A história é a seguinte:

Em fevereiro de 2003, o cacique Marcos foi vítima de um atentado por parte de José Lourival Frazão (Louro Frazão), indígena Xukuru. Nesse atentado foram assassinados dois jovens Josenilson José dos Santos (Nilsinho) e José Adenilson Barbosa da Silva (Nilson), o cacique Marcos Xukuru, conseguiu escapar. Naquele dia, a comunidade, indignada com o crime, se voltou incontrolada, contra um grupo de famílias Xukuru ligadas ao assassino – todos aliados dos antigos invasores da terra indígena.

O Ministério Público Federal em Pernambuco, sem mais uma vez realizar uma análise crítica da investigação policial, denunciou 35 (trinta e cinco) pessoas pela prática de diversos crimes.

Após longa batalha judicial o cacique Marcos e quase todos os denunciados foram condenados pela 16ª. Vara da Justiça Federal em Caruaru/PE a penas que variam de 13 anos a 10 anos de reclusão, além de vultosas indenizações em dinheiro.

A investigação e o processo judicial sobre esse conflito foram questionados por antropólogos e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos. Os advogados de defesa dos Xukuru questionam o cerceamento de direito de defesa e o tamanho das penas, considerado exagerado. No caso da condenação do cacique Marcos Xukuru, a sentença foi publicada antes de se juntar ao processo os depoimentos de importantes testemunhas de defesa: o deputado federal Fernando Ferro e a Sub-procuradora Geral da República Raquel Dodge

Agora querem prender a vitima! Está claro, portanto, que essa é mais uma expressão do processo de criminalização que o povo enfrenta há mais de uma década, por causa da reconquista da terra.

Em protesto os Xukuru e seus aliados convidam a todos para participar de um grande ato público!

Local da concentração: Câmara de Vereadores do Recife (PR Pça 13 de Maio)

Destino: TRF 5ª Região (Cais do Apolo)

Data: 05 de junho (sexta-feira)

Hora: 14:00

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12 COMENTÁRIOS

  1. Meu povo e eu sentimos muito toda essa situação que´abala não só os parentes Xukuru como também todos os povos do Brasil.
    é visível o que a “justiça” está fazendo conosco.
    Tentando prender nossas lideranças e assim pensando em enfraquecer a luta, mas somos fortes, insistentes e resistentes e vamos dar a volta por cima pois o povo Xukuru não está sozinho e ajustiça de nosso pai Tupã é maior que qualquer injustiça humana.
    Vamos a luta parentes e mostrar que somos inocentes!!!

  2. como uma indigena potiguara fico indignada ao ver parentes sofrendo por criminalição e espero povo xukuru que vocês tenham força e muita fé para lutar contra todo esse acontecimento e é uma pena não poder estar no grande ato público mais eu sei que como verdadeiros guerreiros indigenas irão lutar por mais uma causa que sairão vitoriosos.
    avante…

  3. A Paz ao povo Xukuru!
    Estou no Rio de Janeiro e não posso ir ao ato público mas saibam que estou com vcs.
    Divulgo pela internet o ocorrido com Marquinhos e peço que se possível, chegue a ele minha solidariedade e apoio.
    Com indignação e revolta!
    Juliani

  4. Eu estou estudando sobre voces , e queria saber mais.

    desde já agradeço pela resposta.
    03/06/09

  5. Realmente é difícil aceitar o que se deseja fazer ao Cacique desta nação.

    Postei um texto/nota de D. Pedro Calsadaliga, se bem que sem aspas, onde um sábio Mestre diz de sua solidariedade para com este fato. Uno-me ao Grande Bispo e desejo, que em breve, conquistemos a terra sem males, tão cantada, aparentemente distante, mas próxima, diante da bravura e resistencia de bravos(as) e honrados(as) guerreiros(as), como o Marquinho!

    Todo respeito ao povo indigena é, ainda, pouco, diante do muito que já se massacrou e exterminou povos e culturas inteiras.

    Líderes,como Marquinho, precisam ser mais respeitados e examinados, por todos nós, inclusive antes de sentenciarmos quaisquer juízo, pois sabemos que ele, assim como grande parte deste povo, vivem em função da vida e, da vida plena!

