Quando comecei a lecionar aqui na aldeia tawá, sentávamos no chão. Não tínhamos e nem temos materiais, depois de alguns meses de aulas, que conseguimos as cadeiras. A nossa sala de aula é emprestada… Ate hoje não temos a nossa escola construída… A merenda é difícil. Já estamos no mês de julho e só agora que começou chegar um de pouco de merenda… Sem material didático… Salários muito atrasados. Inclusive no ano passado, a merendeira Dona Noemia Conceição dos Santos trabalhou e não recebeu. Ela ficou doente e por falta de receber o seu salário para se tratar, acabou morrendo.
Somos muito esquecidos por parte do governo federal, governo da Bahia e FUNAI. Já faz dois anos que a nossa escola funciona precariamente sem ter apoio de ninguém.
Maria Lúcia Desidério dos Santos – Professora

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3 COMENTÁRIOS

  1. olá colega sabemos que a nossa situação e triste e muito lamentavel só que não pudemos dormir temos que gritar pra o mundo saber porque em minha aldeia naõ e diferente da sua passamos pela mesma dificuldade referente o salario dos professores e a mernda escolar nós temos que chamar muito pelo pai tupã para nos ajudar .ABRAÇOS MAYA.

  2. Cara colega Maria Lúcia,
    Li sua matéria com emoção.Quando estudamos a história de educação no Brasil, vemos que as escolas da zona rural sempre foram as que tem recebido menor atenção dos orgãos governamentais. Também descobrimos que avançamos quando denunciamos, nos articulamos, mostramos ao mundo nossa realidade. Não é esmola, é direito. Está na Lei máxima que é a Constituição do nosso país,desde 1988: educação como direito subjuntivo, direito de todos, dever do estado.Fui diretora em uma escola municipal na Paraíba há tempos atrás e nada veio de graça, como direito que é. Precisei ir sempre aos orgãos responsáveis, secretaria de educação, prefeitura, merenda escolar, material didático,financiamento e até tinta para pintar a escola e minha escola ficava na zona urbana.Penso que a luta por uma educação de qualidade também é nossa, dos professores, dos diretores, dos pais, da comunidade.Um primeiro passo já é o que vc está fazendo, dizendo ao mundo da sua realidade.As fotos que ilustram a matéria estão ótimas. O segundo passo é recorrer aos orgãos competentes,temos internet onde podemos achar os endereços dos orgãos responsáveis, temos email, onde podemos enviar correspondencias e telefone para fazer um contato pessoal, antes de precisar sair da aldeia.As lideranças da aldeia têm boa relação com o prefeito? Se tiverem, já é uma boa ajuda, alguns prefeitos de municípios do Nordeste tem batalhado por escolas indígenas com qualidade. Procure se informar sobre a verba do FUNDEB que vai para o seu município, as escolas indígenas são contempladas. Vocês já tem um projeto pedagógico, já trabalham com o curriculo da escola diferenciada? Há alguma associação de professores indígenas na sua região? No nordeste já tem boas associações de professores indígenas funcionando.Um galho sózinho quebra fácil, mas um monte de galhos juntos é difícil de quebrar!!!Vamos conversar mais sobre sua realidade. Meu abraço para essas guerreiras e guerreiros da educação, fé em Tupã e pé na estrada, que há muito o que fazer nesse país, para que e educação seja um direito de todos.

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