A pesquisa e o trabalho dos Antropólogos não são ruins para os povos indígenas, pelo contrario, são nossos aliados, se hoje existe uma assistência do estado aqui e em outros povos, primeiramente é porque existe uma cultura, mas antigamente nós povos indígenas não era reconhecidos, pois devido as misturas o governo não sabia diferenciar índios de não índios.

Por isso que o trabalho de pesquisa é importante, pois os antropólogos que visitaram o povo Pankararu, constataram que aqui realmente existia uma cultura forte. Foi assim que nós Pankararus fomos reconhecidos pelo governo, mas pela mãe natureza e nossa força encantada, nós sempre fomos e sempre seremos os primeiros que habitaram essa terra.
E é em cima dessa história que comecei a perceber que aqui em Pankararu já passou muitos pesquisadores, e muitos deixaram algo para nosso povo, mas muitos só se realizaram profissionalmente e foram embora. No entanto hoje, nós Pankararus, fomos contemplados com um projeto chamado “casa de memória do tronco velho Pankararu”, esse projeto visa buscar tudo aquilo que foi pesquisado em Pankararu e trazer de volta ao nosso povo.
Nada mais justo é que tudo aquilo que foi estudado em Pankararu, volte para que nosso povo tenha acesso aos vídeos, fotos, jornais, revistas, teses e etc. Nós temos esse direito de conhecer e também utilizar todos esses materiais.
Outro objetivo do projeto é homenagear nossas lideranças antigas e as de hoje, fazer com que nossas futuras gerações conheçam nossa história de luta e tornar essas lideranças inesquecíveis, que as mesmas sempre sejam lembradas como verdadeiros heróis em nossa historia.
Também pretendemos dar espaço a nossas pontas de ramas, que são etnias que surgiram de pankararu, famílias que em busca de melhorias deixaram a aldeia mãe e formaram outras. O objetivo é que as lideranças contem sua historia de luta, pois sabemos que não é fácil, e é uma forma de se aproximarmos mais de nossos parentes.
Por fim, a casa de memória do tronco velho pankararu é um espaço aberto a todos que tenham interesse em conhecer, ajudar, ser parceiros e etc. Mas é fechado para aquelas pessoas que nunca fazem nada para nosso povo, e quando alguém faz ficam criticando, e sem razão.

Sarapó Pankararu

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10 COMENTÁRIOS

  1. Sarapo:

    Excelente materia!

    Excelente projeto!

    Concordo com suas ideias e não só lhes desejo tudo de bom, mas me colocou a enteira disposição para contribuir da forma que voces desejarem e seja possivel para nós.

    Acredito que neste portal deveria se abrir uma seção onde todos as “teses…Monografias..pesquisas…” feitas nas aldeias deveriam de se publicar… E que será muito bom o seu trabalho e espalhara a consciencia do que dizes ao ponto de que outras aldeias/comunidades, passem tambem a ter o cuidado com “ser objeto de estudo”…passem a ser mais SUJEITO, a ter serem MAIS respeitados…..e a guardar e divulgar seus valores!

    Sebas

  2. A casa de cultura tronco velho de pankararu será um “marco” na história de um povo guerreiro,onde há tantas passagens bonitas, vividas pelos mais velhos e que muitas vezes foram esquecidas.A casa de cultura nasce num momento muito importante,pois como foi citado no documentário acima,nenhuma pesquisa de fato foi devolvida a esse povo, se foi,desculpas,porém não é do conhecimentos de todos.
    Agora esxiste esse referencial que por bom senso,os proficionais competentes que já realizaram pesquisas sobre o povo pankararu,tenho sertesa que devoveram essas pesquisas a casa de cultura,pois ao faser isto,a pesquisa ficará mais conhecida,com mais valor,pois sabemos que as pesquisas são para o bem te toda sociedade.

  3. Ao ler esta matéria, fiquei feliz. Pois irei conhecer coisas que não vi nesta nova geração que nasci.
    E com certeza será de grande importância para nossos filhos que aqui conheceram a real e verdadeira história de Pankararu através da Casa de Memória do Tronco Velho de Pankararu.
    Parabéns!

  4. O Projeto Casa de Memória do Tronco Velho é grandioso por várias razões, mas dentre elas com certeza vale destacar a iniciativa de um jovem guerreiro pankararu, conhecido por nós como Vasco. Lembro do quanto você sonhou e nos fez sonhar, acima de tudo acreditar na realização desse sonho. Outra razão que merece destaque é que teremos na nossa Terra Mãe nossa “biblioteca”. Com certeza um espaço que pode ser alimentado por todos, cabe a cada um de nós. Me sinto grandemente honrada e envaidecida em dizer que em Pankararu existe esse espaço. E muito mais em dizer que conheço o mentor da idéia. Obrigada Deus!! Obrigada a nossa Força Encantada!! Parabéns Vasco e a todos nós Pankararu!! Saudades de todos!!

    Cris.

