam estar executando estão no centro da situação calamitosa denunciada aqui por nós índios. Mesmo com a destinação de milhões de reais repassados aos DSEIs anualmente, a morosidade e a burocratização no repasse dos recursos federais às entidades conveniadas causam constantes atrasos no pagamento de salários e na quitação de dívidas com os fornecedores. A eficiência na compra de medicamentos e na contratação de profissionais prioritariamente indígenas revelaram-se ineficientes e manipulativas, consumindo os recursos públicos enquanto a situação sanitária nas áreas indígenas piora.

  5. Resposta
    O modelo de contratação para a saúde indígena vigente tomou vulto nos 34 distritos á partir de dezembro de 2011, e o controle social indígena participou ativamente do processo de seleção das entidades e habilitação das mesmas, embora saibamos que o modelo ainda não atende na integra as necessidades da politica de saúde indígena, mais proporcionou aos trabalhadores da saúde indígena um melhor conforto, sendo todos os profissionais contemplados, especificamente em Pernambuco o bônus foi do controle social da saúde indígena que construiu com as bases critérios rígidos para seleção e classificação dos profissionais, vale salientar que a etnia Pankararu foi pioneira em exigir do DSEI Pernambuco modelo de seleção para os contratos que outrora funcionava mediante indicação das lideranças ou comunidade, teve casos até de sorteio para agente de saúde, com o nível de informação que o povo indígena de Pernambuco inclusive Pankararu tem hoje, será que esse modelo é adequado? Gente estamos falando de profissionais que irão cuidar da saúde da comunidade, a definição de critérios é logico e necessário, mesmo com todas as dificuldades o DSEI Pernambuco já incluiu na saúde indígena mais de 80% de profissionais indígenas, Lembrem-se que Pankararu de um universo de mais de 60 profissionais apenas 5 são não índios, devemos no mínimo avaliar os resultados desta luta e não desprezar as oportunidade legitimas de inclusão já conquistado. Para melhor esclarecer os equívocos a cerca da contratação do enfermeiro citado nesta publicação discordo que ouve desrespeito com o controle social, por que o conselho distrital instância máxima de deliberação vem discutindo critérios. A instituição responsável pelas contratações em Pernambuco é o IMIP renomada referencia no Brasil, e estão acompanhando os resultados positivos da saúde indígena sendo o DSEI Pernambuco referencia nacional e muito dignamente os nossos profissionais estão competindo no páreo de igualdade; carecemos de saúde educação de qualidade e para isso dependemos de experiência profissional e critérios rígidos de seleção.
    Em setembro de 2012, os assessores indígenas e o coordenador do distrito, participaram de uma audiência pública na 6ª Câmara em Brasília, com a presença de vários procuradores da república para discussão á cerca do modelo de contratação para a saúde indígena. Pernambuco que sempre ocupou um espaço de relevância na organização do controle social da saúde indígena a nível local, distrital e nacional, mais uma vez ocupou e conquistou um importante espaço no cenário nacional por apresentar uma proposta de inclusão dos trabalhadores principalmente os indígenas que já atuam na saúde indígena.
    Com relação aos serviços de transporte, reconhecemos as dificuldades relatadas, e afirmamos que realmente os serviços de deslocamento de pacientes estão totalmente paralisados á partir de 07 de dezembro de 2012. Informamos que o DSEI-PE já tomou todas as medidas cabíveis com a empresa contratada. No que se refere ao modelo de contrato firmado entre INOVE e locatários a gestão do DSEI não participou em nenhum momento das negociações, por isso fica claro que a autonomia do povo vem sendo preservada e respeitada pela gestão.
    Hoje estou na acessória da saúde indígena para o controle social, me orgulho da luta e das conquistas e sempre com plena participação da gestão da saúde indígena de Pernambuco e do controle social formados pelos conselhos locais e distrital, quando erramos ou acertamos as ações são conjuntas e os conselheiros podem ter dificuldade na compressão ampla da politica mais participam das decisões.

