Reginaldo Ramos dos Santos, com nome indígena dado pela atuação de cacique Akanawã Baênã Hã Hã Hã Txitxiáh nasceu em 14 de janeiro de 1975 em Itabuna, é indigena da etnia Hã Hã Hãe da familia Baênã. Filho de Agnaldo Moreira dos Santos e de dona Maria de Lourdes Ramos, filha do casal de indigenas  Txitxiáh e Rosalina que foram capiturados no mato.

 

 

Sala da Presidencia da FUNAI/ Brasilia – DF

Sua familia pobre passou por momentos dificeis, envolvendo necessidades da vida cotidiana como alimentação, vestuario, alojamento e cuidados de saúde. Pobreza neste sentido foi palavra facil de pronunciar durante todo sua infancia. Mas a vontade de vecer sempre andou lado a lado da certeza que com muitos esforços superou todo tipo de barreira para ser uma pessoa popular por onde passa.

Infância

É o terceiro de 10 filhos de Agnaldo Moreira dos Santos e Maria de Lourdes Ramos, sendo que somente dos 10 filhos 03 é do primeiro casal. Em sua infância sofreu muito, pois seu pai separou se de sua mãe ainda quando o mesmo estava com um ano de nascido. Morou em Itabuna por 06 anos, em 1983 foi morar na aldeia Caramuru em Pau Brasil, onde desde cedo começou a praticar agricultura para ajudar sua mãe na produção de alimentos para o sustento familiar.

Por muitos anos vendeu verdura na feira livre, onde essa verdura era transportada em um jegue por nome “curió”, estudou sempre desde cedo, onde caminhou a pé por vários quilômetros.  Em 1988 passou a morar na aldeia Bahetá, no município de Itaju do Colônia, ainda com idade de 14 anos vendeu pão no cesto, picolé, geladinho,  peixe pescado no rio Colônia, trabalhou em fazendas roçando pastos e construindo cercas enquanto ajudante, trabalhou em limpeza de quintais e morou como menino de rua por três semanas em becos e praças da cidade de Itaju do Colônia.

 

Educação e trabalho

Ainda quando morava na Aldeia Caramuru, no município de Pau Brasil, aos 07 anos, trabalhou vendendo batata, aipim, limão, abobora e coentro na feira livre de Pau Brasil. Tinham que andar quilômetros para buscar água de poço e para estudar.  Já em Itaju do Colônia, a fim de contribuir na renda familiar, começou a trabalhar aos quatorze anos, em fazendas da região, roçando pastos e roçando em áreas cacaueiras. Durante o mesmo período também trabalhou em padarias e sorveteria de Itaju do Colônia para ajudar na renda familiar.  Aos 17 anos acompanhou um parque de diversão que saiu da cidade de Camacan e girou varias cidades da Bahia e seguindo para Governador Valadares onde conheceu varias cidades do estado de Minas Gerais. Aos dezenove anos retornou ao estado da Bahia onde morou por quatro anos na em Porto Seguro.

Em Porto Seguro foi catador de latinhas, dos recursos arrecadados,  conseguiu obter seus documentos, começou a trabalhar na empresa por nome Labuto na função de gari, e mais tarde coletor de lixo, foi nessa função onde teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez, permanecendo ali por oito meses. Transferiu-se depois para o hotel Albatroz onde exerceu a função de auxiliar de serviços gerais e meses depois na função de Office – boy.  Em 1996 retornou para a aldeia Caramuru, onde retornou aos estudos e continuou a trabalhar na agricultura, mas em 1999 voltou a morar na aldeia Bahetá, no mesmo ano fundou a Escola Municipal Indígena Bahetá onde ensinou por quatro anos e formou se em  magistério normal e no magistério especial indígena, em 2005 foi morar em  Pau Brasil, dessa vez na região de Água Vermelha e lecionou por dois anos no Colégio  Modelo Estadual Indígena do Caramuru. Em janeiro de 2010 retornou para Itaju do Colônia, exercendo a função de Coordenador para Assuntos Indígenas da Aldeia Bahetá até os dias de hoje.

Em 2003, recebeu da Comunidade Indígena da Aldeia Bahetá a mais alta e  importante função dentro de uma aldeia, o cacicado, na função de cacique, ainda muito novo para tamanha responsabilidade, mas com muita dedicação e sabedoria travou uma luta em busca de trazer de volta as familias indígenas que estavam residindo fora da aldeia. A busca de melhorias de vida buscou também através do dialogo a pacificação entre índios e sociedade Itajuense, travou também um dialogo com o governo do estado da Bahia onde tem assentos em varias organizações públicos dentro da política indigenista. Brasília já virou uma rota bem conhecida, pois de forma incansável tem indo a capital brasileira dialogar com autoridades do governo federal, Supremo Tribunal Federal, Câmara dos Deputados e organizações – não governamentais sobre os direitos constitucionais garantidos sobre a posse do território Pataxó Hã Hã Hãe.

Em Itaju do Colônia tem participado da política educacional em vários governos, no ano de 2009 assumiu uma Coordenadoria para Assuntos Indígenas da Aldeia Bahetá criado pela primeira vez no município pelo então prefeito Padre Edinaldo Martins dos Santos. Ajudou de forma integrante na construção do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, buscando para as familias carentes alimentações diversas junto a Secretaria de Agricultura e prefeitura.

POLITICA.

Enquanto cacique dos Hã Hã Hãe, sempre esteve em constante contato com autoridades do meio político municipal, estadual e federal e do poder judiciário para garantir os direitos constitucionais de seu povo. Em 14 de fevereiro de 2003 esteve juntamente com outras lideranças indígenas um importante encontro com o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva onde na oportunidade foi lhe entregue um livro com toda história comprovando a autenticidade do território Caramuru Catarina Paraguassu.

Muitas são as reuniões com o governo do estado, onde tem referencia enquanto liderança indígena do dialogo político, cultural e social em busca de projetos de auto – sustentabilidade para seu povo. Forte liderança atuante nas discussões em favor de uma sociedade igualitária. Durante dez anos  que atua na função de cacique visitou o Supremo Tribunal Federal varias vezes, foram muitos os ministros visitados, foram varias as reuniões para a proteção dos direitos da posse da terra sagrada deixada pelos seus ancestrais.

Obras do autor.

No ano de 2005 ajudou a organizar uma caminhada juntamente com a ONG THYDEWÁ, onde visitou as escolas levando sempre em mãos o “Projeto Índio Quer Paz”, que foi acompanhado do lançamento do Livro Índios na Visão dos Índios que fala sobre a história, cultura e Educação dos Pataxó Hã Hã Hãe, foi destaque em duas paginas desse relevante trabalho que se espalhou pelo Brasil e muitos países da Europa. Nos dias 16 e 17 de março de 2008 juntamente com  o presidente da ONG THYDEWAS Sebastian Gerlic e autoridades da Embaixada do Canadá no Brasil e  representantes do Ministério da Cultura visitou o Parque do Xingú em uma oportunidade única para qualquer índio que mora no nordeste, pois ao revoar o Parque você já se sente contemplado pela natureza.

http://www.thydewa.org/portfolio/indios-na-visao-dos-indios/

Site para pesquisa e downloads grátis.

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