ALDEIA BREJO DOS PADRES/POVO PANKARARU
TACARATU/PE

BREVE HISTÓRICO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DAS ESCOLAS PANKARARU

Vivemos em uma era contemporânea e o mundo atravessa por diversos conflitos econômicos, políticos, sociais, religiosos e culturais, que repercutem em uma ameaça genocida, onde os paradoxos superam as fronteiras da dignidade humana. Dentro do nosso povo não é tão diferente, considerando que em pleno século XXI não somos, mas um povo isolado e que já possuímos contato a varias décadas, com diversas sociedades não indígenas com outros valores e com outros costumes, então seria de certa forma hipocrisia, dizermos que também não enfrentamos alguns desses desafios. Mas, aqui, não pretendemos entrar nesse contexto, e sim, exaltar as experiências de grande relevância que no meio de tantos “entraves sociais internos”, merecem destaque e, por isso, serem divulgadas.
As escolas indígenas do povo Pankararu, no âmbito de suas atribuições, desenvolvem uma proposta política de uma educação escolar indígena, intercultural, multilíngue, comunitária, especifica e diferenciada, atenta aos anseios de nossa comunidade. A partir deste contexto, nós coordenadores pedagógicos que compomos o modelo de gestão, instituído conforme embasamentos legais pela coordenadora executiva e pedagógica das escolas indígenas Pankararu, a Srª. Elisa Urbano Ramos, cuja mesma, desenvolve uma pratica de ação participativa, que combina seriedade, amor a sua causa social com experiências que consolidam subsídios e que tornam as escolas indígenas mais autônomas, democráticas e sociais, promovendo assim, a sistematização e construção dos conhecimentos e valores que as sintetizam como partes integrantes dos marcos históricos e socioculturais que fortalecem a identidade de nosso povo. Desenvolvemos um trabalho sistemático de acompanhamentos e orientações pedagógicas, administrativas e burocráticas, essencialmente na pessoa do professor Antonio José dos Santos, junto aos professores e criteriosamente, a todo conjunto de situações que exigem encaminhamento diante das instituições.
Após longos anos de discussões e embates políticos com a participação de professores e lideranças dos 10 povos indígenas do estado de Pernambuco e entidades parceiras, na luta incessante por uma educação autônoma e democrática que descontextualize a concepção assimilacionista da homogeneização eurocêntrica que ao longo da historia buscou integrar os povos indígenas a comunhão nacional, diante destas instituições, temos em vista que não há entraves legais para que tais proposições aconteçam, pelo contrario, temos dispositivos que nos asseguram legalmente as nossas perspectivas de futuro: os artigos 210 e 215 da Constituição Federal de 1988; art. 78 e79 de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN; Parecer 14/99 – CNE/CEB; Resolução 03/99 – CEB; Decreto Presidencial 26/91; – em 2003, foi publicada a resolução 03/99, e subseqüente: a Instrução Normativa 001/05; onde estadualiza as escolas indígenas dentro do estado e nos da legalmente autonomia para gerenciarmos a nossa educação escolar.
Nesta trajetória, as escolas passaram a assumir novos desafios, onde, por exemplo, devemos estar desenvolvendo uma política educacional diferenciada, aliado ao que determina a secretaria de educação do estado para as escolas da rede.
O incansável trabalho de nossas escolas foi e será sempre contribuir para que nossos alunos sejam homens e mulheres com propósito de vida e perspectiva de futuro, mas sem deixar de valorizar a historia de luta e conquista de nosso povo, que apesar de algumas situações negativas, acumula muitas e muitas historias belíssimas dos (as) antigos e atuais bravos (as) guerreiros e guerreiras.

EQUIPE DE COORDENAÇÃO DA ESCOLA PANKARARU

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