indio18Ontem, dia 05 de Agosto de 2013, nós do Povo Tupinambá pintamos a cara e fomos para a Rua reivindicar nossos Direitos Ancestrais!

O povo Tupinambá de Olivença vem há anos aguardando um posicionamento do Estado Brasileiro no que diz respeito à Demarcação de nosso Território Tradicional. Somos perseguidos há séculos, e com a publicação do Relatório com a delimitação de nosso Território em 2009, se aguçou ainda mais, por parte dos invasores de nossa Terra e seus aliados, uma perseguição injusta e cruel. Somos humilhados e tratados como as piores das pessoas. Para muitos somos “supostos índios”, “olho da serpente”, “ladrões”, “bandidos”, “preguiçosos”, “invasores de terra”.

 

Eu quero dizer a todos que nós somos um povo resistente e forte … um povo que foi perseguido, massacrado mas jamais vencido!!! Nós não estamos invadindo terras… nós estamos RETOMANDO nosso Território Tradicional que vem sendo roubado há 513 anos quando este país hoje chamado Brasil foi invadido.

 

Se existem aqui culpados é o Estado Brasileiro que desde a sua formação já foi fruto de roubo e cerceamento de direitos. No Brasil 999513_3364151720263_626535184_nexistiam mais de 5 milhões de indígenas pertencentes a mais de 1.000 etnias diferentes. O Território capitalista brasileiro foi produto da conquista de nossos territórios tradicionais. É triste dizer, mas a má vontade das autoridades brasileiras, a política indigenista paternalista, a ambição econômica de muitos e a falta de solidariedade e consciência humana, vem nos sufocando. O Estado Brasileiro assim como o Estado Português da época da invasão do hoje chamado Brasil, está a serviço das elites. A serviço do grande capital, do agronegócio, das Transnacionais.

Ainda hoje existe uma grande parcela de brasileiros que insistem em condenar a nós indígenas, originários desse território hoje chamado Brasil ao extermínio. A grande verdade é que nos tornamos um empecilho a este sistema que impera no Mundo onde cada dia mais, deixamos de ser cidadãos para viramos apenas consumidores… Deixamos de ser livres para ser escravos.

 

995439_3364372445781_432526953_nO Povo Tupinambá se pintou e foi para rua gritar por direitos, por nossa Demarcação. Mostrar que estamos indignados e que não aguentamos mais esperar pela “boa” vontade de nossos governantes. Também dizer a este Estado opressor que não aceitamos os cerceamentos de nossos direitos, direitos estes conquistados com o sangue de nossos antepassados! Nós não somos fantoches nem marionetes para sermos conduzidos a mero prazer de vocês. Nós exigimos ser ouvidos. Exigimos que se cumpra a OIT 127!!! Somos contra a Portaria 303 da AGU, não permitiremos destruírem nossos Direitos Constitucionais com a PPL 227 e não aceitaremos a PEC 215, e quantas outras que vierem para nos oprimir e destruir nossos direitos.

 

 

Nós paramos a Ponte de Pontal por 40 minutos para mostrar a esta sociedade que a nossa vida também está parada… Estamos 994854_3363940754989_1738360911_naguardando há décadas pela Demarcação de nosso Território… estamos  aguardando há 513 anos por Justiça… eu quero dizer também que casamos de esperar!!! Estamos cientes de nossos Direitos Ancestrais e estamos dispostos a lutar por eles!

 

O Juiz Federal Pedro Holiday recebeu uma comitiva de Caciques e deixou bem claro que continuará a dar sentenças favoráveis aos fazendeiros nos Processos de Reintegrações de Posse. Que existem no momento 120 processos abertos e que a maioria deles não houve defesa por parte da FUNAI, e quando houve foram defesas sem grandes argumentos. O Órgão Federal responsável por cuidar dos assuntos fundiários referentes às Terras Indígenas é omisso! Inoperante! Ineficaz! Não consegue nenhum resultado dentro desta mega máfia corrupta que domina os três poderes com o dinheiro e as vontades das transnacionais.

 

1098191_3364146040121_466694551_nNós exigimos agilidade em nossos processos. Defesas fundamentadas! Fim da criminalização de nossas lideranças! O Movimento Indígena não é um movimento de bandidos, mas é assim que somos tratados. A FUNAI precisa assumir o seu papel, fazer as parcerias necessárias como outros órgãos para que o Povo Tupinambá de Olivença tenha uma defesa digna.

 

Estamos abertos ao diálogo. Queremos ser ouvidos pelo Prefeito do Município de Ilhéus e pelo Governador de Estado da Bahia. Os fazendeiros podem ser ouvidos porque nós também não podemos? Também somos cidadãos deste Estado e Município. Nós merecemos ser tratados com o mesmo respeito!

