Eu Zacarias Antônio Leocádio

Eu Zacarias Antônio Leocádio, nasci em 1905, no Tabuleiro Grande, perto de Jeremoabo.

Eu não comia coisa de roça e nem conhecia gente. Durante 18 anos não vesti roupa, era na casquinha do pau.

Pai foi para o mato e mãe teve quatro resguardos lá, sustentados na fruta: mangaba, murici, cajuí… Secava, pisava e fazia fubá. Comia com carne de tatu e mel de abelha.

Era tudo feliz, sadio. Não sabia o que era dor de dente, dor de cabeça.

Um dia, passado esse tempo, a gente estava no terreiro da cabana (que era de capim) e ouviu uma zoada arrebentando pau, arrebentando tudo, marcando a nossa cabana. Pai disse assim: “Ali vem uma onça enlinhada com uma rês e vem pra aqui!”.

Quando viu, era um vaqueiro. Os animais pastavam no terreiro e o vaqueiro parou; era conhecido de meu pai e disse: “Ô, seu Antônio, tá por aqui? Eu pensei que o senhor tinha morrido ou descido por Sergipe. Vá se embora pra Lagoa Grande!”

O vaqueiro trazia comida no lombo do animal e deu para nós. “Êta coisa ruim!” Eu não conhecia sal, nem nada.

Seguindo o conselho do vaqueiro pai veio embora, tratar da rocinha dele. Fez casa, a família cresceu e ficamos aí, na Lagoa Grande. Pai pegou a trabalhar, eu também aprendi a lavoura. E fomos acostumando com as comidas da roça. A Lagoa estava cheia e ele conseguiu umas sementes de arroz e também plantamos maniba (mandioca) e lá vai… Agora esqueci de fruta, pois não tinha na época. Era só comida de roça e bananeira! Mudou. Acostumei e até hoje está bom.

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