Não podemos pisar um pé aqui

Não podemos pisar um pé aqui, outro acolá. A cultura que Deus nos deu nós estamos seguros nela. É nisso que nós temos que pisar forte, que segurar.

Eu me sinto bem cantando e dançando o Toré porque é quem me dá força e coragem. É nossa força que nos defende dos perigos. A gente pisa com fé. E a fé nos traz a força.

Quando chega o dia de sábado, dia do Toré, eu não faço nada Fico só naquele pensar…

Quando a gente chega lá para dançar é com aquela força e fé em Deus. Cantar e agradecer a Tupã, que sempre está ajudando.

Quantas rodadas a gente não deu por aqueles matos e os posseiros atrás de nós para tirar nossas vidas. Mas nosso pai Tupã é dono de todos, ninguém é mais que nosso pai e é ele que tem nossas vidas. Deus é que nos dá coragem, nos dá aquela força.

Quando a gente está cantando muito e está com aquela força, aquela consonancia com o que está chegando à gente, podemos acreditar em Deus. É Tupã que está ajudando e mandando toda aquela força para gente.

A gente nasceu aqui no mato e estamos no mato ainda; é o que Deus quer.

Nos tempos dos posseiros não tinha mato, não. Era tudo limpo de roça.
Agora é que ficou mais verde com a gente aqui. Quando a gente morava no mato, dormia ao relento, curtindo sol do dia e o sereno da noite. Tudo mordia a gente, mas não tinha esse negócio de mosquito como tem nas casas. Foi por isso que Deus deixou o índio no mato.

Não estamos acostumados com nenhuma zoada. Quando temos precisão de ir à cidade, a gente fica azoada. Tem tanta gente, tanta coisa. Eu mesma não acostumo, de jeito nenhum.

A gente não pode caminhar sossegado, como eu ando aqui em nosso mato.

Dona Edite

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