    Deus abençoe a luta justa de povos e nações que resistem as elites falidas.

    Padre Motinha
    Palmeira dos Índios – AL

  6. Realmente é difícil aceitar o que se deseja fazer ao Cacique desta nação.
    Postei um texto/nota de D. Pedro Calsadaliga, se bem que sem aspas, onde um sábio Mestre diz de sua solidariedade para com este fato. Uno-me ao Grande Bispo e desejo, que em breve, conquistemos a terra sem males, tão cantada, aparentemente distante, mas próxima, diante da bravura e resistencia de bravos(as) e honrados(as) guerreiros(as), como o Marquinho!
    Todo respeito ao povo indigena é, ainda, pouco, diante do muito que já se massacrou e exterminou povos e culturas inteiras.
    Líderes,como Marquinho, precisam ser mais respeitados e examinados, com respeito aos ´princípios universais do direito, por todos nós, inclusive antes de sentenciarmos quaisquer juízo, pois sabemos que ele, assim como grande parte deste povo, vivem em função da vida e, da vida plena!
    Deus abençoe a luta justa de povos e nações que resistem as elites falidas.
    Padre Motinha
    Palmeira dos Índios – AL

  7. Volto para postar a Nota do Bispo de Pesqueira, D. Francisco Biasin, para que os visitantes possam ouvir vozes proféticas, que se levantam contra essa condenação:
    “Lamento muito a condenação do cacique Marcos Luidson, líder do povo Xukuru, assim como a prisão “preventiva” de Rinaldo Feitosa Vieira e a criminalização de várias lideranças do povo Xukuru.
    Por exercermos a cidadania, respeitamos as decisões da justiça e a autoridade dos delegados e das polícias. A pergunta que surge, após esta afirmação de respeito, é se a justiça é exercida de forma isenta e imparcial e se as ações policiais são realizadas de forma respeitosa dos direitos humanos fundamentais, também a respeito das minorias, entre as quais incluímos os indígenas.
    Não é um chavão repetir a afirmação que sempre são presos, punidos e condenados os mais pobres e os mais indefesos: é uma realidade! Como é possível condenar sumariamente uma liderança sem antes ter ouvido as testemunhas, cerceando assim o direito de defesa? Como é possível prender antecipadamente um acusado sem provas, só com o “pretexto” de que se trata de uma pessoa “perigosa”? Já declarei por escrito e reafirmo que o Rinaldo é uma das pessoas mais pacíficas que tenha conhecido e de boa família. Desde o direito romano vale o princípio que uma pessoa é considerada inocente de qualquer crime até que seja provado o contrário! Trata-se de um princípio universal, aceito em todos os códigos e em todas as culturas.
    Temos a impressão que a justiça no nosso país seja um poder dentro do poder, exercido em certos casos arbitrariamente e sem nenhum controle social! Ainda numa sociedade que se proclama democrática, como a nossa, a violência policial e o desrespeito dos direitos humanos acontecem à luz do sol, deixando-nos pasmos e impotentes! Só a imprensa, às vezes denuncia de forma eclatante alguns desses abusos, e normalmente, passado o impacto da notícia, depois de uma semana a própria denúncia cai no esquecimento!
    Costumo dizer, até brincando, que também os índios, como os brancos, não são isentos do “pecado original”! Se houve crimes, seja de índios como de brancos, seja de pobres como de ricos que sejam averiguados e punidos, atendendo a todas as formalidades da lei que garante para todos, brancos e índios, liberdade, defesa e apresentação de provas!
    Criminalizar uma nação indígena significa minar a sua auto estima, exercer a tentativa da divisão interna de um povo e, portanto, enfraquecer a sua luta diminuindo a sua resistência diante da cultura dominante.
    Há quase seis anos conheço cada dia mais profundamente o povo Xukuru. Preparamos um padre e um diácono, através de cursos especializados no conhecimento da cultura indígena a fim de atender pastoralmente e de forma inculturada esta nação indígena e sempre mais estou convicto de que a alma deste povo é pacífica, orgulhosa de resgatar a sua cultura, altaneira na defesa de seus direitos.
    Por isso cheguei à conclusão que a criminalização sistemática de suas lideranças não passa de uma armação de elites incomodadas com a sua organização ou até de autoridades que, tendo encontrado limites no exercício arbitrário de seu poder, estão retribuindo desta forma, que considero desumana, injusta e prevaricatória, às atitudes que o povo Xukuru tomou, na defesa de seus direitos e de suas prerrogativas.
    Faço votos que as autoridades competentes tomem as providências cabíveis e que a justiça seja exercida de acordo com os cânones do direito, isenta de todo tipo de interesses a fim de estabelecer um clima de paz e de concórdia entre a sociedade civil de Pesqueira e a nobre nação Xukuru.”
    Pesqueira, 28 de maio de 2009
    + Dom Francisco Biasin
    Bispo de Pesqueira

