Informe da FEPOIMT

 

Nesta manhã do dia 29 de outubro tivemos contato com o atual coordenador-geral da Coiab, o líder indígena Marcos Apurinã (AC) e do Xavante Agnelo Waitsatsé (MI), este preside o Conselho Deliberativo e Fsical – Condef da maior organização indígena da Amazônia brasileira. Na sua passagem por Cuiabá, os dois líderes afirmaram em rápida entrevista a este escrevinhador e, também, um dos líderes indígenas mato-grossenses da etnia Bakairi (Kura) que: “estamos seguindo para Colíder (MT) próximo à divisa com o estado do Pará, com objetivo de nos juntar aos nossos parentes Kaiapó e aos guerreiros do Xingu e Xavante de Barra do rio Garças (MT), onde estarão presentes autoridades governamentais do MMA e do Ministério das Minas e Energia”. Apurinã garantiu ainda sua participação na assembléia da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso – FEPOIM, que acontece no mês de novembro próximo de 18 e 20, em Cuiabá. Prosseguindo informou – “estamos levando a nossa preocupação, mas também apoio e solidariedade da Coiab para os nossos irmãos Kaiapó e outros da região”, Enfatizou  o coordenador, ao finalizar sua fala. O manifesto contrário à barragem de  Belo Monte (PA) sobre o rio xingu teve início  no dia 28 e vai até dia 02 de novembro, segundo Magaron e o cacique Raoni, líder máximo dos Kaiapó de Mato Grosso.

Audiência pública no MPF de MT e o acesso indígena ao ensino superior. Uma conquista ou  retrocesso?

Outro assunto de extrema importância de que participei neste dia às 15:00 do horário local de verão, trata da polêmica que a representante do Conselho Nacional de Política Indígenista do Brasil, no estado, Chiquinha Paresi está liderando sobre um pedido de revisão da prova encaminhado pelo jovem indígena Enoque Marubo (AM) junto ao Ministério Público Federal, na condição de candidato aprovado na Universidade Federal de Mato Grosso, no concurso público que prevê acesso diferenciado para indígenas. Enoque Marubo, ao que tudo indica, está sendo vítima de perseguição política e segundo a Chiquinha Paresi, o critério de sua exclusão foi simplesmente o de não pertencer às diversas etnias integrantes do Estado de Mato-Grosso. A Chiquinha acha que o índio amazonense participante do concurso público estaria tirando a vaga e o direito de um Índio do MT caso seja incluído no programa de formação.

Um absurdo sem tamanho, só visto e comparável aos tempos da ditadura, quando os coronéis dirigentes da Funai fracassaram na tentativa de adotar critério de indianidade, (por meio de exame de sangue ou consangüinidade) para aferir que de fato, entre descendentes dos primeiros habitantes, seguiria sendo indígena. Uma autêntica bestialidade. Em discurso tão histérico quando inflamado, falando mais como política em campanha pré-eleitoral, e menos como representante indígena de alto nível e, ainda dizendo-se dona do projeto da UFMT, Chiquinha Paresi, “parecia ser mesmo dona de todos os índios”. Ignorando que o acesso ao ensino superior é uma conquista indígena que deve ser ampliada, já que, nós, os chamados indígenas, historicamente, desde sempre somos uma classe discriminada e jogada para último degrau da pirâmide social brasileira. Inquirida pela antropóloga do MPF/MT, Jacira Monteiro de Bulhões, se não estaria tendo um movimento indígena do MT contra os índios de outros estados, a Chikinha, como lhe é muito peculiar, maquivelicamente desconversou e não demonstrou competência para convencer a atenta e a sabia bancada do ministério público, diante da audiência que contou com a presença de 20 pessoas, entre estas, a maioria composta de estudantes indígenas beneficiárias do programa especial conhecido com Pró-Indio da UFMT.

 

 

 

Por Estevão Carlos Taukane

Estudante de Filosofia/UFMT

e coord. Comissão da FEPOIMT.                  

         

 

 

 

 

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