Antigamente os índios Pankararu, tanto jovens como os, mas velhos, tinham a função de limpar o cemitério indígena, que fica localizado na aldeia Brejo dos Padres, ou seja na aldeia central do povo Pankararu.

Foi então que por volta, de mais ou menos 10 anos atrás, que 10 índios Pankararu, entre jovens e velhos, saíram para limpar o cemitério, como faziam freqüentemente, até como forma de tradição já realizada há varias gerações. E como todas tradições Pankararu tem sempre um ritual, essa não é diferente, então antes de fazer a limpeza do cemitério, os índios tomam sempre a girocá “que é uma bebida alucinógena, a base de raízes”, foi então que um índio meio atrevido, se excedeu na girocá, e se embriagou. Foi então, que os outros que estavam no cemitério, pegaram o índio embriagado, e o deitaram em uma pedra, e foram embora o deixado, ele lá sozinho dormindo, então ao escurecer, por volta das 19:00 horas, ele sentiu uma mulher o acordando, quando ele viu que esta vá dentro do cemitério, ficou amedrontado, foi então, que ele avistou, a alma de uma mulher, a mesma que a tinha lhe acordado, daí que o pânico aumentou, e em um gesto sem pensar, o índios que embriagado estava dormindo no cemitério, saio correndo e pulou um muro de 3mt, e correu como nunca tinha corrido antes.

E isso serviu, como uma grande lição para ele, pois mesmo a girocá fazer parte tradição Pankararu, ela tem que ser respeitada, e ser consumida concentrado e com modera mento. Mas graças a nosso grande pai Santsé, só foi um susto, que o índio que se embriagou no cemitério, nuca mais esqueceu, e guarda essa lição como exemplo até os dias de hoje.

Rogeria Monteiro
Edmar Antônio
Hellves Lucierle

E-mail: edmapank@hotmail.com

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8 COMENTÁRIOS

  1. oi parabens por este site, achei maravilhoso isso prova a progresão dos indios,que é maravilhoso a informação para os povos indigenas,e principalmente pra mim que sou indio,só que não moro na tribo,moro em uma cidade perto da tribo pankararu.paraben pra quem teve essa iniciativa.

  2. ´olá parentes…

    parabéns,pela sua dedicatoria,espero que continuen assim.A verdadeira pessoa que se dedica a uma causa só vence, Pois luta pelo que quer e deseja de verdade.

  3. Boa matéria e vcs são muitos corajoso principalmente pelas fotos gostei muito parabéns a todos vcs.
    um abraço de solange pankararu

  4. Eu também gostei dessa matéria, as fotos estão bem tiradas e a morte e os cemiterios são lugares que fazem parte do ciclo natural da vida e merecem alguns cuidados mesmo. Achei legal “a alma” ter dado o susto do índio que exagerou na girocá, as tradições devem ser respeitadas e as plantas de poder mostraram seu poder mesmo, rsssssssss.Continuem escrevendo e nos presenteando com aspectos diferentes das tradições Pankararu.Parabéns!

  5. Edmar parabéns gostei muito de sua matéria e também da sua dedicatoria que foi boa de mais continue sempre fazendo suas materias e não dexista nunca do que vc quer e também de ser um guerreiro pankararu.gostei e quero ler mas historia feita por vc.
    Vc é um verdadeiro escrito.
    17/01/2006

  6. Saudações à todos.

    Fico feliz, como já pude salientar outrora, em ver aqui as discussões dos problemas e causas indígenas, cujas soluções só serão tangíveis, ao que me parece, justamente através de sua exposição e debate.

    Embora eu não seja diretamente de etnia indígena, cultuo decididamente o contexto indígena de vida, por crer que se trata de um muito avançado molde de sustentabilidade, e não só por isto, mas também por ter consciência da própria diversidade cultural que subsiste entre os povos e etnias indígenas, e a importância em promover sua manutenção e propagação.

    São muitos os pontos em que as culturas indígenas da América diferem dos padrões culturais inseridos nos sistemas eurasianos de produção. São inúmeras as óticas dissemelhantes, quando não conflitantes e opostas. Por isto há a necessidade de que nos esforcemos no sentido de expressar de forma muito clara os caracteres de cada cultura, para que a outra parte não a tome em sentido errôneo. Isto é ainda mais fundamental em meios como a Internet, onde a circulação de visitantes “internautas” não obedece a um padrão regional ou étnico-cultural. Sites como este, serão inevitavelmente visitados por gentes de toda a espécie, oriundas dos mais diversos grupos culturais e locais, e não só pelos próprios indígenas. Estes “forasteiros” lerão as matérias, e concluirão sobre a cultura indígena à partir do conhecimento que têm e das visões de mundo que sustentam, embasados entretanto, naquilo que lerem aqui.