  8. E aqui a nota de D. Pedro Calsadaliga:

    “Querido povo Xukuru, povo do patriarca Xikão, mártir dos direitos do seu povo e do meu afilhado Marcos, o Marquinho, tão admirado.
    Me associo ao testemunho de milhares do Brasil e do exterior, que respaldam vossa luta pelos direitos fundamentais de terra, cultura, justiça e paz. Denunciamos as fraudes, a corrupção comprada e a insensibilidade de certas autoridades estaduais e federais.
    Com vocês e com esses milhares de irmãos e irmãs solidários, louvamos de coração a declaração tão certeira do bispo de Pesqueira (PE), Dom Francisco e renovamos nosso compromisso de vivenciar a causa indígena, e concretamente a causa Xukuru, em uma solidariedade fraterna.
    O sangue dos nossos mártires e o testemunho dos nossos patriarcas e matriarcas nos batizam de coragem e de esperança.
    Recebam um forte abraço de comunhão e um beijo no coração de cada um e na terra Xukuru mesmo.

    Dom Pedro Casaldáliga
    Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia

  9. Tenho fé em tupã e tamaim, que tudo isso vai sair bem, pois o nosso cacique Marcos Luidson, é pessoa que procura sempre o melhor para seu povo e dessa forma, nós xucuru iremos lutar juntos, porque povo unido jamais sera vencido……………. Nosso cacique não esta só pois iremos juntos com a justiça mostra que nosso lider ira vencer…………

  10. Apesar de não poder comparecer ao ato público em defesa de Marcos Luidson e contra todo tipo de criminalização das lideranças indígenas Xucurú , deixo aqui minha solidariedade , acreditando plenamente na inocência do cacique Marcos e sabendo que apesar de todo tipo de armações que ainda continuam sendo feitas pelas elites dominantes para negar os direitos dos povos indígenas , a organização do povo Xucurú e a força do sangue indio não desanima e nem se desestrutura tão fácil , pois foi e continua sendo construida a cada dia sobre uma base forte , alicerçada na verdade e nos direitos humanos !!!! Continuem firmes na luta !!

  11. Estamos todos unidos nessa luta e com certeza iremos vence-la.Pois querem expulsar-nos do nosso país e de nossas terras.Querem nos roubar,nos matar e ainda por cima nos culpam da violencia que eles criaram.E ainda se julgam no direito de dizerem que eles sim!É que são os civilizados.Que nós, os índios ,é que somos rebeldes,que matamos pessoas para come-las!Nós morreríamos todos caso nos alimentássemos da carne dessa pessoas tão maus!

  12. Pe. Motinha.
    Sou do Rio de Janeiro e colaboro ha quase 5a com o projeto Índios On Line.
    Já tive oportunidades de dialogar com o Cacique Marcos e o considero muito!
    Sou católica e milito na PO e hoje tbm no movimento indígena na luta por uma universidade indígena no RJ.
    Por diversas vezes recorri a Dom Pedro para intervir junto ao CIMI e nos auxiliar em algumas questões nas aldeias e em todas as vezes fui prontamente atendida.
    Gostaria de dialogar com você para analisar as possibilidades de organização de um abaixo assinado ou de outro movimento que possa mobilizar a Igreja…(não a dos palácios mas a Igreja que sofre) no sentido de Libertar Marcos e tbm o seu povo.
    Meu e mail é: lj.juliani@gmail.com

    Na teimosia, na esperança, na luta e na Fé por um mundo melhor!

    Obrigada,
    Laura Juliani

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