  6. é isso não podemos deixar que isso tudo aconteça,ate porque somos conhecedores dos nossos direitos e merecemos ser respeitados.Nós pankararus sempre buscamos honrar a nossa luta e é diante desses problemas que procuramos cada vez mais a união e fortalecimento.

  7. Fasso minha as palavra da parenta Carmem Pankararu e acrescento outras contribuições. O modelo de contratação para a saúde indígena vigente tomou vulto nos 34 distritos á partir de dezembro de 2011, e o controle social indígena participou ativamente do processo de seleção das entidades e habilitação das mesmas, embora saibamos que o modelo ainda não atende na integra as necessidades da politica de saúde indígena, mais proporcionou aos trabalhadores da saúde indígena um melhor conforto, sendo todos os profissionais contemplados, especificamente em Pernambuco o bônus foi do controle social da saúde indígena que construiu com as bases critérios rígidos para seleção e classificação dos profissionais, vale salientar que a etnia Pankararu foi pioneira em exigir do DSEI Pernambuco modelo de seleção para os contratos que outrora funcionava mediante indicação das lideranças ou comunidade, teve casos até de sorteio para agente de saúde, com o nível de informação que o povo indígena de Pernambuco inclusive Pankararu tem hoje, será que esse modelo é adequado? Gente estamos falando de profissionais que irão cuidar da saúde da comunidade, a definição de critérios é logico e necessário, mesmo com todas as dificuldades o DSEI Pernambuco já incluiu na saúde indígena mais de 80% de profissionais indígenas, Lembrem-se que Pankararu de um universo de mais de 60 profissionais apenas 5 são não índios, devemos no mínimo avaliar os resultados desta luta e não desprezar as oportunidade legitimas de inclusão já conquistado. Para melhor esclarecer os equívocos a cerca da contratação do enfermeiro citado nesta publicação discordo que ouve desrespeito com o controle social, por que o conselho distrital instância máxima de deliberação vem discutindo critérios. A instituição responsável pelas contratações em Pernambuco é o IMIP renomada referencia no Brasil, e estão acompanhando os resultados positivos da saúde indígena sendo o DSEI Pernambuco referencia nacional e muito dignamente os nossos profissionais estão competindo no páreo de igualdade; carecemos de saúde educação de qualidade e para isso dependemos de experiência profissional e critérios rígidos de seleção.
    Em setembro de 2012, os assessores indígenas e o coordenador do distrito, participaram de uma audiência pública na 6ª Câmara em Brasília, com a presença de vários procuradores da república para discussão á cerca do modelo de contratação para a saúde indígena. Pernambuco que sempre ocupou um espaço de relevância na organização do controle social da saúde indígena a nível local, distrital e nacional, mais uma vez ocupou e conquistou um importante espaço no cenário nacional por apresentar uma proposta de inclusão dos trabalhadores principalmente os indígenas que já atuam na saúde indígena.
    Com relação aos serviços de transporte, reconhecemos as dificuldades relatadas, e afirmamos que realmente os serviços de deslocamento de pacientes estão totalmente paralisados á partir de 07 de dezembro de 2012. Informamos que o DSEI-PE já tomou todas as medidas cabíveis com a empresa contratada. No que se refere ao modelo de contrato firmado entre INOVE e locatários a gestão do DSEI não participou em nenhum momento das negociações, por isso fica claro que a autonomia do povo vem sendo preservada e respeitada pela gestão.
    Eu sou do Povo Truká de Orocó, sou Conselheiro Local e Distrital, fui eleito na minha comunidade para representar meu povo no CONDISI/PE, fui indicado pelo CONDISI/PE para assumir a função de assessor indígena do DSEI/PE, esta contratação e prerrogativa do coordenador do DSEI/PE, só que o mesmo submeteu a apreciação do CONDISI/PE e aceitou as orientações este ato mostra o respeito que o DSEI/PE tem com os povos indígena, hoje estou na acessória da saúde indígena para o controle social, juntamente com a parenta Carmem Pankararu, me orgulho da luta e das conquistas sempre com plena participação da gestão da saúde indígena de Pernambuco e do controle social formados pelos conselhos locais e distrital, juntamente muitas lideranças indígenas quando erramos ou acertamos as ações são conjuntas e os conselheiros e lideranças podem ter dificuldade na compressão ampla da politica mais participam das decisões.

