Com a produção de arroz, algodão e milho, em Porto Realdo Colégio, aparti de 1909, os índios, trabalhavam no transporte de cargas das fábricas de beneficiamento. No ancoradouro natural da cidade, os inígenas trabalhavam como ” Estivadores no Porto”, carregando sacos de 60 kg, na cabeça.O índio Leopoldo Xocó de Colégio, chegou a trabalhar no Porto de Maceió, na capital do estado, em 1910. Para ganhar mais dinheiro no serviço tinha índio, que levava até 2 sacos( 120 kgs), caminhando pelas ruas da cidade, numa distância de 100 a 200 metros, até o lugar de embarque nas canoas. Durante décadas os indígenas eram a mão-de-obra, no transporte de cargas, das fábricas para o porto. Chega no município a Rede Ferroviária Federal em 1950, para escoar a produção do Nordeste para o Sul do país. Na Estação Ferroviária foi construido o Armazém Carnaúba, com uma balsa para transportar o trem, atravessando o rio na Ferro Boto. O movimento de índios estivadores, era grande na estação, transportavam dos vagões dos trens para os armazéns. Entre os estivadores do porto, destacou-se o Mudo da Marialve, descendente Xocó da Ilha de São Pedro, tornando-se uma lenda, por sua força descomunal. Para facilitar o transporte de cargas, construíram carroças de burro, com capacidade para 500 kg. Relacionando os estivadores indígenas do porto, citamos: elpídio, Antônio Cruz, Salvelino, Ademir, Antônio Sebo, Pedro Girí, Tinga, Eduardo, Juarez, Arnaldo e Nanô. O número de estivadores eram muitos, entre indígenas e brancos da cidade. O serviço era perigoso, o índio Salvelino, foi vitimado por uma pilha de sacos , que caiu sobre ele, causando sua morte em 1960, no Armazém de Zeca Matias. Quando foi construída a Ponte da BR 101 sobre o Rio São Francisco em 1972, o transporte por via aquática acabou. O transporte de cargas seria agora pela rodovia, em caminhões e carretas, não mais por canoas, lanchas e balsas. O único estivador que continua na profissão foi o índio Antônio Sebo, mudou-se para Maceió, trabalhou no Porto de Jaraguá até 1990. Nhenety Kariri-Xocó.

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