O Território capitalista brasileiro foi produto da conquista do território indígena. O Brasil em que vivemos hoje em relação a nós indígenas não é melhor do que o de anos atrás. É triste dizer mas a má vontade das autoridades brasileiras, a política indigenista paternalista, a ambição econômica de muitos brasileiros e a falta de solidariedade e consciência humana, vem trazendo graves problemas aos povos indígenas.

Ainda hoje existe uma grande parcela de brasileiros que insistem em condenar nós indígenas, originários desse território hoje chamado Brasil ao extermínio. Somos discriminados por não termos as mesmas características quando o Brasil foi invadido, ou por não falarmos a nossa língua materna. Isso porque querem continuar tomando os nossos Territórios Tradicionais. Esquecem eles dos 509 anos de estupros, massacres, invasões… esquecem eles que fomos OBRIGADOS a absorver a cultura não índia para sobrevivermos. Fomos OBRIGADOS a não falar a nossa língua! Fomos OBRIGADOS a muitas coisas mas não perdemos a nossa cultura. Não deixamos de ser índios por isso.

Não dá para 509 anos após a invasão brasileira querer dos indígenas – principalmente os nordestinos onde o contato para muitos povos se deu ainda no sec VI – uma pureza. Isso é burrice.

O índio contemporâneo tem uma cara diferente, mas a sua essência é a mesma. Toda cultura se transforma. Por que a do índio tem que ficar imóvel, estática, intocada?

Quando um brasileiro vai para os EUA, para Europa ou para a China, aprende a língua, os costumes de lá deixa de ser brasileiro? Não! Porque hoje querem negar a existência de muitos povos indígenas por ele ter aprendido o português , usar roupas, fazer faculdade…?

Nos adaptamos a este novo modo de vida que nos foi imposto, estamos aqui hoje no século XXI e havendo necessidade vamos continuar nos adaptando e existindo sempre. Não dá para continuar pensando como muito que os índios iriam se integrar à “comunidade nacional” e desaparecer… somos seres inteligíveis como todos os humanos deste mundo!!!

Vale aqui ressaltar que não podemos negar que temos muitos não índios que nos respeitam… que nos entendem e nos apóiam, a quem deixo aqui meus sinceros agradecimentos.

Potyra Tê Tupinambá

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14 COMENTÁRIOS

  1. O povo branco querendo que os indígenas sejam estáticos é mais uma forma de querer o extermínio, a aniquilação!

    A vida é dinâmica! Viver é estar sempre mudando!

    Ficar parado é a morte!

    Este site movimenta e promove a vida!

    Parabens Potyra sua materia é linda!!!

  2. Olá Ivana!
    Muito bom ler vc e melhor ainda ler seu nome de raíz.
    Potyra Tê Tupinambá
    Tem a força da luta, da consciência de ser!

    Amei seu texto, vcs repetem o mesmo tema inúmeras vezes mas infelizmente continua atual.
    Quanto ainda terão que repeti-lo?
    Acompanhei um pequeno pedaço desse seu processo de exteriorização da verdade que ardia em seu peito e só faltava assumi-la e legitima-la.
    Vc nunca fugiu as suas raízes mas ainda tateava em explicações para dizer… eu sou!
    Hoje, com seu nome, vc grita esta frase: Eu sou indígena!
    Sou indígena com muito orgulho!
    Sinto muito pelos que ainda buscam a vossa cultura em museus!
    Lamento por aqueles que olham para vcs e creem que basta um sorriso para criar laços sérios e profundos.
    Para o indígena a palavra dita tem muito mais valor do que a escrita e os gestos de acolhida falam mais do que muitos sorrisos que nem sempre sabemos traduzir.
    Fiquei muito feliz em ve-la nessa foto e por ler seu texto!
    Com a prisão de Marcos Xukuru, só mesmo um texto desses para nos trazer esperança!
    Obrigada, viu?!
    Obrigada tbm ao personagem ao fundo da foto! (rsss)
    Beijinhos!:0)
    AWERÊ!

  3. È minha irmã Potyra, se vivermos nu, isolados somos considerados selvagens, se estamos vestidos perdermos a cultura, não consigo entender esses ignorantes, pois para mim ignorância é falta de conhecimento!nosso povo padeceram e ainda padecem . As matanças começaram em nome do progresso, a Violência e doenças, contato com o não índio e com sua ambição economica continua sendo, para nós indígenas, o contato com a morte”.
    Gostei de ver sua garra, sua força!
    conte comigo sempre minha irmã!
    Vamos a luta!

  4. Ola Potyra Tê Tupinambá, concordo com Voçè o importante è continuar mantendo a propria cultura pacifica e respeitar as outras, o intercâmbio cultural nos faz crecer culturalmente aumentando o respeito para os outros seres humanos e nào!! as vezes fico vergonha porquè a minha cultura, a ocidental, è uma cultura destruitiva que nos seculos provocou muita dor para muitos e que està acabando com a vida neste maravilhoso planeta Terra!! sim eu estou com vergonha para o meu povo!! obrigado pela sua materia.