    Todas as ações desenvolvidas pelo DSEI/PE têm como base as proposições do Conselho Local de Saúde Indígena – CLSI, que subsidia as deliberações do CONDISI/PE, que é órgãos colegiados de caráter permanente e deliberativo.
    Todas as decisões de Gestão do DSEI/PE têm como base legal as consultas previas e informada ao CONDISI/PE e lideranças.
    O CONDISI/PE discutiu de forma aprofundada com a participação de muitas lideranças e Caciques e deliberou que todas e quaisquer contratação de nível superior devem seguir aos critérios estabelecidos pelo DSEI/PE, além das competências técnicas de avaliação do DSEI/PE, tem também as experiências frustrantes de profissionais indígenas e não indígenas indicados por lideranças e comunidades que criaram muitos problemas de natureza imprudente, negligentes e imperitos, trazendo sérios riscos à saúde da comunidade indígena, foram estes os motivos que todos os conselheiros lacais com concordância de muitas lideranças e representantes indicados pelos seus respectivos povos que hoje compõem o Conselho Distrital, passaram a delegar ao DSEI/PE, toda a competência de critérios, seleção e contratação destes profissionais.

    Ailson dos Santos.
    Liderança Indígena.
    Povo Truká de Orocó/PE.

  8. AS AÇÕES DO DSEI-PE SÃO ENCAMINHADAS DOS CONSELHOS LOCAIS PARA O CONSELHO DISTRITAL, ONDE É DISCUTIDO NO PLENO E APROVADO OU NÃO POR REPRESENTANTES DE TODAS ETNIAS DE PE .
    SENDO ASSIM O DSEI-PE SÓ EXECUTA ALGUMA AÇÃO COM DELIBERAÇÃO DO CONSELHO DISTRITAL.

  9. Parabéns as lideranças pankararu que tiveram essa iniciativa de fazer uma denúncia de desrespeito com nossos direitos garantido na (CF DE 88).Esta denúncia me fez lembrar neste momento o ano de 1986 em que iniciei meus estudos em tacaratu/PE. Nessa época uma boa parte do povo dessa cidade davam risada dos caboquinhos dos pés sujos, mas logo superamos essa fase com muita luta e conseguimos fazer um curso superior em várias partes do Brasil, motivo esse que nos dá muito orgulho de ser um cidadão Pankararu ,pois a educação,o saber e o conhecimento causa respeito em toda sociedade.Isso é percebido quando vamos passear nas cidades vizinhas das aldeias pankararu,não somos tão ridicularizados como antigamente, uma vez que o governo federal deu oportunidade aos indígenas de ingressar e estudar em uma faculdade para depois retornar a suas comunidades e trabalhar com responsabilidade.
    A cobrança deve ser a mesma, Mas se o índio não pode trabalhar na sua própria comunidade onde ele vai trabalhar? Outros profissionais devem ser aproveitados sim, mas nós filhos da terra tem de estar em primeiro lugar e se ele não corresponder a autura da necessidade local que o mesmo seja punido diante da lei, além disso, perder o currículo de um índio no momento da seletiva é muita prepotência e um pouco de ignorância.Vale ressaltar que O transporte da saúde indígena pankararu é um absurdo, visto que os pacientes estão pagando frete para consultar com o médico na cidade e muitos deles não têm dinheiro. Diante do que foi exposto, Quem não se comove com uma situação dessa? Vamos olhar com mais carinho e respeito a saúde indígena pankararu.