  5. Parabéns por essa iniciativa. Como coordenador do NEPE (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade) gostaria de apoiar enviando cópia do acervo que temos aqui sobre Pankararu e povos indígenas de Pernambuco.
    Para que todos possam tomar conhecimento através da Casa de Memória. E com isso coloco-me a disposição para apoiar o mque for necessário para o sucesso dessa iniciativa.
    Renato

  6. Gostaria de parabenizar os Pankararu pela iniciativa. Tive oportunidade de estar próxima dos Pankararu entre 1994 e 2003, de forma dispersa, e com isto pude conhecer a força que move este grupo. Em 2002, ingressei no mestrado em antropologia na USP e desenvolvi um estudo sobre a Corrida do Imbu e a Penitência. Gostaria de disponibilizar este material para a Casa de Memória. Para onde, e para quem, devo enviar um exemplar da minha dissertacão?

    Mais uma vez parabéns!

    Aguardo contato.

    Priscila

  7. Gostaria de começar elogiando uma liderança jovem do povo pankararu que apesar da pouca idade que tem, mostra uma defesa aguerrida pelo desenvolvimento etnico e cultural de seu povo e que ja aparece como referência quando o assunto é a cultura do povo pankararu, não só por ser idealisador e defensor da casa de cultura do tronco velho pankararu nao só pela associação Pankararu Nação Cultural que desenvolve trabalho cultural entre os mais jovens preservando nossas tradicões, por essas e outras tantas iniciativas que tem feito e ainda vai fazer gostaria de expressar com muito orgulho todas congratulações possivéis para o jovem George de (vasco) Vasconcelos ou Sarapó que continue com essa iniciativa até por que nossas lideranças tanto as mais velhas como as que ja se foram meresem ser lembrados e ter suas historias contadas para que os mais jovens saibam, que as conquistas do povo pankararu nao foi dando, foi a custa de muito suor e trabalho. Parabens e que os jovens pankararus sigam seu exemplo.

  8. Parabèns para o projeto cujo proposito é valioso! Como pesquisadora actualmente presente na area Pankararú, coloco-me a completa disposição para ajudar na coleta do material produzido e me comprometo a entregrar o resultado final de meu trabalho á Casa de Memória.
    Claudia

  9. Publicações sobre os Pankararu

    ARRUTI, J.M., “Morte e Vida no Nordeste Indígena”: in Estudos Históricos vol. 8, nº 15, Rio de Janeiro, 1995
    _______, O Reencantamento do Mundo: Trama histórica e arranjos territoriais Pankararu, tese PPGAS/MN/UFRJ, Rio de Janeiro, 1996.
    _______,Direitos Étnicos no Brasil e na Colômbia: Notas Comparativas sobre Hibridação, Segmentação e Mobilização Política de Índios e Negros”. Horizontes Antropológicos, ano 6, nº 14, novembro, 2000: 93-123.
    _______ “Agenciamentos Políticos da “Mistura”: Identificação Étnica e Segmentação Negro-Indígena entre os Pankararú e os Xocó” Estud. afro-asiát. vol.23 no.2 Rio de Janeiro, 2001.

    DANTAS,B.G., SAMPAIO, J.A.L. e ROSÁRIO CARVALHO, Mª , “Os Povos Indígenas do Nordeste, um esboço histórico” in CARNEIRO DA CUNHA,M.M. (org.) “História dos Índios do Brasil”, C.Letras/MinC/FAPESP, S. Paulo, 1992.

    MATTA, Priscila Dois elos da mesma corrente. Uma etnografia da Corrida do Imbu e da penitência entre os Pankararu. FFLCH,PPGAS, Universidade de São Paulo, 2006.

    OLIVEIRA FILHO, J. P. “Os Povos Indígenas no Nordeste: fronteiras étnicas e identidades emergentes”. Revista Tempo e Presença. Rio de Janeiro: , v.270, 1993:31 – 35.
    _______ “Viagens de Ida, de Volta e Outras Viagens: Os Movimentos Migratórios e as Sociedades Indígenas. Travessia. São Paulo”, v.24, 1996:5 – 9.
    _______ “Uma etnologia dos “índios misturados”? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais”. Mana – Estudos de Antropologia Social. Rio de Janeiro: , v.4, n.1, 1998:47 – 77

  10. Nós somos Pankararu de Minas Gerais.Aqui tem a aldeia Apukaré de Benvina Vieira,irmã de Tio Besouro e que conhece muitas histórias e tem a Aldeia Cinta vermelha Jundiba onde tem 2 familias Pankararu e outras 5,Pataxó.
    Nós gostariamos de ter também informações sobre esta Pesquisa que pode nos ajudar na formação dos Jovens pankararu e demais da aldeia.Temos uma escola e estamos tendo as aulas de cultura Pataxó.Falta a Cultura/história Pankararu.Nós saimos há muitos anos do Brejo dos Padres.Apesar de nosssa identidade forte queremos saber mais.
    Este é nosso email de contato.Por enquanto ainda nao temos na aldeia.
    Ivan Pankararu-Cacique

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