  5. É isso mesmo Potyra Tê Tupinambá
    Ainda assim, com o nosso mundo em contínuo transformação, resistimos a nossa forma de viver especificamente e tenho orgulho disso.
    Parabéns por uma ótima materia.

  6. Visitei este site pela primeira vez, para fazer uma pesquisa e fiquei muito bem impressionada com a atitude desta mulher guerreira! Com base no depoimento de Potyra, tenho subsídios suficientes para minha pesquisa… Muito obrigado Potyra!

  7. Potyra Tê , enquanto as pessoas e a sociedade se prende a antigos conceitos , o povo indígena avança consideravelmente. Atualiza-se , organiza-se mostra-se participativo em todos os setores que lhe dizem respeito , buscam parcerias , lutam por uma educação diferenciada e espalham a inclusão digital por todas aldeias , além de formar a cada ano jovens prontos para atuar como profissionais em diversas áreas desta nossa sociedade. Então quando acontecem casos como a demarcação da área Raposo Serra do Sol em Roraima , que uma uma india Wapichana se apresenta para defender judicialmente a causa , que por sinal rolou anos e anos , é aquela surpresa geral do setor contrário aos interesses indígenas. Ao verem que este tempo todo os povos indígenas não pararam no tempo , estão caminhando e lutando , e vencendo e aprendendo, enquanto muita gente ainda pensa que vcs vivem como nos livros didáticos escolares , como na época do descobrimento do Brasil. Parabéns , Ivana , por se assumir cada vez mais indígena , no nome , na causa , na raça , na garra . Potyra Tê , tenho certeza vc ainda vai dar muito oque falar na luta pela demarcação das terras Tupinambá , basta acreditar !!!! Parabéns pela matéria e alerta aos desacordados !!!

  8. É Potyra,

    O triste disso, é q essas pessoas não buscam se informar mais sobre nós indigenas, é o que nos deixam indignados, pois falar mau, criticar é façil, e o certo, q é buscar ter o conhecimento para poder tirar suas conclusões sobre os indigenas q vivem hoje no seculo XXI eles não querem. Para essas pessoas so digo uma coisa, A REDE INDIOS ON LINE ESTAR ABERTA PARA TIRAR TDS AS DUVIDAS , PESSOAIS, PROFISSIONAIS E ESCOLARES. SABEMOS Q NIMGUEM FALA BEM DAQUILO Q NÃO CONHECE, ESTAMOS AQ PARA APRESENTAR QM SOMOS. É OS INDIOS NA VISÃO DOS INDIOS!!!

    NADA MELHOR DO QUE OS PROPRIOS PARA COMO VIVEMOS HOJE, EM NOSSO DIA DIA MANTENDO A RESISTENCIA NO TERRITORIO TRADICIONAL E DANDO CONTINUIDADE A NOSSA HISTORIA.

    AWERE.

  9. Parabéns pela bela matéria vc foi objetiva e relatou uma questão que serve também para todos do movimento indígena, que devem expor em suas falas e ações essa quastão do entendimento quanto a dinâmica dos povos indígenas do Brasil. Com certeza esse nosso processo de mudanças em prol da sobrevivência, deve ser respeitada e vista de forma positiva somos mutáveis sim e todas as nossas conquistas referentes ao mundo dos não índios devem ser vistos como uma aculturação do nosso mundo e da nossa cultura e não do mundo deles pois afinal o que será cultura para eles?
    Por que a nossa cultura idepende de seguir o imaginário do índios que eles idelaizaram com a ajuda do colonizador, da mídia,dos livros entre outos. Nós do Nordeste ao manter contato com outras culturas só temos a ganhar já que conheçer e respeitar as outras culturas é uma forma de conhecimento que nos faz cresçer cada vez mais, ajudando a super os desafios que esse mundo capitalista e excudente nos propociona….e mesmo assim estamos se multiplicando nos mais váriados espaços e ocupando posições já mais imaginadas pelos não índios.

    Parabéns Potyra!!!

  10. SIMPLESMENTE FORTE!! Eu acredito que a palavra de ordem atual é SENSIBILIZAÇÃO. Coscientes todos são! Recusar o “compromisso cívico” é muito mais fácil e conveniente do que assumir as falhas e procurar consertá-las.
    Ivana, venha também fazer parte da rede do Observatório de Direitos Indígenas (ODIN), precisamos de você em nossa rede; uma grande mulher, guerreira, indígena, nordestina!!
    Parabéns, parenta!!

    Cris Julião Pankararu

  11. Oi Potyra!!! é isso mesmo… somos índios por sangue e raiz e não por idioma, roupas, posição economica ou acadêmica… somos o que somos…
    Abraços.

  12. Parabéns Potyra.

    Texto claro e esclarecedor.
    Privilégio conhecer vocês e ser conhecido por vocês.
    Continue com essa força e luz pra caminhar na direção da igualdade de direitos para todos os brasileiros.

    Beijos,
    João

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