Índia guerreira (MANINHA XUCURU KARIRI)

No dia 11 de outubro de2006 todo povo xucuru kariri chorou com a partida da índia guerreira Maninha xucuru kariri.
Ela lutou toda sua vida pelo ideal que era a demarcação das terras e a liberdade dos povos xucuru kariri. Dia 12 de outubro de 2006 ela foi enterrada no antigo cemitério indígena por nome de igreja velha que foi seu desejo.Ela quis ser enterrada na terra que havia lutado com todo seu povo e que foi retomada e ganhada exatamente no dia 12 de outubro de 1986 no dia que comemorou 20 anos de vitória de nossa terra.
A luta dela não para por ai todos nós povo Xucuru Kariri vai dar continuidade a sua luta e o seu ideal em uma luta incansável com a ajuda do Pai Eterno e de todos que já se foram assim como ela e que continua nos fortalecendo de onde estão o seu.
Vieram povos de todos os lugares dá o ultimo adeus a essa grande guerreira.
Vieram índios: Kariri Xocó, Vassu Cocal, Tingui Botó, Xocó, Xucuru de Pesqueira, Xucuru de Oruruba e das comunidades Xucuru Kariri,Tuxá,Pankararu e a sociedade branca.
Houve o toré e a fala das lideranças em homenagem a ela.
Na aldeia mata da cafurna onde Maninha conquistou o respeito de todos da sociedade branca, ela apesar de ser mulher nunca desistiu de seguir uma lutar.
Foi homenageada pelos povos indígenas de todo Brasil, muitos não Pound comparecer, mas estavam em espírito pois ela foi e será um exemplo a ser seguido principalmente por nos jovens que neste ano ela fundou o grupo jovem( kanindé)e que quatro dias antes de sua partida na reunião do grupo ela parecia saber que iria acontecer( a sua partida) e nos falou para nós nos unirmos e lutar não parar para ter medo.
Foi assim que ela viveu.
Ela não teve tempo de ter medo. E assim que temos que perseguir como todo os guerreiros dos povos indígenas, assim como a frase do cacique Chicão xucuru de
Ororubá,grande guerreiro.

“POR CIMA DO MEDO CORAGEM”

(Suyane prima de Maninha xucuru-kariri)

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2 COMENTÁRIOS

  1. Suyane, recebi essa carta de uma amiga de Maninha, estou colocando aqui, para voces jovens de todas as etnias do nordeste, seguirem o exemplo dessa líder abençoada.Anita

