Não podemos deixar a peteca cai…para isso temos que continuar a nossa luta por uma educação melhor, um futuro melhor, por sermos o futuro da nossa nação indígena.
O Projeto Pindorama surgiu em 2002, quando houve uma junção entre a iniciativa da prof. Ana Battaglin, do Departamento de Psicologia da PUC, e os esforços do Xavante Hiparindi Top Tiro e da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de São Paulo, que buscavam o apoio da PUC junto à Prof. Lúcia Helena Rangel, do Departamento de Antropologia da PUC.
As duas iniciativas encontraram-se, e com o apoio do Setor de Bolsas da PUC, avaliou-se que os indígenas entravam no perfil do bolsista. Assim surgiu o Projeto Pindorama.
No primeiro ano, dos 28 que prestaram o vestibular, 26 foram classificados: 22 Pankararu, 3 Guarani e 1 Xavante. No ano seguinte prestaram vestibular mais 35 estudantes, tendo sido aprovados 16. A partir desse ano a PUC passou a oferecer 12 bolsas.
Neste dia 31/08/08 formos participar de mais um encontro de socialização das estratégias de luta de nossos alunos universitários, no Sitio dos Anjos, em São Lourenço interior de São Paulo.
Para que essa conquista continue, os jovens Indígenas participa uma vez por mês desses encontros de todos os povos envolvidos, para discutir a presente situação dos estudantes indígenas na universidade, eu fico feliz com isso, por ser uma coisa organizada por nosso grupo mesmo de estudantes.
Ficamos bastante felizes por presenciar alunos já formados pelo projeto incentivando os mais novos que acabam de entrar na universidade, passando sempre a base das informações para os parentes sobre a nossa caminhada.
Pois somos o futuro de nossos povos indígenas, e para isso temos que estarmos atentos as informações dos nossos lideres e principalmente das forças encantadas.

Não podemos deixar que os objetivos do Projeto Pindorama cai, pois visamos aumentar a sensibilidade para a diversidade e para a interdependência entre as várias culturas, visando uma convivência e um respeito mútuo, abrir caminhos para a concretização de uma sociedade pluriétnica, pluricultural e mais igualitária.
Temos presente no projeto jovens de 12 etnias: Atikum, Fulni-ô, Guarani Mbyá, Guarani Nhandeva, Kaingang, Krenak, Pankararu, Pankararé, Pataxó, Potiguara, Terena e Xukuru,e vamos lutar para colocar mais etnias em nosso projeto.
Pois já se passaram pela universidade 86 indígenas nesses seis anos de existência, tendo se formado 21 estudantes, sendo que dois deles encontram-se em Cuba cursando medicina.
Temos 50 alunos indígenas freqüentando os seguintes cursos: engenharia elétrica, direito, tecnologia em mídias digitais, matemática, ciências sociais, turismo, contabilidade, administração, economia, fonoaudiologia, biologia, enfermagem, secretário executivo trilingüe, serviço social, pedagogia, letras (inglês, espanhol e português), artes do corpo, história e multimídias. Se Deus quiser vamos colocar mais indígenas em outros cursos na universidade.

Só assim vamos ter parentes formados lutando por nós todos, pois temos bons exemplos de alguns parentes que estão atuando para suas respectivas comunidades, como:
Edcarlos, Pankararu, Assistente Social, apoiador do projeto e da comunidade de São Paulo; Henrique Ubiratã, Pankararu, enfermeiro, trabalha na aldeia Pankararu do Brejo dos Padres (PE); Maria das Dores (Dôra), Pankararu, trabalha como educadora na Casa do Índio (CASAI), em São Paulo; Luís Antônio, Pankararu, trabalha como professor na aldeia do povo Kaimbé (BA); Cátia Pereira, Guarani Mbyá, trabalha como professora na aldeia Guarani do Pico do Jaraguá (São Paulo) e assim por diante vamos dar um norte para esses jovens indígenas.
Só precisamos de mais um apoio das comunidades indígenas para estarem absorvendo esses parentes já formados nas comunidades, pois eu já senti na pele a burocracia de atuar para o meu povo, por morar na cidade. Percebi que a política está influenciando na absorção dos próprios parentes indígenas na comunidades.
Gostaria que refletissem no que de fato a comunidade quer. Um indígena trabalhando pra ela, ou os brancos dominando cada vez mais os espaços de trabalho profissional na comunidade?

Edcarlos (Carlinhos) – Pankararu
edpankararu@yahoo.com.br

Comentários via Facebook
COMPARTILHAR

4 COMENTÁRIOS

  1. muito bom saber que aos pouco tamos coseguindo
    um espaço na sociedade,e vamos em frente que
    um dia nós seremos reconhecido em todo o brasil
    e que os branco nos trate como devemos.

  2. Oi soi indio tupinikim da aldeia Pau Brasil – Aracruz – ES.
    Sou seminarista e curso o 4º período de Filosofia.
    Minha irmã também é bolsista do curso de medicina em Cuba.
    gostei da iniciativa. Realmente é muito bom ver que a juvenude indígena briga por espaço e reconhecimento tanto na sociedade como na própria comunidade!
    Peço o apoio de vocês para suscitar tabém nos jovens daqui esse mesmo epírito e consciência de que somos o futuro das nossas nações.

  3. É otimo saber que estamos conquistando a sociedade e nos dando bem na juventude,amo saber que somos capases de conquistas assim.
    É bom mostrarmos que somos capazes de tanta coisa e nem desconfiamos que algum tempo seriamos seris assim,ponto de conquistas muito maiores do que a gente mesmo.
    E um aviso pra todos os adolescentes do mundo vc tambemvai ser jovem um dia,mas não entre no mundo das drogas,pois assim não chegara a ser jovem.Beijinhos,thau,thau!!!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here