  10. Boa tarde sou Welton Oliveira, indígena Pankararu, enfermeiro, Pós-Graduado em Saúde Indígena pela UNIFESP, Mestre em Enfermagem com ênfase em Promoção e Vigilância à Saúde pelo Programa Associado de Pós-graduação em Enfermagem UPE/UEPB, respectivamente Universidade de Pernambuco/ Universidade Estadual da Paraíba. Destes considero o privilégio de ser indígena o mais importante por se tratar de algo único herança que recebi desde meu nascimento. Como todos podem observar na reportagem sou um dos indígenas que teve seu currículo excluído da pré-seleção para contratação de enfermeiros para a aldeia Pankararu, diferente dos demais tive a oportunidade de pessoalmente me dirigir ao DSEI-PE, lá pude constatar que o currículo que enviei em tempo hábil não havia sequer sido impresso, depois de comprovar que realmente tinha enviado fui informado que não possuía um dos pré-requisitos que era justamente o tempo de experiência. Me parece um tanto redundante pedir experiência para um indígena trabalhar em sua aldeia, o fato é que nenhuma explicação plausível foi enviada, considero ultrajante a forma como os indígenas que se preparam adquirem norral (know-hall), tem o sonho de retornarem as suas aldeias como profissionais são desconsiderados. Desta forma lhes pergunto cadê o pioneirismo relatado existente em Pankararu, será que o IMIP renomada instituição referência no Brasil esta sabendo que os currículos dos indígenas não foram sequer impressos? São dúvidas que serão esclarecidas cedo ou tarde.
    Aproveito o espaço para relembrar a todos que a “Plenária da II CNS-PI realizada em Luziânia – GO, no período de 25 a 27 de outubro de 1993, vem apoiar e acatar o seguinte encaminhamento: que na contratação e formação dos quadros profissionais para o atendimento à saúde nas áreas indígenas seja dada preferência às pessoas indígenas, se possível pertencentes às etnias junto às quais irão atuar” (BRASIL, 1993).
    Jonas Welton Barros de Oliveira
    Indígena Pankararu
    Mestre em Enfermagem Promoção e Vigilância a Saúde
    Especialista em Saúde Indígena

  11. Inicialmente, quero parabenizar as verdadeiras lideranças e representantes Pankararu, pela ação coletiva de reivindicar aquilo que é nosso por direito, consagrado na Constituição Federal de 1988, e nos diversos instrumentos jurídicos nacionais e internacionais. Estamos passando por tempos difíceis, numa era marcada pela crise de paradigmas, onde velhos conceitos como: REPRESENTANTE DE UM OU VARIOS POVOS, devem ser revistos… Preocupa-me muito, analisar, se verdadeiramente alguns representantes estão defendendo seus interesses como indígena e/ou os interesses do povo. O que ocorre de fato, é que algumas instituições que durante décadas, talvez (…), séculos, estão se utilizando de uma nova roupagem para dar continuidade ao seu projeto colonizador e que para nós, não merecem, mas a nossa hospitalidade.
    A assistência à saúde indígena em Pankararu, e acredito que em todos os povos de Pernambuco e por fim, de todo o país, tem se tornado um agravante. Pois em nosso povo não tem ocorrido à devida atenção nem o devido respeito à organização interna de nossas lideranças, principalmente no que diz respeito àquilo que acreditamos ser de fundamental importância para o fortalecimento de nossas comunidades. Visto ainda que se torna perplexa a situação do DSEI – PE, através de 1, 2, … pessoas, usurpar ou usurparem o direito de indígenas exercerem suas profissões nas suas respectivas comunidades, dificultando o ingresso dos mesmos no desejo de colaborarem com o controle social de sua aldeia. Na medida em que isso ocorre percebe-se que esta instituição de atenção à saúde indígena? (…) negligencia os interesses e os problemas das respectivas comunidades escondendo-se por trás daqueles, que a meu ver, defendem os interesses das minorias, que são as comunidades a que representam e/ou pertencem, para justificar o desejo possessivo de massacrar com os povos indígenas de Pernambuco, ficando a mercê do caos e das insatisfações que causa em nossas comunidades.
    É por este e muitos outros motivos meus parentes, que devemos apoiar esta causa. Não devemos permitir que o sangue que foi derramado durante séculos de opressão, marginalização, preconceito, desrespeito a dignidade humana, e genocídios durante os diversos fatos que ocorreram nas historias de resistência dos povos indígenas deste país, sejam menosprezados.

