Eduarda Vieira índia Tuxá de Rodelas na Bahia.
A Luta
Com o tempo tudo foi ganhando sua forma, voz e cor, o ensinamento passado por gerações durante anos ganharam sua força, as crenças, tradições e as histórias contadas pelos mais velhos foram constituindo silenciosamente a minha identidade étnica.

Confesso que andei alheia a situação e as tradições, observava de fora as coisas acontecerem sorrateiramente. A armadilha do envolvimento de índio com branco estava montada e aos poucos a droga, o álcool e a tristeza foram tomando espaço daquilo que antes era pureza e inocência.

Por tantas vezes enxerguei no meu povo a face da dor e da derrota perante a discriminação, porém a vida que vivemos é entendida de diversas formas e só depende de como e do ângulo em que se vê,entendendo isso pude avistar em meio a dor e a pressão de ver nossa cultura sendo posta à prova a Glória dos 500 anos de luta,luta esta digna apenas de guerreiros que anseiam por um mundo melhor e a preservação da natureza,luta injusta talvez,pois formamos a minoria,vítima de toda uma massa de preconceitos por pura ignorância e desconhecimento do que realmente somos.

 
 

Mas hoje,a cada vez que bato forte o pé no chão sob o ritmo dos maracás e das vozes agudas do meu povo,eu posso sentir a terra tremer em sintonia com o bater do meu coração,é como se o mundo gritasse pra mim aquilo que eu mesma sei desde que nasci:
 
Eu sou índia Tuxá e não posso fugir da luta!

A batalha pode ser desigual e as marcas do preconceito podem ser profundas mas o sonho e a esperança nos move a seguir em frente,lutando por nossas terras e pelo espaço que merecemos. Assim,a nossa luta só estará perdida quando estiver exterminada a nossa nação!

Eduarda Tuxá.
 
 
Jandair-Tuxá.
(75) 8862-0417
 
 
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7 COMENTÁRIOS

  1. Oi meu anjo conte com esse guerreiro tenho um carinho e um apreço muito grande pela sua familia, e estamos juntos e misturado.

  2. Parabéns pelo texto maravilhoso.
    Está nas mãos de jóvens como você o futuro do nosso planeta. Quando todos os jóvens, como você, ouvirem novamente o grito da terra chamando por eles e perceberem o orgulho de ser o escolhido para viver em harmonia com a nossa Mãe Natureza o mundo mudará sua trgetótia auto-destrutiva e poderemos sonhar com o futuro. Não desista nunca.

  3. Olá, parabéns pelo texto e iniciativa. Estou fazendo uma pesquisa sobre povos indígenas da Bahia e gostaria de saber mais informações sobre os Tuxá de Rodelas. Quais as principais atividades produtivas da aldeia (agricultura, pesca, caça e extrativismo). Muito obrigada!

    Manoela

  4. Queridos povos indígenas: os cumprimento e parabenizo desde o Uruguai. Vocês sao um exemplo de luta incansável. Os brancos teriam de sentir vergonha de usar as terras dos índios e de querer exterminar os verdadeiros donos da América. Tem muitas pessoas orgulhosas do que vocês fazem. Nao dessistam de continuar na defensa de seus direitos. Como muito carinho e com admiraçao: Mariella.

  5. Minha cara amiga, reconheço a sua mágoa revolta pelo massacre da nação índigina, pois vejo isso com muita indiguinação aqui no sul onde moro índios mendingando pelas ruas. jogados ao a caso em suas reservas, como um campo de concentração em um mísero pedaço de terra, mas para os brancos isso é o certo e assim que deve ser, se com nossos irmãos afros- descendentes que são maioria nesse pais são vitimas de racismo por uma minoria branca o que disser? Mas lute a até o ultimo suspiro pois quando lutamos pela nossa dignidade ñ podemos nos desacreditar nem pensar.

  6. Nossa, como me arrepiei quando você disse “sou índia Tuxá…”, além de Tuxá, tu és brasileira e não deve desistir nunca. Parabenizo por sua perseverânça. Sou uma graduanda em História pela Uneb e atualmente estudo História Indigena, e estou fascinada com tamanha exuberânça e perceverânça.
    Parabés, guerreira Tuxa!

  7. Oi Eduarda…Adorei sua matéria e o lêma dos que desejam vencer na vida é nunca se dá por vencida, independente de gênero, numeros e grau, quantas vêzes nos caimos na boca do povo e quantas vêzes se faz necessário sacudir a poeira que ficou, levantar e recomeçar uma nova caminhada, conta comigo. OK sds Miguel Pankararu.

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