Indígena recebe novas ameaças no MS

A impunidade, que protege da pena o filho de juiz que ateia fogo em indígena em Brasília é a mesma que vem causando mais assassinatos de indígenas em todo Brasil, sempre amparado pelo Estado, ora por negligencia ora decretando a “guerra justa” contra os povos originários. Há mais de quinhentos anos os inimigos dos povos indígenas são os mesmos, apenas mudam suas táticas e estratégias, outrora doando sesmarias e dando ordem para degolar quaisquer e todos povos que estiverem dentro das delimitações da terra dada, hoje “reestrutura” o órgão de proteção aos povos indígenas, burocratizando e dificultando o acesso as politicas publicas, muda as leis, favorecendo o desmatamento e cria mecanismos legais que privilegia a classe antagônica aos interesses dos povos indígenas, elaboram e executam projetos de megaconstruções, impactando as terras indígenas e expulsando seus habitantes para as cidades ou para os confinamentos de reservas minúsculas, onde não poderão ter qualidade de vida.

Assim, temos mais ameaças. O Indígena Guarani Kaiowá que participou de ato em São Paulo, que denunciava os assassinatos e ameaças de lutadoras e lutadores recebe novas ameaças em Mato Grosso do Sul.

O indígena Guarani Kaiowá, Elizeu Lopes foi a São Paulo no ultimo dia 08 de agosto, participar do ato “Erguendo Barricadas! Basta de Assassinatos!”. Na ocasião, Todas e todos militantes ameaçadas/os que compareceram ao ato deram uma entrevista coletiva à jornalistas da imprensa paulista. Elizeu aproveitou para falar da causa indígena, das lutas travadas contra os latifundiários e a demora do Estado brasileiro para demarcar as Terras Indígenas.

No Mato Grosso do Sul os pastos da pecuária, a monocultura da soja, milho e a cana para produção do etanol avançam cada vez mais sobre as Terras que deveriam ser demarcadas aos povos indígenas daquele estado, mas contrariando as leis nacionais e internacionais, o então presidente Lula, com os laudos antropológicos finalizados, o documento de homologação pronto, esteve no Mato Grosso do Sul inaugurando usinas de etanol, não bastando, há indícios de que ele próprio, o Lula tem propriedade de lavoura de cana em terras indígenas naquele estado, informação que precisa ser confirmada pelo Ministério Publico Federal.

Durante a Aty Guasu (grande assembleia do povo Guarani e Kaiowá), realizada entre os dias 19 e 22 de agosto de 2011, onde entre outros assuntos, foram debatidos questões sobre educação indígena, saúde e as demarcações de terras, com a presença da administradora local da FUNAI, Lia, de uma representante de Marcio Meira, atual presidente da FUNAI. Segundo ele, “enquanto não for demarcadas as terras dos povos indígenas, a luta não acaba”.

Elizeu nos disse que precisou ir em sua aldeia logo depois que retornou de São Paulo, para rever a família que há muito tempo não tinha contato com ela.  Durante sua estadia na aldeia, nos primeiros quatro dias, os fazendeiros da região o descobriram por lá.

Elizeu precisou ir no centro da cidade, no município de Coronel Sapucaia, e lá fazendeiros tentaram uma tocaia, a qual não obtiveram sucesso pela destreza do indígena Guarani Kaiowá, que percebera a movimentação e se retirou de imediato.

No mesmo dia que estava sendo cercado por fazendeiros e seus capangas no centro da cidade, Elizeu nos revelou que a policia militar quis lhe prender, por duas vezes, no mesmo dia. Elizeu teve que deixar a aldeia escondido, para que pudesse participar da Aty Guassu, “pra mim não tem mais saída, por lutar por meu direito, direito de minha família, direito da comunidade, direito da população indígena Guarani Kaiowá, não tem saída, para trazer coisas da cidade, mantimento para minha família, não tem jeito, eu sou perseguido pelos fazendeiros, até mesmo pela policia militar, DOF, estadual, então eu não sei mais o que fazer […] não vejo mais caminho […]”, desabafa Elizeu indignado com a impunidade, segundo ele, a única forma que enxerga a saída é em atos como o organizado em São Paulo, no dia 8 de agosto, onde pode denunciar as ameaças e assassinatos e estabelecer vinculo com pessoas que estão passando o mesmo problema e pensar junto uma forma de superar e vencer a batalha contra o capital.

Durante os dias que Elizeu esteve em São Paulo, houve uma audiência no Tribunal Federal em São Paulo sobre a retomada de sua aldeia, Kuruçu Amba, aproveitamos a oportunidade para saber como está a situação lá na aldeia, onde ele tem pai, mãe, irmãos, irmãs, esposa, filhos e filhas, “a desembargadora entendeu um pouco a violência que estamos passando, e inicialmente deu um prazo para nós ficarmos”, diz Elizeu, “e agora ela decidiu que devemos permanecer lá definitivo”, até que o Estado brasileiro cumpra sua função, demarcando as terras. Apesar de comemorarem a decisão da justiça, Elizeu nos diz que a FUNAI não está distribuindo alimentação. Conforme declarou a administradora regional da funai, a Srª. Lia, o governo não irá fornecer alimento e nenhum outro subsidio para áreas em litígios e ou retomadas, deixando os indígenas a mingua, dependendo da própria sorte para conseguir alimento, já que a área que ocupam não dá para plantar e na região, por conta do desmatamento para o cultivo de cana de açúcar não tem mais caça e os rios cada vez mais com numero menor de peixes, devido o envenenamento das aguas com agrotóxicos, fertilizantes químicos e os resíduos líquidos da produção do etanol, que todos os dias são despejados nos rios sulmatogrossenses. 

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militante do Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus

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