Se todos estão em harmonia a pessoa tem saúde, se há um desequilíbrio, a doença aparece.
Desde os tempos mais antigos, na história dos seres humanos, os maiores problemas de saúde que os povos enfrentavam tinham a ver com a vida em comunidade e com sua relação com a natureza. Quanto mais era harmoniosa essa relação, mais saude os povos tinham e mais tempo de vida também.
Nos lugares abençoados da Mãe Terra, onde havia água limpa e boa para beber e tomar banho, alimentos suficientes para todos, abrigo firme e com boa temperatura, caça em abundância, a pesca, os povos indígenas respeitavam os espíritos das plantas, bichos, e dos ancestrais com as danças, os cantos e os rituais, havia saúde e alegria. Mas a doença também faz parte da vida e todos os seres humanos se esforçam para enfrentar a realidade da dor e do sofrimento trazido pela doença.

Para os pajés que conhecem a medicina tradicional as doenças vem de fora, trazidas por maus espíritos e é compreendida como um acontecimento mágico espiritual e nesse caso o pajé é quem cuida da pessoa doente e faz o ritual de cura mais indicado para o caso. Cada povo entende o fenômeno da saúde e da doença de maneira diferente.

Alguns povos indígenas compreendem a Roda de Cura da medicina tradicional tendo 4 quadrantes o físico, o mental, o emocional e o espiritual. Se todos estão em harmonia a pessoa tem saúde, se há um desequilíbrio, a doença aparece. Para curar outra pessoa ou curar a si mesmo, há que aprender a ouvir a si mesmo, ouvir a orientação dos ancestrais e conhecer seu próprio caminho, ouvir sua música e dançar sua dança, fortalecer sua identidade.

Para os médicos, a doença está no corpo, causada por germes e bactérias, mosquitos e outros fatores diversos como o ambiente, jeito de se alimentar e de viver que cada um escolhe. Sendo assim, é preciso procurar no corpo onde a doença se instalou, verificar com aparelhos, fazer muitos exames e ter práticas de higiene especiais para fazer essa busca.

Essa separação do corpo, da alma, da mente e das emoções faz as vezes com que os médicos estudem muitas especializações e em vez de tratar a pessoa de forma inteira, há um médico diferente para tratar cada parte da pessoa, são as especializações médicas, que a cada dia vão aparecendo.
Algumas dessas doenças são muito antigas mas muitas outras doenças são novas e ainda estão sendo estudadas, como algumas doenças sexualmente transmissíveis que levam à AIDS, ou ainda porque doenças que já haviam desaparecido estão voltando.

Com a proximidade com o mundo dos não índios, ocorreu a desvalorização dos saberes e práticas tradicionais e o esquecimento da língua nativa e dos valores tribais. Com a luta pela posse da terra, confinaram os índios a reservas ou terras indígenas .

Sem a terra, o índio não tem suas tradições preservadas, não pode cuidar da proteção da natureza, nem ter a dignidade do seu modo de viver. O Cacique Domingos, da Aldeia Potiguara de Jacaré de São Domingos, TI da Baía da Traição dizia que a “A terra é a Mãe do índio” .Sem ter a terra, longe da força dos ancestrais, sem ter caça, nem perspectivas de trabalho muitos índios adoecem e morrem…

A sociedade moderna dos não índios, trouxe estranhas doenças: alcoolismo, drogas, violência, desnutrição, obesidade, falta de sentido para viver.mas também vieram com o remédio, a vacinação, o atendimento diferenciado, os hospitais, o jeito diferente de fazer os partos, e todos os aparelhos que fazem os exames. E a saúde indígena, que antes era de responsabilidade da FUNAI, com seus indigenistas, passou a ser de responsabilidade da FUNASA que delegou esse cuidado da saúde indígena a organizações não –governamentais (ONGS) e associações formadas pelos indígenas.

Vieram também as leis e entre elas a Constituição de 1988 chamada de Constituição cidadã. E a Lei 8.080, que regula o Sistema Único de Saúde e garante a saúde como direito de todos e dever do Estado.

Mas para que as leis saiam do papel, é necessário que tenhamos conhecimento delas e de quais as formas de participação que irão garantir que esses direitos sejam atendidos.

É preciso se informar das leis e participar das Conferencias de Saúde Indígena, compreender as políticas públicas para a saúde indígena, para exigir seus direitos.

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Ana Paz

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