Alguém em sã consciência pode nos ajudar a encontrar um adjetivo que possa qualificar os despautérios que temos a infelicidade de ler, ou ouvir através da imprensa escrita ou falada, que são protagonizados ultimamente pelos políticos, juristas, fazendeiros, alguns militares das forças armadas, anti-indígenas, quando falam da questão em relação à reserva Raposa Serra do Sol, que concomitantemente atinge todas às reservas indígenas?
Continuam demonstrando, além da ignorância que lhes é peculiar, um comportamento etnocida, xenofóbico, e egocentrista. Faz-nos pensar – atitude inexistente na vida deles – assim como acreditamos que também, pensam os integrantes do Instituto Social Ambiental, o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, a COIAB, THYDÊWÁ, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e muitos outros organismos, que defendem os Povos indígenas. Será que ainda existe a possibilidade do homem tornar-se algo puro, sem males?
Insistem em nos ver como “índios”, ou seja, nada parecido com algo humano, ainda continuam nos vendo como a igreja católica nos viu, e declarou que não existia alma em nossos corpos, portanto “bichos”, deixando subentendido que podiam eliminar todos, que não estariam cometendo “pecado”. Foi dito, há séculos, e ainda continuamos estigmatizados por uma corja de malfeitores assassinos, que servem unicamente para destruir a dignidade humana.
Falam de unificar o Brasil, falam de soberania nacional, falam de economia, de produção de alimentos. Perguntamos que unificação se pretende, se hostilizam os nordestinos, os negros, e os pobres? Alguém nos responda, como se chama o comportamento expressado pelos paulistanos em relação aos nordestinos, ou os gaúchos em relação aos paraenses, o tratamento desigual em relação aos indígenas. Mas, indígenas não é nem gente para a sociedade, para boa parte dela, e até mesmo para os pobres brancos. No Brasil nunca existiu o apartheid, ou é cultura brasileira?
E qual economia, e produção de alimentos estão falando, se este é o país da miséria, do assistencialismo, o que se produz aqui é para abastecer os silos internacionais
O nacionalismo é o refúgio último dos desinformados, agora para ser contra os indígenas o Brasil é um só têm que se uniformizar, engraçado, não é esse o discurso que se escuta de São Paulo em relação ao Nordeste, ou do Rio Grande do Sul em relação ao Pará de repente tem que unificar a pátria das chuteiras porque o nacionalismo brasileiro é a pátria das chuteiras, é o Brasil na copa, é o futebol, mas peraí se futebol é cultura brasileira ele é inglês e se carnaval é cultura brasileira ele é veneziano, logo se futebol é da Inglaterra, e carnaval é de Veneza, que diabos é cultura brasileira afinal?!
O Brasil é um país que não conseguiu encontrar a si mesmo, nega suas raízes sem ao menos conhecê-las, as pessoas insistem em permanecer com os olhos voltados para Europa. Comem farinha, feijão, milho, amendoim, bebe tacacá, usa perfume da natura, as cidades chamam Camaçari, Coaraçi, Camacã, pessoas com nomes de Maíra, Iara, Jacira.
O que nos deixa estupefatos é perceber que uma boa parte dos jornalistas brasileiros são completamente analfabetos no que diz respeito à questão indígena no Brasil, não conhecem a legislação, não conhecem história, e muito menos a cultura que está presente no dia a dia deles.
Ainda somos obrigados a ler declarações como essa citada em página de um jornal bastante conhecido: “Índio vai virar guarda-mato sem salário” se vencer no STF, diz chefe dos arrozeiros, e tantas outras tolices, como comparar a quantidade de indígenas em uma reserva, pela quantidade de votos.

Diante do quadro que vivemos só nos resta esperar que a guerra estabelecida contra nós Indígenas desde o dia em que aqui chegaram invadindo nosso solo Sagrado, tomando tudo que era nosso e nos matando, seja de fato declarada, assim acabam consumando o extermínio de uma única vez. Já que suas leis não são cumpridas, nossas vidas não são valorizadas, o que ainda estão aguardando?

