CANOA DOS PORTOS

As índias Kariri-Xocó trabalham na cerâmica utilitária, sua produção da arte do barro, são vendidas ou trocadas por alimentos, nos povoados e cidades circunvizinhas do Baixo São Francisco. A produção da cerâmica são queimadas nos fornos da aldeia, durante muitos dias até formar uma barcada (carga de canoa) grande, comportando cerca de 1000 objetos, entre potes, panelas e frigideiras. A “ Canoa dos Portos “ era um termo usado pelos índios de Colégio, para designar o nome do transporte que iria levar as ceramistas à grande viagem, durante uma semana, saindo nos povoados vendendo seus produtos. A canoa saia dando porto em várias localidades, por isso “ Canoa dos Portos “, o canoeiro era o Cacique Cícero, as índias que sempre acompanhavam era a finada Bita, Laudilina, Maria das Doures, Maria Tinga, Luiza, Maria de Curi, além de crianças. Na época de carregar a canoa no porto da aldeia, era motivo de alegria, pessoas ansiosas para empreender a viagem , só assim trariam o alimento necessário. Quando a canoa saia do porto da aldeia as comunidade ficava do barranco do rio acenando e gritando “ lá vai a canoa dos portos “. As cidades mais freqüentadas pelas louceiras eram Própria, São Brás, Escurial, Belo Monte, e os povoados Xinaré, Muguengue, Barra do Itiúba, Piranga e outros. As índias trocava a cerâmica por farinha, galinha, manga, mandioca, batata, feijão, fumo etc. A canoa só podia retornar a aldeia quando todas as ceramistas vendiam seus produtos, nas feiras, fazendas, engenhos e povoados do interior. Quando todos vendiam a produção levada, era hora de arrumar os produtos adquiridos no comercio, sacos de farinha, galinha gritando com os pés amarrados, perus. Balaios de frutas maduras, era um grande rebuliço na canoa. Na segunda-feira a canoa retornava para a aldeia, saia cortando águas do Rio São Francisco, a comunidade já estava esperando no barranco e gritavam “ Lá Vem a Canoa dos Portos “. Aportando defronte a aldeia os índios principalmente as crianças saiam correndo para o encontro com familiares, e ver os produtos da viagem, viam pessoas sorridentes, agora o alimento estava garantindo dias de fartura. Nhenety Kariri-Xocó Guardião da Tradição Oral.

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