Fotor080981834A história do hoje chamado Brasil começa sendo contada pelos portugueses, pois nós indígenas éramos ágrafos. A Carta de Pero Vaz de Caminha foi o primeiro documento a nos retratar , um retrato do que eles queriam ver.

Existe um grande descaso em relação a nós indígenas. A nossa cultura é considerada inferior á Cultura dita civilizada. Muitos não índios por não nos conhecerem nos menosprezam. Nós somos invisíveis. Esse preconceito leva a muitos brasileiros  a acharem que as Demarcações de Terras são um grande estorvo à sociedade brasileira. Isso é reflexo da falta de consciência histórica dos brasileiros: nós indígenas somos os moradores originais do território que hoje é ocupado pela República Democrática do Brasil.

O que nós indígenas queremos é uma justiça de reconhecimento e não uma justiça de vingança. Nós não estamos pedindo nada, pois sabemos o direito que temos, um direito ancestral, anterior à formação do Estado Brasileiro. A sociedade reconhece aos gregos e romanos um grande legado, apesar de serem sociedades que deixaram de existir. Nós indígenas, que passamos por massacres, doenças, genocídios, perseguições, contaminações, tudo isso

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A visão estreita e etnocêntrica da “civilização” que prevaleceu na Europa e América, não permitiu ao mundo vislumbrar os nossos modos de vida como alternativas de civilização dos seres humanos. As imagens preconceituosas usadas para nos identificar, limitaram-nos à condição de elementos de um passado que deveria ser superado para constituir uma nação próspera. Nós somos úteis para compor a narrativa histórica oficial da origem das populações das Américas, mas extremamente incovenientes para compor a cidadania contemporânea.gerado pela sociedade, estamos aqui hoje, RESISTIMOS,  porém somos considerados inferiores, sem cultura, silvículas…

Fotor080985314Nós indígenas não somos apenas sobreviventes de um passado remoto, nem fósseis vivos para a reconstrução de fatos passados. Nós somos contemporâneos à sociedade brasileira e compartilhamos com ela um tempo histórico e fazemos parte da sociedade brasileira.

Nós estamos aqui, passados 512 anos de perseguições e vamos permanecer para todo sempre! Nós resistimos!!

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nós, povos indígenas do mundo, unidos em uma grande assembleia de homens sábios, declaramos a todas as nações:

Quando a mãe Terra era nosso alimento,

quando a noite escura era o nosso teto,

quando o céu ea lua eram nossos pais,

quando éramos todos irmãos e irmãs,

quando os nossos chefes e anciãos eram grandes líderes,

quando a justiça dirigia a lei e sua aplicação,

Depois vieram outras civilizações!

Faminto por sangue, o ouro da terra, e toda a riqueza, trazendo em uma das mãos a cruz ea espada na outra, sem saber ou querer aprender os costumes do nosso povo, abaixo, classificados animais nossas terras foram roubados e levados para longe deles,

tornando-se escravos para os Filhos do Sol

No entanto, eles não puderam nos eliminar!

ou fazer-nos esquecer o que somos, porque somos a cultura da terra e do céu.

Somos uma ascendência antiga. E nós somos milhões.

E apesar de todo o nosso universo é destruído, Nós vivieremos mais do que o poder da morte!

Port Alberni, 1975

Conselho Mundial de Povos Indígenas (WCIP)

 

 

 

 

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Advogada Indígena, militante social pelos Direitos Humanos Indígenas. Potyratupinamba@indiosonline.org.br

4 COMENTÁRIOS

  1. Como costumo dizer…

    Quanto mais longes/distantes nós Povos Indígenas estivermos dos “centros coloniais” mais exóticxs e artigos/peças de luxos.

    Quanto mais próximxs nós Povos Indígenas estivermos dos “centros colonais” mais caóticxs e artigos/peças de lixos.

    Participarmos dos espaços onde cotidianamente decretam as nossas mortes “espaços públicos, universidades o “territórios brasileiros inteiros” e áreas afins” com vidas (que pulam, dançam, cantam, pulam, sentem dor e prazer, etc); passa a ser o maior crime que se possa praticar em vida pois, tudo e todxs somos projetadas para eliminar de nossas mentes e corpos tudo o que possa lembrar ou manifestar os nossos Povos Ancestrais.

