O Projeto ‘Enren Enamado’ visa um novo olhar sobre a sustentabilidade e o gerenciamento de projetos para mulheres indígenas Bakairi/MT.

     

                                                                                                                                                                                                                                                                                       Legenda:  ‘Enren Enamado’ significa ‘Buriti” e  “Criação’, ou seja, criação de buritis ou ainda a criação a partir dos buritis, já que são plantas que têm 100% de aproveitamento, desde palhas, frutos e madeira.

 

Luciana Menoli/Totem Assessoria 

Logo depois da Festa do Milho, no dia 15 de janeiro, na Aldeia Kuyakware em Paranatinga, será lançado o Projeto ‘Enren Enamado’, na mesma comunidade indígena, sob execução do Instituto Yukamaniru de Apoio às Mulheres Indígenas Bakairi.

O projeto tem a duração de um ano e objetiva um novo olhar, a partir do ponto de vista feminino, sobre a forma de exploração e uso sustentável dos buritis existentes e na terra indígena Bakairi e da capacidade de gerir projeto.

O nome do projeto – Enren Enamado – vem do tronco linguístico Bakairi e significa ‘Buriti’ e Criação’, ou seja, criação de buritis ou ainda a criação a partir dos buritis, já que são plantas que têm 100% de aproveitamento, desde palhas, frutos e madeira, fazendo uma ligação direta com a criação a partir da mulher, que dá à luz e gera vida, como o próprio entorno do buriti, que formam verdadeiros oásis em meio à paisagem rústica do Cerrado.

Durante o projeto serão ministradas diversas oficinas, totalmente voltadas para as mulheres Bakairi, onde as lideranças femininas de cada comunidade servirão como disseminadoras de informação e das ações desenvolvidas ao longo do projeto. Dentre essas ações, está prevista a criação de um viveiro  de plantas e um banco de sementes tradicionais, a promoção da recuperação dos buritizais das áreas degradadas, a capacitação de mulheres nas áreas de gestão (financeira, administrativa, ambiental, territorial e de informática) e, finalmente, servir como base promotora de um encontro de mulheres Bakairi.

Isabel Taukane, do Yukamaniru, que é o organizador do projeto e da Aldeia Kuyakware, onde será realizado, e Magno Amado da Silva, coordenador do projeto, serão dois dos monitores das oficinas em gestão ambiental e territorial, respectivamente, participarão da abertura do projeto com uma reunião para explicar seus objetivos e metodologia no próximo dia 17, na Kuyakware.

O projeto irá promover a capacitação de mulheres indígenas Bakairi através de oficinas dentro da própria terra indígena. O viveiro e o banco de sementes garantirão produtos tradicionais para as futuras gerações, que serão distribuídas gratuitamente nas comunidades.

O critério de seleção utilizado é que toda mulher Bakairi que for indicada por sua comunidade para representar a sua aldeia seja capaz de atuar como multiplicadora dos conhecimentos adquiridos. Ainda, o projeto é para mulheres, mas nada impede a participação masculina, desde que entenda que o foco principal é o feminino.

HISTÓRICO DO PROJETO – Em agosto de 2010, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente, lançaram um edital de projetos intitulado Chamada Pública de Projetos junto às Mulheres Indígenas do Brasil. O Instituto Yukamaniru concorreu, juntamente com mais 500 outros projetos, e o Projeto ‘Enren Enamado’ foi classificado como o 2º melhor projeto do Brasil.

Em julho de 2011, um técnico da Carteira Indígena capacitou a diretoria da Associação, deixando-a apta a receber o financiamento do projeto, o que veio a ocorrer no final do mês de outubro. No mês de novembro foram adquiridos materiais para dar início às atividades do projeto.

O BURITI – O buriti é uma das plantas representativas do Cerrado e vem desaparecendo gradativamente devido à destruição deste ecossistema em detrimento das lavouras e pastagens. Para os Bakairi, o buriti serve como alimento com seus frutos e, com sua palha e madeira, como matéria-prima para fabricação de ocas e da indumentária tradicional de rituais religiosos e/ou festivos, fazendo parte, portanto, de sua rica cultura.

 

 

 

 

 

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