 

Estivemos durante todo o dia de ontem em frente à sede da Prefeitura de Ilhéus (Palácio Paranaguá) e ocupamos a Câmara dos 995439_3364372445781_432526953_nVereadores em protesto. Segundo informações que recebemos o Governador do Estado da Bahia atendeu na manhã de ontem uma comitiva de Fazendeiros e que o Prefeito de Ilhéus estava presente nesta reunião. Só porque eles têm dinheiro e influências políticas eles são mais importantes que nós? Nós queremos saber por que o Governador da Bahia – “Terra de todos nós”-, pediu para o Ministro da Justiça paralisar o nosso Processo de Demarcação!? Nós queremos ser ouvidos! Nós queremos ser consultados! Nós queremos a nossa terra D E M A R C A D A!

 

 

E a praça foi tomada por uma só voz:

“Sr. Governador devolva nossas Terras… devolva nossas Terras que estamos em pé de Guerra!

Sra. Presidente devolva nossas Terras… devolva nossas Terras que estamos em pé de Guerra!!”

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Advogada Indígena, militante social pelos Direitos Humanos Indígenas. Potyratupinamba@indiosonline.org.br

1 COMENTÁRIO

  1. Devolvam esses Desbrasis inteiros ao POVOS INDÍGENASS!!

    As ditaduras cotidianas e “impasses vitais” (limbos entre as vidas/mortes) que enfrentamos cotidianamente são dignos de fechamentos de muitos olhos e nós mesmos somos partes desses processos. Nossas próprias (re)existências perpassam por esses interesses que decidem quem podem ou não sub-viver ou (re)existir. Consumidorxs/consumimstas podem existir: indígenas e outrxs tantxs não. Fazendeirxs e colonizadorxs de todas as ordens e espécies podem existir: indígenas e outrxs tantxs não e por aí vai…E se o fazem (buscam alguma (re)existência)desde que bem distantes em algum lugar para além da exotilândia nunca ao lado ou próximxs ou participantes dos mesmos espaços dessas gentes. Por isso o pavor quando indígenas, travestis, prostitutxs chegam às universidades, ao espaços onde já decretaram (e decretam) nossas inexistências/mortes. A coisa é muito mais profunda estão mechendo nos planos espirituais para escravizar muito mais gentes enquanto “existências permitidas” ou existências a serem constantemente banidas. Se todo esse território é de povos neocolonizadorxs que esses Desbrasis inteiros sejam (e são) dos Povos Indígenas, portanto, nenhuma dívida paga (ou pagará) o que enfretaram nossxs ancestrais ou que enfrentam as gerações indígenas contemporâneas independente se forem as trocentésimas gerações e seus olhos, cores de cabelos ou tecnologias que utilizam ou deixam de utilizar já não lembrem mais alguma ancestralidade indígena, pois continuaremos indígenas caso as nossas subjetividades não forem roubadas pelo mundo já que até nós somos produzidxs para sermos xs próximxs colonizadorxs cotidianxs. Em algum lugar vamos esbarrar nessas questões já que as descolonizações são extremamente conflitivas, dolorosas e difíceis que se manifestarem em espaços onde a existência colonial já foi aceita como a única permitida e possível. Dilma merece pensões pelo que enfrentou na ditadura (os Povos Indígenas não pelas ditaduras cotidianas) Pelas múltiplas (re)existências dos Povos Nativos, confinadxs nas favelas, nas periferias das cidades, nos presídios, nos albergues, nas psiquiatrias, nos lixões e em diversos outros espaços onde ocultam suas existências travestindo-xs de marionetes da monocultura hegemônica nas escolas ocidentais e em diversos outros espaços. Somos e continuamos sendo as múltiplas diversidades negadas pois existirmos enquanto INDÍGENAS continua sendo senão o maior o mais fatal e horripilante dos crimes ou loucuras que se possa experimentar em vida. Que as nossas (re)existências sejam as realidades e não as fantasias para a qual nos lançam cotidianamente… Somos muito mais do que dizem as cifras dessas gentes mas lá quase ninguém ou pouquissimxs vai!!!! Porque eventos de Povos Indígenas ou que falem sobre elxs não acontece na favela Real em São Paulo onde ao menos o Povo Pankararu possa ser contemplado e não precise enfrentar as dificuldades dos deslocamentos geográficos impostos a elxs nos confinamentos diversos assim como outros povos? Por que dificilmente as centralidades sobem aos morros/ou espaços das marginalidades? São sempre as marginalidades que precisam se desdobrar e se deslocar as centralidades em busca de seus direitos ou sei lá o quê? Reflexões mas também ações (e com participações reais de Povos Indígenas) e não especialistas em Povos Indígenas ou INDÍGENAS DESDE QUE EUROPEIZADXS OU CRISTIANIZADXS: INDÍGENAS DESDE QUE INDÍGENAS SEMPRE…

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