Lideranças guianenses vieram à assembleia em Araçá para conhecer a luta que os índios de Roraima enfrentaram para o reconhecimento de suas terras e a retirada de produtores de arroz de suas terras.

Dois representantes de nove etnias da República da Guiana, na fronteira nordeste de Roraima, participam da 39ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas, que começou neste sábado na Comunidade do Araçá, na região do Amajari. O tuxaua Macuxi Mike Williams e Zacharias Norman vieram ao Estado conhecer a luta do Conselho Indígena de Roraima (CIR).
Uma das principais preocupações apontadas pelas lideranças é com relação ao anúncio que vem sendo feito da possível permanência do produtor de arroz Paulo César Quartiero na Guiana, em terras indígenas guianenses, numa área de fronteira com o Brasil. Mike Williams é do Desenvolvimento da Fronteira do Distrito do Norte do Rupunini (sigla em inglês NRDDB – North Rupunini District Development Board).
Ele disse que veio à assembleia em Araçá para conhecer a luta que os índios de Roraima enfrentaram para o reconhecimento de suas terras e a retirada de produtores de arroz de suas terras. “Estamos aqui para descobrir a verdade sobre os arrozeiros”, disse o tuxaua ao complementar que os indígenas guianenses têm poucas informações sobre esse acordo do arrozeiro com o governo guianense.
Mike Williams lembrou que o coordenador-geral do CIR, Dionito José de Souza, já esteve na Guiana no mês passado para falar da luta contra os arrozeiros e conhecer a realidade indígena do outro lado da fronteira. “O problema que vocês passaram não vai acontecer com a gente”, disse referindo-se aos casos de violência de produtores de arroz com os índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
INTERCÂMBIO – O tuxaua Mike Williams disse que se sente orgulhoso ao saber que os índios brasileiros criaram o CIR, uma instituição citada por ele várias vezes em sua fala como “grande e forte”. Ele mostrou-se interessado em fazer um intercâmbio de formação de lideranças e na área de formação profissional.
Há interesse das comunidades guianenses em fazer um intercâmbio com o Centro de Formação Raposa Serra do Sol, que forma jovens indígenas nas áreas de agropecuária e manejo ambiental integradas ao ensino médio. “Nós temos que estar preparados para tomar nossas próprias decisões”, observou o tuxaua da Guiana.
Ao ficar sabendo do trabalho das lideranças do CIR contra a bebida alcoólica, Williams fez questão de frisar que nas comunidades guianenses os próprios índios vendem cachaça. “Aqui [em Roraima] vocês têm lideranças mais fortes do que temos lá”, frisou.
CIR – O coordenador do CIR, Dionito José de Souza, disse que voltou com boa impressão da visita que fez este ano às comunidades guianenses. Lembrou que lá existem trabalhos que deram certo, como a venda de farinha, milho e beiju para o governo, que destina esses alimentos para a merenda escolar.
Citou ainda o projeto de ecoturismo que dá prioridade para a qualidade, e não para a quantidade. Segundo ele, eles trabalham com aluguel de chalés, os quais são muitos disputados pelos turistas do mundo inteiro. Essa ideia servirá de exemplo para um projeto piloto de ecoturismo no Lago do Caracaranã, na TI Raposa Serra do Sol.
Dionito de Souza aprovou a sugestão de intercâmbio sugerido por Mike Williams e disse que vai levar essa proposta às lideranças do Centro de Formação da Raposa Serra do Sol, pois há interesse do CIR em aprender sobre o projeto dos índios guianeses de cultivo de produtos orgânicos.
Com relação à luta pela retirada de produtos de arroz da TI Raposa Serra do Sol, o coordenador do CIR foi enfático se referindo ao produtor Paulo César Quartiero: “Se vocês querem sofrer, aceitem ele”.

ALEX MAKUXI

FONTE : CONSELHO INDIGENA DE RORAIMA- CIR

WWW.CIR.ORG.BR

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Indígena Makuxi - Raposa Serra do Sol; Acadêmico de História; Militante de Movimentos e Organizações Indígenas: OPIRR< CIR< ODIC< APIRR "Pode até Calar um Índio, Mais a Nação se levanta para Gritar" Alex Makuxi

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