Yakuy Tupinambá (Irmã do Mundo)
yakuy@indiosonline.org.br

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4 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente Yakuy , vivemos num mundo onde a cobiça e os interesses se sobrepõe aos seres humanos , o dinheiro fala mais alto e a ânsia pelo lucro também. Realmente , verdade seja dita: Muito pouco se conhece do indio brasileiro , em toda profissões ouvimos absurdos , e até mesmo em escolas já presenciei de professores palavras sem sentido sobre isso , cabe a cada um de nós , mostrar a outra face da realidade , buscar alternativas , como essas que vcs desenvolvem , de assembléias , participar de eventos , escrever matérias , e se mostrar , não superior a tudo isso , mas de saber tratar de igual para igual com esses devaneios , como vc mesma diz em sua matéria , escritos e falados por pessoas que necessitam aparecer e distorcer os fatos para obter alguma vantagem.O indio cada vez mais ganha espaço na mídia , e este espaço tão requisitado por muitas outras pessoas com outros interesses ; acredito que por vcs , deve ser muito bem aproveitado em favor desta causa que vos une. Desta maneira , estarão sempre encontrando forças para driblar estes e outros obstáculos que aparecerão!!! E não se surpreenderão com pessoas que estão dispostas a falar e fazer de tudo para enfraquece-los !!! Excelente matéria !!! Um grande abraço !!!

  2. Parente é tanta bobagem que a gente lê nos jornais.
    Sou estudante de jornalismo e não me conformo.
    Sabemos que a midia é porta voz desse ”sistema”… então é de se esperar as coisas que escrevem
    a maiora dos jornalistas.
    Apesar de toda bobagem que vemos.Foi muito boa a posição do ministro Carlos Ayres Britto que considerou constitucional a demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol de forma contínua, como determinado pela Portaria 534/05, do Ministério da Justiça, e homologada por decreto do presidente Lula. Para ele, a demarcação em forma de ilhas, ou ”queijo suíço”, como defendido pelo estado de Roraima e por produtores de arroz, seria asfixiar as culturas das comunidades e desrespeitar frontalmente a Constituição Federal.
    Para o ministro, também não se pode falar em subtração do território estadual. Nesse sentido, ele lembrou que, juntos, os estados do Espírito Santo, Alagoas e Rio de Janeiro reúnem uma população de mais de 21 milhões de brasileiros em uma área pouco superior a 121 mil quilômetros quadrados. Essa área é pouco menor do que a área que cabe ao estado de Roraima, descontadas todas as áreas indígenas demarcadas. E isso para uma população de cerca de 400 mil habitantes. “Tudo em Roraima é desmesurado, é gigantesco”, disse Ayres Britto.

    E também foi emocionante a advogada Joênia Batista Carvalho da etnia wapichana que ressaltou a violência contra as comunidades da reserva, lembrando que “21 líderes já foram assassinados, casas foram queimadas e ameaças foram feitas.” A advogada defendeu que a definição da terra indígena é responsabilidade do próprio povo indígena. “O que está em jogo são os 500 anos de colonização”.Seu projeto de dissertação intitula-se “Diferença formal e prática da posse e propriedade indígena de terras tradicionais”.
    Endereço eletrônico para correspondência com ela parece que é joeniac@yahoo.com.br

  3. Eles tem que aprender a nos respeita nos dar valor
    por que eles chegaram aque ja encotraram indio coviveram com
    nós,e por que não querem aceitar nós na sociedade
    eu fico muito triste com uma cisa dessa.
    parabéns

  4. “[…]Mas peraí se futebol é cultura brasileira ele é inglês e se carnaval é cultura brasileira ele é veneziano, logo se futebol é da Inglaterra, e carnaval é de Veneza, que diabos é cultura brasileira afinal?![…]” Quão grande é o discernimento da pessoa que elaborou esta questão!
    Ótimo site! Muito claro, muito bem escrito, de argumentos bem estruturados e principalmente uma fonte limpa de notícias!

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