Idealizado e executado pela COEP – Central de Organização das Escolas Pankararu, e com o apoio da INBRAPI – Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, e da Embaixada da Nova Zelândia, foi realizado no povo Pankararu nos dias 15, 16 e 17 de setembro de 2006, na aldeia Brejo dos Padres, um curso de Qualificação em Direitos Humanos e Proteção do Patrimônio Cultural dos Povos Indígenas. O curso teve o objetivo, de informar e conscientizar a comunidade sobre a proteção da biodiversidade, conhecimentos tradicionais Pankararu, direitos sobre o ser indígena, ética e direitos humanos.

Estiveram presentes no curso cerca de 50 índios Pankararu, entre eles professores, jovens, profissionais da saúde e lideranças tradicionais. E as participações ilustres de Graciliana Kariri Xukuru mebro da COIMI – Comitê Inter-Tribal de Mulheres Indígenas, Nilton Gomes da SEDUC – Secretaria de Educação e Cultura – PE, Advogado Paulo Celso Pankararu e Luzia Azevedo do SSL – Saúde Sem Limite – PE.
Em questão das temáticas debatidas pelo curso, foi muito bem absorvido pelas pessoas presentes, pois foram temas que há muito tempo, preocupava o povo Pankararu. Até porque a cultura imposta, pelos costumes capitalistas das grandes potencias mundiais, há muito tempo vem prejudicado o povo, principalmente porque o povo Pankararu, e os outros povos indígenas do Brasil obtêm costumes e culturas diferenciadas. E também com o passar do tempo, a população Pankararu, tem aumentado consideradamente, e o espaço territorial continua o mesmo de 40 anos atrás.
E por isso a degradação da biodiversidade é inevitável e por isso o curso levou muita gente a reflexão, sobre quem somos realmente, quem devemos realmente respeitar, se é a cultura indígena que temos, ou a cultura imperialista das grandes potencias mundiais, que minam nossos recursos naturais e éticos, com um único propósito, de captar recursos financeiros, sem importar para nossas culturas e costumes. Sendo então que esse curso, servil para alertar como os povos indígenas, são vulneráveis perante as políticas maliguinas, existentes em nossos pais, mas depois dos esclarecimentos, que o curso ofereceu para o povo Pankararu, foi elaborado um documento. Não só para os agradecimentos ao apoio, que o povo Pankararu teve para realizar esse curso, como para demonstrar o protesto, sobre o desrespeito que as pessoas, e os governantes desses nossos pais, tem perante a causa indígena, segue em anexo a carta de protesto do povo Pankararu.

Alexandre Pankararu
e-mail: alex@indiosonline.org.br

CARTA DO POVO PANKARARU

Nós, participantes do Curso de Qualificação em Direitos Humanos e Proteção do Patrimônio Genético Cultural dos Povos Indígenas, realizado nos dias 15, 16 e 17 de setembro de 2006, na aldeia Brejo dos Padres, Terra Indígena Pankararu, Tacaratu/PE, ocasião em que tivemos a oportunidade de refletir sobre o nosso destino enquanto um povo que vem lutando secularmente para manter sua identidade cultural, bem como a preservação das nascentes, águas, faunas e floras no sertão nordestino.
Considerando que nosso saber tradicional é fundamental para sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações;
Considerando que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito de todos garantidos pela Constituição Federal;
Considerando que Convenção 169 da OIT, que trata sobre povos indígenas e populações tribais nos países independentes, determina o desenvolvimento dos povos indígenas de acordo com suas aspirações e formas de vida, o direito de consulta e a participação em todas instâncias do Legislativo e Executivo que tratam dos seus direitos e interesses;
Considerando que a Convenção da Diversidade Biológica estabelece a proteção dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados.
Viemos agradecer o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI e a Embaixada da Nova Zelândia pelo apoio oferecido para realização do evento.
Agradecemos à Saúde Sem Limites – SSL e a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco – SEDUC pela participação neste curso e parcerias em benefício dos Pankararu.
Agradecemos também ao Comitê Inter-Tribal das Mulheres Indígenas – COIMI por sua participação no evento e fortalecimento das alianças entre os Pankararu e os Xucuru Kariri/AL.
Decidimos:
– Realizar uma reunião com anciões Pankararu para discutir sobre os vocábulos da língua Pankararu;
– Realizar novos cursos e seminários sobre a proteção do Patrimônio Territorial, Ambiental e Cultural dos Povos Indígenas;
– Promover ações conjuntas das áreas de saúde, educação e desenvolvimento sustentável que valorize a cosmovisão indígena destacando a solidariedade das comunidades e a reeducação sócio-ambiental, tendo como sujeitos protagonistas os indígenas Pankararu;
-Incentivar a participação dos anciões, jovens e estudantes universitários Pankararu para realizarem estudos e pesquisas para desenvolvimento étnico-ambiental.
Ressaltamos a necessidade de estabelecer mecanismos que garantam a participação dos povos indígenas com direito a voz e voto no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN.
Nesse sentido destacamos a importância dos Povos Indígenas junto ao CGEN, especialmente o INBRAPI.
Preocupados com os problemas gerados pelo lixo que vem impactando o meio ambiente e a qualidade de vida das nossas comunidades, vemos a urgência de tratar com gestores locais medidas que venham sanar tais problemas.

Terra Indígena Pankararu – Aldeia Brejo dos Padres, 17 de setembro de 2006.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Espectativas vêm se tornando realidade!
    A educação, sem dúvida alguma, vai nos levar ao caminho da promoção da melhor qualidade de vida, assim como também para a preservação da natureza e cultura, as quais pertencemos! Parabéns a todos que participaram do seminário, esse é um marco, de uma caminhada que já se inicou há tempos.
    Estamos nós, tomando conta dos rumos de nosso próprio destino, como povos da etnia Pankararu .Os guerreiros e guerreiras agora lutam com outras armas, o conhecimento!
    Ainda mais ganharemos espaço, aimda mais venceremos!

    Thales Oliveira
    Pankararu
    Estudante de Medicina da UFBA

  2. Eu concordo com o Thales. Os guerreiros e guerreiras de hoje, precisam usar armas diferentes, o conhecimento é uma delas. Tudo muda no mundo, mudam as armas, só nao muda o sentido dessa luta. Vamos em frente, povo forte Pankakaru.

  3. A realização deste evento foi um momento histórico do Povo Pankararu, principalmente pela presença dos verdadeiros mestres da tradição ou seja os mais velhos “fonte de sabedoria”.
    Penso que todos os dialogos que tivemos neste momento que chamamos de “curso” e realmente foi um curso, uma grande troca de saberes, construção de aprendizagens.
    Parabens aos participantes.Foi um grande começo.

    Elisa Urbano Ramos Pankararu.
    elisa_pankararu@hotmail.com

  4. QUERO PARABENISA ESSA INICIATIVA,ACREDITO NESSA CAUSA,SE VOCÊ PERMITIR,QUERO DIVUGAR NA MINHA CIDADE E COM MEU POVO,RESPEITO A SUA ALMA DE GUERREIRO QUE NÃO SE ENTREGA, NÃO SE DEIXA VENCER,TU HONRA E ENCHE DE ORGULHO A SUA TRIBO,Ó PANKARARU!!!

  5. A realização desse evento foi realmente um momento mágico, o encontro dos verdadeiros mestres da tradição e detentores dos saberes tradicionais em dialogo com professores e universitarios. Uma semente que está brotando, uma árvore bonita no Povo Pankararu.
    Venha você fazer parte desta construção de saberes.

    Elisa Pankararu.

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