Amigos não poderia deixar de comentar e compartilhar essa notícia que vi. Pessoas em um assentamento sendo agredidas por Policiais Militares no Estado da Bahia.

Onde vamos parar? O que aconteceu com os companheiros do Assentamento dom Helder Câmara em Ilhéus não é um caso a parte e sim mais um exemplo da intolerância religiosa, racismo e demais situações horríveis a qual estamos vulneráveis. Nós povos indígenas vivemos isso cotidianamente e o Estado e toda a sociedade não se dão conta do mal que está assolando a humanidade!

Precisamos nos unir e lutar por um Brasil e um planeta mais justo onde possamos conseguir respeito sendo iguais nas diferenças…

Leiam o triste fato a seguir e entenderam melhor do que estou falando!

Por racismoambiental, 26/10/2010 13:08

Sábado, 23 de outubro de 2010, por volta das 14: 00 hora, um pelotão da Polícia Militar da Bahia, invadiu o assentamento D. Helder Câmara, em Ilhéus, levando a comunidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais a viverem um momento de terror, tortura e violência racial.

Os fatos: ao ser questionado pela coordenadora do assentamento e sacerdotisa (filha de Oxossi) Bernadete Souza sobre a ilegalidade da presença do pelotão da polícia na área do assentamento, por ser este uma jurisdição do INCRA – Instituto Nacional e Colonização de Reforma Agrária, e, portanto, a polícia sem justificativa e sem mandato judicial não poderia estar ali, menos ainda, enquadrando homens, mulheres e crianças sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzil, o que se constitui numa grave violação de direitos humanos, o comandante, alegando “desacato a autoridade”,  autorizou que Bernadete fosse algemada para ser conduzida à delegacia. Neste momento, o orixá Oxossi incorporou a sacerdotisa, que algemada foi colocada e mantida pelos PMs Júlio Guedes e seu colega, identificado como “Jesus”, num formigueiro onde foi atacada por milhares de formigas, provocando graves lesões, enquanto os PMs gritavam que as formigas eram para “afastar satanás”.

Quando os membros da comunidade tentaram se aproximar para socorrê-la, um dos policiais apontou a pistola para cabeça da sacerdotisa,  ameaçado que se alguém da comunidade se aproximasse ele atirava. Spray de pimenta foi lançado contra os trabalhadores.

O  desespero tomou conta da comunidade; crianças choravam, idosos passavam mal. Enquanto Bernadete (Oxossi)  algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida  jogada  na viatura, os policiais, numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam “fora satanás”! Na delegacia da Polícia Civil para onde foi conduzida, Bernadete ainda incorporada e bastante machucada, foi colocada algemada em uma cela onde havia homens, enquanto policias riam e ironizavam que tinham chicote para afastar “satanás”, e que  os Sem Terras fossem se queixar ao Governador e ao Presidente.

A delegacia foi trancada para impedir o acesso de pessoas solidárias a Bernadete, enquanto os policias regozijavam. Segundo os presentes no assentamento, além dos ataques a Oxossi (incorporado em Bernadete), os policiais também empurraram Obaluaê, manifestado em outro sacerdote, atirando o mesmo nas máquinas de bombear água. Os policias militares registraram na delegacia que a manifestação dos orixás na sacerdotisa Bernadete era insanidade mental.

A comunidade D. Hélder Câmara exige Justiça e punição rigorosa aos culpados e conclama a todas as Organizações e pessoas comprometidas com a nossa causa.

Contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra a violência policial, contra a violência à mulher! Pela reforma agrária e pela paz!

Projeto de Reforma Agrária D. Hélder Câmara

Ylê Axé Odé Omí Uá.

Fonte: http://racismoambiental.net.br

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Irembé Potiguara Pedagoga e acadêmica do curso de Direito na UFPB, professora de Tupi Antigo... Militante indígena... Nossa voz nunca será silenciada!!!!

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