    Sabemos ainda que infelizmente, a cultura do homem se forma também pelos pré-conceitos que são construídos pelas sociedades. Os pré-conceitos, como o próprio termo nos indica, são conceitos – muitas vezes equívocos – que se formam prematuramente à uma análise mais detida sobre determinado tema. São idéias que se tem sobre determinado assunto, e que são formadas com base em conhecimentos prévios complementares, já afixados em nossas mentes.

    As línguas, embora sejam o mais importante instrumento de comunicação existente entre os seres humanos, possuem lá suas falhas, e deve-se ter muito cuidado com o uso de certas expressões ou palavras em sua aplicação. Caso contrário, corre-se o risco de imprimir na linguagem expressões dúbias, que darão entendimentos contrários àquilo que se pretende na verdade dizer, ou exprimir.

    Certas expressões especificamente, são já bastante carregadas de pré-conceitos, dado o contexto que as envolve e as anteriores experiências que encerram, principalmente nas culturas de raízes européias – entusiastas do conhecimento científico – que extremadamente talvez, valorizam a expressão linguística e o uso da palavra.

    Cabe dizer aqui ainda que, as sociedades ditas “civilizadas” costumam primar pela manipulação – no sentido mais literal do vocábulo – das palavras e expressões à fim de lhes imprimir significados diversos daquilo que usualmente se compreenderia com seu uso. Dessa forma, inocentes palavras podem, em mãos apropriadas, se tornar argumentos que confirmarão ou não pré-conceitos, que perfarão ou não caminhos próximos da verdade.

    E foi justamente sob este contexto e mediante tais princípios que me senti compelido a comentar esta matéria, a fim de auxiliar – ao menos minimamente – o leitor na melhor manutenção – ou mais precisamente “manipulação” – da língua portuguesa, especialmente no que toca o termo “alucinógeno”, empregado no texto dos Srs. Edmar Antônio, Hellves Lucierle, e da Sra. Rogeria Monteiro.

    Vejamos:

    A palavra alucinógeno é uma derivação do verbo alucinar, que por sua vez vem do latim alucinare. Alucinar – segundo o dicionário online PRIBERAM – quer dizer: privar da razão, desvairar, enganar-se, iludir-se. A alucinação seria portanto, a visão de algo que não existe na verdade. Um erro de interpretação visual. Um equívoco. O alucinógeno neste sentido, seria substância capaz de ocasionar tal erro, tal equívoco. Seria substância capaz de produzir visões de algo inexistente, visões que segundo o entendimento ocidental científico não corresponderiam à verdade. Cabe aqui lembrar que as alucinações estão frequentemente ligadas pela medicina ocidental aos ditos casos de “loucura” e ainda mais profundamente às patologias de “psicose” e seus respectivos casos.

    Sabe-se ainda que um dos grandes problemas sociais que as comunidades ditas “civilizadas” enfrentam frequentemente é o do abuso de drogas. Tais situações de abuso, se configuram de forma massificada e possuem várias características mercadológicas, que talvez não caiba aqui detalhar. O certo porém e que, o abusuário de drogas geralmente não tem a menor consciência do que são em verdade as drogas, e as utilizam sem nenhuma finalidade espiritual ou de elevação da consciência. As utilizam – quase que invariavelmente – para fins recreativos ou como atitudes de rebeldia para com o sistema, buscando na contravenção uma integração social que ele geralmente não atinge fora dela. Muito embora o termo “droga” seja muito relativo, podemos relacioná-lo diretamente ao consumo industrial de substâncias psicoativas e à relação de abuso, à qual nos referimos. São diversos os tipos ou modalidades de “drogas” utilizadas abusivamente nas sociedades urbanas industriais e mesmo em pequenas cidades. Dentre estas modalidades, podemos destacar: depressores do Sistema Nervoso Central (SNC), estimulantes do SNC e as drogas chamadas “alucinógenas”.

    Creio que seja aqui de especial interesse notar que o uso indígena de substâncias como a girocá, a ayahuasca, o kambo, o carapiá, dentre outras, obedece a outros padrões, muito diversos das situações de abuso a que nos referimos no parágrafo anterior. Não se trata de consumo industrial, nem atitude contraventória de ataque ao sistema. Trata-se de um comportamento cultural, intrisecamente ligado à religiosidade dos povos indígenas, oriundo de saberes místicos e enraizado milenarmente através de gerações e gerações. O uso de substâncias psicoativas entre os índios portanto, acompanha outras concepções e não deve ser entendido sob a mesma ótica, ou sob os mesmos termos, que se entende as relações de abuso de drogas nas sociedades massificadas.

