CANOAS DO SÃO FRANCISCO

De cima do barranco percebemos as águas correr, avistamos ilhas, as cidades de Própria, São Brás, Cedro de São João, Porto Real do Colégio ao lado, nossa aldeia fica na margem esquerda do grande Vale São Franciscano. Umas das coisas que me trás recordações, são as canoas do Rio São Francisco, que em dia de quinta-feira desciam do sertão. O rio ficava colorido de panos das canoas bonitas, chatas e toldas aquelas de grandes dimensões. O cacique Inocêncio Pires Xocó, tinha duas canoas de tolda, uma chamva-se Caiçara e a outra Ilha, era negociante do sertão à praia até a desembocadura do rio. Essas embarcações traziam mercadorias do Baixo São Francisco, para abastecer o comércio regional, as cidades preferidas era Própria em Sergipe e Penedo do lado de Alagoas. Mas nossa aldeia fica bem na margem do rio, era costume aqueles índios mais velhos contar histórias ao entardecer, as canoas passavam bordando, pela cor dos panos de vela, eles diziam os nomes das canoas. As mais conhecidas toldas canoas grandes cobertas na proa, eram Canindé, Marialve, Cordilheira, Rainha do Nilo, aqui na aldeia Kariri-Xocó tinha uma canoa chata, outro tipo mais pequena chamada Patinha, o piloto era o Cacique Cícero que aprendera a navegar com o velho Firmino. Era bonito de se ver , o rio colorido de canoas, tantas histórias a contar, dos carregadores de carga, índios com sacos de arroz, transportando para o porto as produções dos fazendeiros : arroz, algodão e milho. Os tripulantes dormiam nas canoas, em redes, cantavam com violões, cozinhavam em fogão de carvão, era bastante animado,aquele movimento de dia e a noite. Nas quartas feiras chegava no Porto de Dona Clarinda a Canoa do Carvão, que abastecia a cidade. Existia canoa pelo tipo de mercadoria : Canoa de Paralelepípedos, Canoa do Gado, Canoa da Lenha, dos Bodes, e muitas mais, a Canoa da Lôiça era dos índios. O transporte de mercadorias em canoas , começou a decair, quando fizeram outras embarcações a motor, depois a construção da ponte sobre o Rio São Francisco, a rodovia BR 101, vieram os transportes terrestres, tudo ficou mudado.Nhenety Kariri-Xocó Contador de Histórias.

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