    Fazendo as contas a cada dia em cada quatro anos nós podemos viver uma etnia/povo diferente desses Desbrasis acontece que pesa sobre nós um único ser cuja estética só pode ser europeizadas e cristianizada. Se ser europeu e cristâo è universal e vàlido para o mundo inteiro que:

    Aikanã, Aikewara, Akuntsu, Amanayé, Anambé, Aparai, Apiaká, Apinayé, Apurinã, Aranã, Arapaso, Arara, Arara da Volta Grande do Xingu, Arara do Rio Branco, Arara Shawãdawa Araweté Arikapú Aruá Ashaninka Asurini do Tocantins Asurini do Xingu Atikum Avá-Canoeiro Aweti Bakairi Banawá Baniwa Bará Barasana Baré Bororo Canela Apanyekrá Canela Ramkokamekrá Chiquitano Cinta larga Coripaco Deni Desana Djeoromitxí Dow Enawenê-nawê Etnias do Rio Negro Fulni-ô Galibi do Oiapoque Galibi-Marworno Gavião Parkatêjê Gavião Pykopjê Guajá Guajajara Guarani Guarani Kaiowá Guarani Mbya Guarani Ñandeva Guató Hixkaryana Hupda Ikolen Ikpeng Ingarikó Iranxe Manoki Jamamadi Jarawara Javaé Jenipapo-Kanindé Jiahui Juma Ka’apor Kadiwéu Kaiabi Kaingang Kaixana Kalankó Kalapalo Kamaiurá Kambeba Kanamari Kanoê Kantaruré Karajá Karajá do Norte Karapanã Karipuna de Rondônia Karipuna do Amapá Kariri-Xokó Karitiana Karo Karuazu Katukina do Rio Biá Katukina Pano Kaxarari Kaxinawá Kaxixó Kaxuyana Kayapó Kayapó Xikrin Kinikinau Kiriri Kisêdjê Kokama Korubo Kotiria Krahô Krenak Krikatí Kubeo Kuikuro Kulina Kuntanawa Kuruaya Kwazá Maku Makuna Makurap Makuxi Manchineri Marubo Matipu Matis Matsés Maxakali Mehinako Menky Manoki Miranha Mirity-tapuya Munduruku Mura Nadöb Nahukuá Nambikwara Naruvotu Nawa Nukini Ofaié Oro Win Palikur Panará Pankará Pankararu Pankaru Parakanã Paresí Parintintin Pataxó Pataxó Hã-Hã-Hãe Paumari Pirahã Pira-tapuya Pitaguary Potiguara Puyanawa Rikbaktsa Sakurabiat Sateré Mawé Shanenawa Siriano Surui Paiter Tapayuna Tapeba Tapirapé Tapuio Tariana Taurepang Tembé Tenharim Terena Ticuna Timbira Tingui Botó Tiriyó Torá Tremembé Truká Trumai Tsohom-dyapa Tukano Tumbalalá Tupari Tupinambá Tupiniquim Tuyuka Umutina Uru-Eu-Wau-Wau Waimiri Atroari Waiwai Wajãpi Wajuru Wapixana Warekena Wari’ Wauja Wayana Xakriabá Xavante Xerente Xetá Xingu Xipaya Xokleng Xukuru Yaminawá Yanomami Yawalapiti Yawanawá Ye’kuana Yudja Yuhupde Zo’é Zoró Zuruahã, … e muito muito mais também o sejam.

    Lembrando a cada dia da pra viver uma etnia/povo diferente dessas imensas diversidades de Povos existentes só nesse território

    Marleide Quixelô ou Kixelô e os milhares de povos nativos mergulhados em nossos genes nos povos indígenas cotidianos, citadinxs, rurais e muitos mais…

  2. Confesso não saber mais dos índios do que aquilo que já li… Mas, é a primeira vez que leio algo escrito por um índio…
    Parece que vivemos em mundos diferentes, sei que são uma minoria, e concordo que devem resistir… Lutem sempre!
    Eu sou cadeirante, também faço parte de uma minoria massacrada de forma diferente da de vocês.

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