    Posto isto, facilmente poderemos notar que o termo “alucinógeno” está carregado de pré-conceitos, relacionados ao abuso de drogas no meio urbano e não se aplicará efetivamente para descrever a relação indígena com substâncias da mesma natureza. Se para o abusuário massificado o uso de tais substâncias trará alucinações, ou visões de algo inexistente em verdade, apenas para fins recreativos, para o índio o mesmo uso terá outros sentidos, uma vez que aqui ele não buscará propriamente alucinações, mas contato com realidades espirituais, imperceptíveis ao olhar comum. Buscará antes uma ampliação da percepção. Aquilo que nas sociedades ocidentais de massa se considerará mera alucinação, nas sociedades indígenas se considerará percepção de realidades distintas, existentes e coexistentes, que podem ser verificadas através de experiências de cunho espiritual.

    Assim, gostaria de alertar à todos sobre os riscos de se utilizar termos que possam ter um valor pejorativo ao comportamento indígena nas descrições de suas atividades e seu agir cotidiano. O uso de “plantas mestras” entre os índios não obedece a padrões massificados de consumo, e não configuram exatamente o uso de “alucinógenos”. Tenho certeza que o protagonista da matéria acima não ingeriu a girocá no intuito – muito massificado e pueril – de “ficar doidão” como o fariam abusuários urbanos, mas sim com finalidades místicas e espirituais – muito embora possa ter exagerado na dose. Como os próprios autores nos indicam, há toda uma relação de respeito no uso de plantas ditas “de poder” entre os indígenas. Coisa que geralmente não ocorre no abuso industrial de drogas.

    As línguas permitem a busca de termos específicos que possam expressar com mais exatidão aquilo que se pretende dizer. No caso da língua portuguesa, creio que alguns termos seriam muito mais apropriados que “alucinógeno” para descrever a ação do uso de plantas mestras no organismo humano. Não que eu pretenda “corrigir” os autores. Longe disto. Apenas busco colocar em pauta que certos termos podem acarretar a formação de mais pré-conceitos que se desejaria, já que estes são em sua grande maioria, maléficos às relações humanas no geral. Quando na matéria se diz: a girocá “que é uma bebida alucinógena, a base de raízes”, creio que seria mais adequado substituir-se a palavra “alucinógena” por outra mais precisa, que não encerre em si tantos preconceitos quanto a referida comporta. Mais que simplesmente “alucinógena”, a girocá será substância “enteógena” – que leva à essência do ente, ao âmago do ser – ou “professora” – por ser bebida feita de “plantas mestras”.

    Muito embora tudo isto possa parecer, à primeira vista bastante irrelevante, pois trata-se apenas de palavras menores que a experiência mística que se quis descrever, convém voltar a frisar que este site será visitado por muitos e muitos ainda, e que a grande maioria dos que o visitarão serão possivelmente não-índios, carregados dos pré-conceitos formados nas sociedades massificadas, e que bastante deles não terão discernimento o suficiente para saber que a palavra “alucinógeno” aqui empregada quer dizer outra coisa que não o sentido literal, ou de dicionário que se imprime a ela geralmente.

    Seria muito útil aqui ainda, que fossem empregadas palavras oriundas das próprias línguas indígenas para descrever tais relações, como o uso de substâncias psicoativas no meio dos próprios índios. Tais palavras seriam ao certo, mais exatas na descrição dessas relações, e poderiam dar nova terminologia ao tema, advinda da própria ótica indígena. O português falado no Brasil, já deixou há muito de ser simples português para se tornar língua brasílica, mesmo por incorporar vocabulários das diversas culturas que para aqui convergiram e aqui miscigenaram-se. Nos falta ainda entretanto, nomenclatura própria indígena incorporada à língua portuguesa do Brasil para descrever a relação do índio com o uso de substâncias psicoativas. E não nos parece que a terminologia ocidental se aplique eficientemente à tal uso.

    Bem… acho que já falei demais por hoje.

    Deixo um grande abraço à todos.

    Luz!!!

  7. Parabéns para todos, pois tive a oportunidade de conhecer o espaço onde vocês trabalham ai no posto indigena.
    Meu nome é Edcarlos mais conhecido ai como Carlinhos sou da família dos Moises e de João Lelé, estive ai em meados de Junho à Novembro de 2006, moro atualmente em São Paulo no bairro do Real Parque e sempre acompanho as notícias graças a vocês através dessa ótima iniciativa de informar à todos sobre a nossa cultura. Sou mais um on line com vocês.
    Cordialmente desde já
    Ed

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