    Não devemos reconhecer o verdadeiro guerreiro apenas por sua origem étnica, mas também pelo seu caráter.
    Caros parentes/irmãos indígenas, sejamos sábios em nossas decisões, pois devemos utilizar-se de uma visão multifocal, para identificarmos quem defende os nossos inimigos ou nossos irmãos de sangue.

    Tiago Pankararu
    Representante Pankararu – APOINME

  12. Eu sou aparecida Pankararu, da terra indígena Entre Serras, sou conselheira local, conselheira distrital e conselheira estadual, representando os indígenas de Pernambuco.
    Venho dizer que o DSEI-PE desde 1999 preza pelo respeito aos povos indígenas e principalmente as lideranças tradicionais de base, estou no controle social ao longo desses 13 anos, sempre o distrito de Pernambuco discutiu com os conselhos locais as ações de saúde, que por sua vez são deliberadas no conselho distrital. Ao longo desses anos, erramos e acertamos, tentando sempre corrigir os erros para prestar uma saúde digna e de qualidade aos povos indígenas de Pernambuco. Nos erros percebemos que a forma que adotamos para a contratação dos profissionais para trabalhar na saúde indígena não era a ideal, pois ao avaliarmos os trabalhos desenvolvidos, o controle social constatou que alguns profissionais não se identificaram com a função que desenvolviam em suas comunidades, prejudicando as ações de saúde desenvolvidas do DSEI-PE.
    Com essas informações levadas ao CONDISE-PE, o colegiado deliberou que para trabalhar na saúde indígena os profissionais deveriam passar por um processo seletivo, tanto os indígenas quanto os não indígenas, o que já acontece desde 2006. Em relação à matéria em questão, afirmo com toda a segurança da responsabilidade, transparência e respeito que o DSEI-PE tem com os indígenas de Pernambuco, desenvolve um trabalho em consonância com os conselhos locais e lideranças, o que me espanta é que o chamamento público para o processo seletivo foi discutido na reunião do conselho distrital, onde estavam presentes todos os conselheiros e caciques das etnias de Pernambuco, e nenhum dos presentes se manifestou contra o chamamento público, nem mesmo os pankararu, ou seja, quem cala consente.
    Dessa maneira, cada povo que se sentir prejudicado deve rever suas representações, que não estão levando as devidas informações para as bases, reunindo o conselho local e repassando as deliberações que foram aprovadas no conselho distrital.
    Deixo claro que defendo a mão de obra indígena, desde que cada um de nós façamos o nosso trabalho com responsabilidade, será que estamos promovendo saúde de qualidade para o nosso povo ou simplesmente recebendo o salário no final do mês?
    Quanto às denúncias, espero que o MPF apure os fatos, eu enquanto conselheira de DSEI-PE estou inteiramente à disposição para quaisquer esclarecimentos.

    Aparecida Gomes da Silva Pereira
    Conselheira local do povo Pankararu Entre Serras

