Quando me entendi

Quando me entendi, a tradição indígena era o batalhão que nós, eu, meu pai, minha mãe vivíamos trabalhando de enxada, lá na serra do Manenem. Na época, essas terras aqui estavam nas mãos dos posseiros. Essa fazenda que hoje é minha era de Edival Calazans e nós vivíamos trabalhando alugado.

O batalhão era uma força onde nós trabalhávamos todos unidos. Na segunda-feira a roça era comunitária geral, era um dia sagrado, onde todos os índios Kirirí se juntavam. Eram todos juntos cantando o batalhão, e se bebia um vinho de milho, MAIRU, essa bebida faz parte da tradição do índio, e esta tradição não pode se acabar. Os mais velhos faziam o MAIRU mastigando na boca, eu já alcancei fazendo no pilão, pisando de dois ou três índios. Não é beber para desmoralizar, para morrer, se souber usar ela é a saúde, como um remédio. Também tinha o ARUPIN, que como o nome diz, é feita da mandioca.

Bonifácio

Nossa tradição é o batalhão que é de enxada na roça, sem instrumentos. Batalhão é na roça, é cantando e limpando o mato ao mesmo tempo. Era um dia em uma roça e ao dia seguinte em outra, agora por causa do trator ninguém está usando mais essa tradição.

Vital

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