Através da história do nosso povo

Através da história do nosso povo, a gente se emociona em saber que para estar na terra em que estamos tínhamos que passar por muitas dificuldades. Assim trabalhamos com interesse de mostrar para o país brasileiro que índio existe, e que temos história, e como prova você está lendo este texto agora.

Assim todos sabem como vivemos, porque lutamos por nossas terras, por direito, brigamos com fazendeiro. Temos orgulho de ser índio, e por ser índio não admitimos ser chamados de ladrão, nem aceitamos as outras dificuldades que o índio tem de encontrar para conviver com a população.

Viemos em nome do nosso povo a atravessar com muito orgulho de fazer parte dessa grande história, atravessando junto com as etnias hãhãhãe, fulni-ô, baynan, kiriry-sapuiã, camacan, tupinambá, com uma população de 2880 índios na nossa área.

Nas manifestações durante as comemorações dos quinhentos anos do Brasil em Porto Seguro, temos presenciado aquele conflito em que todos os povos indígenas do Brasil, tanto como os negros, a população humilde, e o MST, todos juntos fomos violentados pelo Presidente da republica Fernando Henrique Cardoso (FHC), que fez horrores de bombas, junto com as suas tropas mal administradas que nos fez lembrar a chegada dos portugueses no nosso território indígena, que se chama Brasil.

Para chegar a onde chegamos, no dia 21 de Abril de 1997 (Mil novecentos e noventa e sete), tivemos que perder uma coisa valiosa dentro da nossa aldeia. A morte do meu tio Galdino, que foi assassinado com álcool, gasolina, assim o corpo ficou carbonizado com 500 graus de temperatura, por cinco vândalos, filhos de classe dominante. Assim tivemos a solidariedade do presidente da Funai (fundação nacional do índio) que trouxe o corpo do líder. Isso nos apoiou na retomada das 5 (cinco), fazendas (São Sebastião, Bom Jesus, Paraíso, Milagrosa, Iracema). Em 2001 tivemos outros avanços como povo, tivemos outras conquistas dentro do nosso território, com o alento de quatorze mil hectares de terras tradicionais.

Dentro desta conquista, veio a construção do colégio modelo dentro da aldeia, que hoje funciona com a quantidade de 400 alunos, sendo preparados da alfabetização até a oitava serie. Chegamos também a ter um posto de saúde, de onde é que somos tratados. Nesses projetos conseguimos um dos melhores meios de comunicação para a nossa comunidade, a Internet.

Para registrar toda convivência na minha etnia a gente tirou fotos que entram no trabalho desse projeto e mostram todas as lutas desse povo, que vem atravessando todas essas barreiras com dificuldades para conquistar o nosso território. Queremos junto com todos vocês terminar de conquistar o nosso território que abrange 54,105 mil hectares. Peço a toda humanidade internacional que, por favor, ajudem-nos a garantir um século XXI de paz .

Não deixem que a mãe terra morra, com o verde e as nascentes destes rios, que é a nossa vida. Atravessar queremos outros quinhentos anos com paz e com orgulho de ser índio, e de ser negro, e branco. Eu Thirry, e parente Matarywp Titiá, deixamos aqui bem claro que somos gente como vocês, é claro, índio, e só pedimos uma só coisa, O RESPEITO DE TODOS VOCES.

-LEMBREM-SE, QUANDO VOCÊS CHEGARAM AQUI, NOS JÁ ESTÁVAMOS.
-SIRVO DE ADUBO PARA NOSSA MÃE TERRA, MAS DELA NÃO SAIO.

Na primeira imagem vocês vêem a chegada da nossa aldeia, que foi onde tudo começou, as invasões dos policiais das tropas de choque, onde aconteceu as barreiras e o primeiro conflito das primeiras retomadas, “etc”…

Na seguda imagem vocês vão ver o transporte escolar queimado, por incosequentes que não quer ver os indios bem. Assim aconteçeu no município de Pau-brasil em horário de aula.

Na terceira foto mostramos a nossa mata, onde tiramos nossa alimentação, a caça.

Proseguindo você vê a estrada onde transitamos com os nossos burros e jegues.

A saúde indigena é tratada ai onde voçes estão vendo nesse posto.

Data: 15.09.2004

ATENCIOSAMETE: PAULO TITIÁ (36 anos), IGLÉSIO PATAXÓ (15 anos).

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