  13. A mobilização é uma estratégia de conscientização e de denúncia de injustiças. Essa estratégia tem sido utilizada ao longo do processo de dominação impostor pelo poder vigente. ACORDA PERNAMBUCO levanta com altivez teu rosto em direção ao horizonte, para ver e reconhecer que a população indígena exige respeito a sua identidade e a sua cultura. A comunidade indígena pernambucana enaltece com sua conscientização e mobilização em defesa de seus direitos, a dignidade da essência humana e o poder constituído pela soberania do respeito à natureza e as crenças que regem o convívio em sociedade. Não há mais espaço para posturas levianas de dominação, pois o processo de colonização e catequeze não têm como ser reproduzido impunemente. Estamos todos acreditando que prevalecerá a justiça, ainda que para isso permaneçamos perseverando e acreditando que a irmandade ainda prevalecerá para um mundo mais justo. O Jonas Welton indígena Pankararu, ousou lidando com os inúmeros desafios, concluiu de modo brilhante seu curso de Graduação em Enfermagem, especialização em população indígena pela FIOCRUZ e Curso de Mestrado em Enfermagem pela Universidade de Pernambuco, e deseja apenas poder dedicar o conhecimento conquistado com muito esforço em favor do seu povo. Uma proposta política comprometida com o fortalecimento dos princípios do Sistema Único de Saúde reconheceria com clareza a inovação e oportunidade de desenvolver um modelo de atuação DSEI – PE a ser exemplo para todo país. Jonas eu compartilhei com você, como sua professora durante seu percurso na formação profissional, momentos de desafios e de conquistas, pois você enfrentou todas as dificuldades com uma postura de equilíbrio e coerência incontestável e nunca esqueceu seu povo, sempre questionava e queria aprofundar os conhecimentos e as discussões para as demandas e realidade de sua etnia. Continuamos na luta. E espero profundamente que PERNAMBUCO tenha a competência para efetivamente avançar nas políticas públicas das populações indígenas

  14. Caríssímos irmãos indígenas: Parabéns pela decisão de acionar o Ministério Público, infelismente fico revoltado com a coisa, essa coisa (SESAI) tem poder de contratar quantos funcionários (Cala bôcas) quiserem e não tem autonomia em melhorar nada para nós indigenas. A coisa usa a Educação para aliviar suas dores, magoas e repúdios,como se as escolas fossem pinicos,seus funcionários, usando um site de relacionamento(indiosonline) para se destacarem, simplismente eu sou um ser Pankararu que ao longo dos 17 anos como aliado a Educação de Pankararu, eu nunca houvi dizer que alunos mendingassem em porta de escola,morressem a falta de um professor, a falta de um livro enquanto os doentes são obrigados a morrerem ou na estrada, ou nos leitos dos hospitais, falta de atendimentos especializados como diz a Lei, fome e miséria,abrigos inadequados, O nosso ex- Chefe Dr: Clênio foi feliz quando se coloca a disposição , porque ele conheceas as Leis e as Maracutaias que só será desvendada com a presença da imprença, jornal, tv, sites e o Ministério Público, só assim arrancarão as mascaras de quem estão por trás desta falça maquiagem feito Judas o traidor.(Beijos de um gato com sabor de um rato.

  15. Primeiramente gostaria de salientar que toda forma de manifestação em defesa dos direitos individuais ou coletivos é válida. Portanto, devemos
    acompanhar o resultado da apuração dos fatos por parte das autoridades competentes para descobrirmos o que realmente aconteceu. Em relação aos currículos dos candidatos indígenas que não apareceram no setor de seleção, deve-se apurar com extremo rigor o que de fato aconteceu. Erro? ou má fé?
    Contudo, sabemos que Pankararu tem diversos problemas na organização interna, por isso é preciso refletir se o problema está no DSEI, ou na organização interna.
    Irmãos Pankararu, a nossa luta é grande, e não é uma luta contra o invasor. É uma luta interior. Precisamos deixar de lado nossas diferenças e unirmos força para que todos alcancem seus objetivos.

  16. Boa noite a todos os parente indigenas.Tenho apenas duas questões a levantar:
    A primeira é que se temos indios formados e capacitados para trabalharem na comunidade,por que essa dificuldade toda em contratá-los, principalmente na área de saúde,um dos setores mais carentes que aflige todo o país e ,quando se trata de saúde indígena, aí é que vimos um verdadeiro caos? se temos profissionais do nosso povo e com ótimos curriculos,tem mais é que serem contratados e terem prioridade em relação aos não indígenas.
    Em segundo lugar, essa denúncia feita pelas lideranças indígenas Pankararu,realmente deve ser apurada e esclarecida pelo MPF e comprovando-se irregularidades, o responsável(ou responsáveis) que responda(m) por seus atos.