    De: “Rosane Lacerda”
    Data: Quarta, 11 de Outubro de 2006 23:22
    Assunto: Maninha Xukuru-Kariri
    ADEUS, GRANDE GUERREIRA XUKURU-KARIRI
    Conheci Maninha Xukuru-Kariri em 1986. Bem jovem, ela estudava no Recife. Vivia o drama de necessitar seguir uma profissão que lhe garantisse sobreviver economicamente e, por outro lado, o desejo de permanecer junto ao seu povo. Ainda não sabia bem o que fazer, mas mirava forte o exemplo de seu pai o Pajé Antônio Celestino.Veio a luta pela retomada das terras da Mata da Cafurna, e com ela a polícia, o despejo ilegal e violento, as humilhações e ameaças à comunidade. Maninha decidia, então, que rumo tomar: ficar ao lado de seu povo. Meses de frio, de fome, e de espera por uma decisão judicial. Com muito sacrifício, a comunidade saiu vitoriosa.A comunidade cresceu, Maninha cresceu. Mas ainda havia tanto a fazer…Em 1991, surgia a Comissão Leste-Nordeste. Oito líderes indígenas todos homens (Chicão e Zé de Santa Xukuru, Girleno Xokó, Naílton, Ninho e Manuelzinho PataxóHã-Hã-Hãe, Jonas Tupinikim, Caboquinho Potiguara). Maninha, a única liderança mulher no grupo. Reuniões trimestrais nas terras indígenas (Xukuru-Kariri, Xukuru,Xokó, Potiguara, Kiriri, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Tupinikim , Guarani…), Maninha, a única liderança mulher na comitiva. 1995, Assembléia de criação da APOINME. Maninha, a única mulher na coordenação. Reuniões da APOINME nas capitais (Maceió, Recife, João Pessoa, Salvador,…), Maninha,a única mulher em meio às lideranças. Alguns começavam a falar em questão de gênero. Algumas falavam em mulher indígena. Maninha não falava sobre o tema, não ocupavaespaço na mídia. Mas agia. Conquistou um lugar de destaque e respeito num ambiente eminentemente masculino. Oito lideranças calejadas nos duros embates da luta pela terra; muitos ameaçados de morte por defenderem seus povos; todos líderes respeitados por seus povos. Maninha, em meio a eles, ganhou a sua confiança, conquistou o seu respeito. Conquistou o respeito, como ela dizia, dos meus parentes, indígenas de todos os povos do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo.
    Nas reuniões, como nas tarefas da APOINME ou nas caravanas país a fora, era sempre a personificação da responsabilidade, da prudência, da ponderação, do equilíbrio.
    Falava com mansidão, mas com autoridade. Era respeitada. Tinha, como gostava de dizer, o sangue dos Celestino, e das Santana.Nas lutas em defesa de seu Povo era obstinada, valente, destemida. Ameaças de morte, recebeu muitas. Mas dizia: não quero morrer, mas não posso viver fugindo. Vou ficar. Uma madrugada de 1995. Uma retomada para tentar salvar a mata da Jibóia. Na cidade, fazendeiros em passeata, carro de som, palavras de ordem contra os Xukuru-Kariri e suas lideranças. Em toda parte, notícias de jagunços que bebiam e se preparavam para subir a serra e despejar os índios à força. Na casa da fazenda, a madrugada de vigília. Crianças chorando, mulheres rezando. O ar pesado pelo anúncio de que os jagunços logo chegariam, em meio à escuridão. Me despi de meu casaco preto, e disse: Maninha, pegue, vista e fique lá fora. Se eles chegarem, corra pela mata, se esconda. Eles vão querer você”. Manhinha agradeceu e disse: não, vou ficar. Não tenho o direito de fugir e deixar o meu povo. Se eles chegarem, estarei esperando. Pegou uma borduna, seu único instrumento de defesa,e montou guarda à porta dos fundos. O dia amanheceu, trazendo o alívio da notícia de que os jagunços haviam desistido de seu intento.
    Maninha era assim, guerreira, destemida, disposta aos maiores sacrifícios. Entregou-se de corpo e alma à luta pelos direitos de seu povo, à solidariedade com as lutas dos povos do Nordeste, e à construção da APOINME. Sacrificou seus estudos na universidade, sacrificou seu convívio familiar, sua vida pessoal, por fim, sacrificou
    sua saúde.Combateu o bom combate, e para sempre viverá.Vai em paz, Grande Guerreira.
    Vai ao encontro de Quitéria Celestino, de Tio Migué Celestino, do Cacique Luzanel Ricardo, do Cacique Chicão Xukuru.Outros guerreiros e guerreiras, teus parentes, eu sei, estão te aguardando, com seus maracás.
    Ficamos por aqui, com teus pais, teu companheiro, teus irmãos e irmãs, sobrinhos, enfim, o Povo Xukuru-Kariri que tanto amaste, e todos aqueles que tanto te admiram
    e respeitam.Até um dia.
    De sua amiga, Rosane Lacerda.
    Brasília DF, 11 de outubro de 2006.

  2. Maninha,nome pequeno, simples e amigo,demostrando intrisicamente como ela é,moça de força, de luta e de guerra,por isso que ela não morreu,foi plantada como disse o seu pai com muita emoção,com as lágrimas descendo no rosto e a certeza de um breve encontro,pois, tudo que se planta nasce cada vez mais belo e produtivo.Maninha plantou a sua semente muito antes de ser plantada.Por esse motivo que quem teve a honrar de conhecer maninha índia xucuru-kariri,nunca mais vivera da mesma forma,porque seu exemplo de vida deverá perdurar para sempre em nossos corações,e em todos os momentos sejam eles leves como seu sorriso ou carregados como as tensões constantes do seu dia a dia,saberemos que alguém muito forte nos auxilia,nos proteje e nos guia.
    Hoje,foi mais um dia que pensei em maninha, e nos meus pensamentos consigo ainda, escutar a sua voz forte e convicta de quando pedia á palavra nas reuniões e falava com tanta garra e autoridade do que se tratava, que por varias vezes quando maninha se pronunciava eu ficava toda arrepiada de emoção,porque em sua fala só havia razão que a propia razão desconhece.

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