  17. Parabéns Pankararu pela iniciativa de acionar o MPF!
    Lideres de pankararu força e coragem,pois a batalha árdua e ta só começando.Fico triste em saber que tem liderança sendo coagida e intimidada…a pressão é tanta que chegaram ao ponto de retirar as assinaturas documento q foi enviado ao MPF.por outro lado estou alegre por saber que a maioria das lideranças se mantem firme e forte.este posicionamento de vocês mostra-nos que nossos direitos e a nossa organização interna seja respeitada.Agora me admira vocês parentes e que insistem em defender o Dsei com unhas e dentes até entendo q tenham q defender o “pão q comem” mais gente essa briga é bem maior…pra que essa defesa toda? parece q vcs são contra esta iniciativa? a bandeira q esta sendo erguida é da causa indígena deixe que MPF puna quem for responsável por todos esses acontecimento que vem ocorrendo na aldeia. Pankararu até q enfim abriu os olhos e o ideal seria se todas as aldeias de pernambuco abrissem os olhos também para ver as atrocidades q vem ocorrendo em nosso povo e se levantassem e unissem força juntamente com Pankararu só assim venceremos esta batalha!

  18. Eu como estudante indígena compreendo a situação do índio exposto no texto, assim como ele, sei que durante toda nossa preparação acadêmica ansiamos para concluir nosso aprendizado e partilhar com a nossa comunidade.

    Será que um indígena, que passa anos dedicando-se para aplicar conhecimentos que acrescentarão na comunidade, não está apto para exercer tal função junto aos seus?

    Observei dentre os comentários, a opinião daqueles que falaram em favor do DSEI e mesmo diante de tantas explicações acho que no caso em questão algo ficou obscuro, o desaparecimento dos currículos foi um SIMPLES deslize ou também consta nas orientações do DSEI engavetar currículos indígenas???

    Nós indígenas devemos lutar pela NOSSA causa, o tempo de abaixar a cabeça e aceitar imposições e chantagens já passou! Temos voz e direitos também, por isso, caros irmãos indígenas, diante de ações plausíveis como essas devemos nos unir, uma vez que os frutos colhidos com iniciativas como essas são em prol da comunidade e não apenas para poucos ou alguns.

  19. Parabenizo aos parentes Pankararu pela coragem e iniciativa de denunciar essa farsa existente na saúde Pankararu. É lamentável que ainda existam pessoas com capacidade para dizer que está tudo sob controle e que tudo que acontece é discutido na base…isso é que gostar de puxar o saco!!!
    Agora fala sério!! Como uma pessoa que dedicou todo o seu tempo em busca de aperfeiçoamento profissional,teria tempo para buscar experiência?! Que falta de sensibilidade desses comandantes hein!!
    Que pena que no nosso povo ainda existam pessoas que dão credibilidade e esses manipuladores que procuram calar a boca de alguns com ofertas de emprego e até mesmo ameaças!!Diante de casos como esses, o que se observa é que infelizmente alguns índios preferem não apoiar a causa indígena e continuam baixando a cabeça pra aqueles tidos como “superiores”, seria apenas medo ou troca de favores…?!
    Acorda povo Pankararu !! A ditadura, a era do coronelismo já foi! Que isso seja apurado e que a verdade seja esclarecida. Um abraço a todas as pessoas que tiveram esse ato de coragem.

  20. OI gente… Alguém sabe me informar como que ficou esse ninho de cobras, se o caso foi adiante, ou se os artistas mais uma vez usaram e abusaram da miséria do povo para se beneficiarem como de costumes, se vendem a preço de banana e depois vem falar de Leis…Sugiro que uma comissão formada por cabra macho sem sujeira, nem rabo preso, seja formada inclusive eu. para irmos discutir esses e outros assuntos na SESAI/DF,FUNAI/DF, CONAB/DF E TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO/DF,para mostrar que esses coronéis ditadores são funcionários públicos e que não honram a causa indígena se esquecendo que tens seus superiores lá na fonte Brasília/DF, duvido que lá os ratos queiram comer os gatos.

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